A astrologia é daqueles temas incontornáveis de jantares de grupo. À mesa encontramos os céticos falando do poder de sugestão, os crentes que prontamente fazem o mapa astral a toda a gente e aqueles que simplesmente não percebem nada do assunto. Vivem-se tempos bons para quem gosta desta não ciência, esta  desloca-se cada vez mais do clássico horóscopo e ganha mais destaque e ferramentas para discussões mais profundas. Mas e aqueles que não percebem nada sobre o assunto? A MAGG foi fazer a pesquisa por si.

Começamos por um dos conceitos mais básicos: o ascendente.  De uma forma genérica, “o ascendente representa a qualidade energética específica do instante em que nascemos, a ‘aura” desse momento único’, que é calculado pelo momento e local exato do nascimento. Segundo o astrólogo Nuno Michaels, é um fator astrológico que individualiza e distingue cada um de nós.

Se ainda não percebeu o que é o ascendente, o especialista responde às suas dúvidas.

Como é que eu sei qual é o meu ascendente?

De forma simples, o ascendente é determinado pelo signo do Zodíaco (ou signo solar) que aparece “no horizonte no momento exato do seu nascimento” – sendo determinado por coordenadas temporais e espaciais. “Assim, se eu nascer exatamente ao nascer do sol, o meu ascendente será, também, Carneiro. Se eu nascer ao pôr do sol, o ascendente estará no signo diametralmente oposto ao signo do Sol – neste exemplo, o ascendente é balança”, acrescenta Nuno Michaels.

Por isso mesmo, é essencial sabermos a nossa hora de nascimento, pois sem isso não é possível calcular o ascendente. “Existem astrólogos que recorrem a diversas técnicas e alternativas para contrariar essa limitação ou tentam métodos para tentar ‘reconstituir’ qual será o ascendente da pessoa em questão”, mas o astrólogo adverte que sem este dado não é possível calcular o ascendente correto.

5 aplicações para quem gosta de astrologia

O que representa?

“O ascendente representa a qualidade energética específica do instante em que nascemos, a ‘aura’ desse instante único ”, este momento astral não se repetirá e atribui qualidades e características específicas à nossa existência. Em termos físicos, este acontecimento “representa o contacto direto entre o corpo e o ambiente, de uma forma individualizada, uma vez que já não é mediada pela nossa mãe nem protegida pelo seu ventre”, acrescenta o astrólogo.

Nuno Michaelis afirma que o ascendente fala das energias e das tensões ao redor do nosso próprio nascimento físico, “isso reflete-se na nossa auto imagem, na maneira como os outros nos vêm quando não nos conhecem mais profundamente e na maneira como abordamos a vida”.  Este conceito acaba por se relacionar com as circunstâncias que envolvem e antecipam o nosso nascimento, as condições de gestação e do seu impacto em nós.

O que é que significa na prática e por que é relevante?

“Numa imagem simples: é como se estivéssemos presos numa redoma de vidro , quando olhamos para fora vemos a vida através dela e lá fora os outros veem-nos com esse mesmo filtro”. O ascendente desempenha um papel fundamental de filtro das nossas relações com o exterior e tinge um conjunto de “expectativas prévias que temos sobre a vida”. Deste modo, é um espelho da forma como vemos o mundo e como o mundo nos vê.

O astrólogo faz, também, alusão ao teatro grego e aos atores que usavam máscaras para desempenhar o seu papel numa tragédia ou numa comédia e que adotavam personas: “A persona não era o ator, mas a máscara que ele usava para interagir com os outros atores de acordo com o carácter essencial da peça a representar”. Em certo sentido, o ascendente é isso mesmo: “Uma espécie de ‘segunda pele’ que funciona não só como uma capa exterior que é percecionada pelos outros, mas também como uma película psíquica que filtra a nossa própria perceção do mundo e da nossa ação sobre o mesmo”.

Por isso, o ascendente é um conceito ou um modo de estar que medeia a experiência connosco, com os outros e com o mundo. Entender o nosso ascendente é entender a máscara que utilizamos para cada situação, as ações (e emoções) que utilizamos para cumprir o nosso propósito.

Como é que o ascendente se relaciona com o signo solar?

De um modo geral, “o signo sol é o grande propósito da vida e o ascendente é a armadura ou máscara utilizada para a enfrentar”. A relação entre o ascendente e o signo solar é preponderante naquilo que somos e como agimos no mundo:  “O ascendente é um canal ou uma escadaria, que permite ao indivíduo crescer e ocupar o lugar que lhe está destinado – a essência da sua vida [relacionada com o signo solar]. O ascendente define o tipo de escadaria ou de estrutura de vida que o indivíduo vai ter que percorrer e adotar para chegar a esse ponto.”

Existem relações particulares entre o sol e o ascendente: quando estes coincidem ou quando são opostos. “No primeiro caso, em teoria, haverá menos diferença entre ‘essência’ e ‘aparência’; no segundo caso, haverá necessidade de integrar os dois signos complementares, que partilham de temas comuns ou eixos”.

Livro. O lado bom e o lado mau de cada signo (segundo a astróloga dos famosos)

O Ascendente vai evoluindo ao longo da vida?

“De certa maneira, também podemos dizer que o ascendente representa aquelas qualidades que ao longo da vida vamos aprendendo a manejar de forma mais hábil e consciente para nos ajudarem a cumprir o nosso propósito na Terra”. Assim, o indivíduo vai amadurecendo e ganhando uma maior consciência de si próprio, do seu papel, da sua máscara, e dos seus filtros.

Até do ponto de vista mais específico, Nuno Michaels afirma que em astrologia todo o mapa vai mudando com o tempo, atualizando permanentemente as propostas da nossa evolução. “Não para nos dizer ‘onde’ estamos e ‘como’ somos, mas para nos sugerir o quê, onde e como poderíamos estar e estar a tornarmo-nos. Se estamos vivos a mudança é inevitável. E se estamos conscientes, a evolução é possível”, remata o astrólogo.

Quais as características associadas a cada signo do ascendente?

O ascendente é, tal como dissemos anteriormente, uma ‘escadaria’ ou um percurso que percorremos para o nosso destino ou essência. Assim, “mais do que características, cada ascendente tem associadas tarefas e propostas de vida” – ações e maneiras de estar na vida que a estruturam e que nos aproximam mais do que somos nós mesmos e menos das preocupações e influências externas.

Carneiro: “O propósito essencial é a criação e a abertura a novas experiências que ajudem a desenvolver um senso de identidade, coragem, e capacidade de fazer, por si mesmo, frente aos desafios da existência.” Para Nuno Michaels, os grandes dons a desenvolver são a autoconfiança, a liderança, a capacidade de iniciativa e aprender a integrar os próprios impulsos egoístas numa ação social mais ampla.

Touro: “O desígnio deste ascendente é desenvolver um senso de valor próprio através da utilização dos seus talentos, dons, recursos e capacidades”. Touro representa valores e desejos pessoais, por isso este ascendente age e reflete os seus valores através da sua capacidade de trabalho e de produção. “A posse e o apego a pessoas e objetos, a utilidade prática das coisas e das ideias, a necessidade de estabilidade, prazer, segurança e conforto tornam-se temas importantes na sua vida“.

Gémeos: O propósito do ascendente Gémeos é “o contacto com uma grande variedade e diversidade de experiências, conhecimentos, princípios e ideias”, que se materializam em aprendizagens, na troca de informações. Quem tem este ascendente procura viver e compreender cada vez mais a multiplicidade de realidades, tem de “ter a capacidade de se adaptar e contactar, compreender e chegar a qualquer tipo de contexto, mentalidade ou interlocutor”.

Caranguejo: O ascendente Caranguejo tem como missão “construir um senso de segurança pessoal dentro de si mesmo e na relação com o meio ambiente”. Este seu desígnio prende-se com a sua sensibilidade psíquica e a memória, associadas à família e à infância: “Se essas experiências proporcionaram um senso de proteção e segurança, será mais fácil amadurecer emocionalmente e ter a capacidade de ‘alimentar’ os outros (…). Caso contrário, o desafio será descobrir os modos corretos pelos quais a pessoa precisa aprender a nutrir-se a si mesma, em vez de procurar essa segurança nos outros.“

Leão: Tornar-se uma unidade criativa auto consciente e integrá-la nas várias dimensões da sua vida é a tarefa de quem tem o ascendente Leão. Este tem uma capacidade de “co-criar a sua própria existência honrando a sua própria individualidade”, estas pessoas sabem o que são mas podem querer ser algo diferente, mas não deixam de apresentar algum egocentrismo. Numa pessoa mais evoluída, este ascendente permite-lhe ser um canal de entusiasmo, luz e calor para os outros e enriquecer assim as vidas dos outros”, quando isto não é feito, a personalidade é dominada pela necessidade de reconhecimento e aprovação do outro.

Virgem: “O propósito do ascendente Virgem é o desenvolvimento da capacidade de interagir com o meio ambiente de forma eficaz, prática, funcional e eficiente”, isto implica uma noção de si próprio e do que deve aperfeiçoar. Para além disso, estes indivíduos procuram adquirir ferramentas, técnicas e conhecimentos “que permitam ser mais eficiente na relação com o mundo e os outros, e honrar assim o impulso interno de perfeição e serviço diligente ao mundo”. No seu esplendor, este ascendente traz ordem e cura para o mundo.

Balança: “Aprender o equilíbrio dinâmico de que se fazem as relações” é o objetivo para quem tem este ascendente. A ação desenvolve-se no sentido do auto conhecimento e do senso de identidade. Este percebe quem é e quem não é, por identificação e/ou oposição aos outros e ao seu meio ambiente e aprende a gerir todo o tipo de polaridades e relações entre opostos, encontrando soluções e compromissos harmoniosos para posições divergentes.

Escorpião: Aprender a refinar a sua natureza emocional tão intensa e profunda é a grande tarefa para quem nasce com ascendente Escorpião. “O maior desafio ao longo da vida é a cura e a transformação dessa natureza emocional, de modo a que a pessoa possa ter maior inteireza e poder individual para encarar as transformações necessárias na vida”. Assim, à medida que estas crises são vividas, compreendidas e integradas, a energia de Escorpião expressa cada vez mais uma capacidade inata de transformar o outro.

Sagitário: “Com Sagitário no ascendente, o impulso dominante é o de ampliar os horizontes pessoais, procurar novas experiências e o sentido maior por trás delas, e à medida que esse sentido vai sendo descoberto e intuído, disseminá-lo e mostrá-los aos outros”. A sua vida é orientada para experimentar e viver a vida ao máximo, o que leva a que facilmente se possa cair no exagero, adverte Nuno Michaelis. “Dependendo da orientação da pessoa, este impulso de crescimento e ampliação pode assumir duas formas principais: através do estudo, de viagens, do ensino, da filosofia, do contacto com o longínquo e o distante; por novas e diferentes sensações, prazeres e fontes de gratificação imediata.”

Capricórnio: “O propósito do ascendente Capricórnio é aprender a estruturar e utilizar corretamente os recursos ao seu dispor no ambiente para obter sucesso pessoal e profissional, utilizando corretamente o poder da sua vontade, e aprendendo lições fundamentais sobre o que é responsabilidade pessoal e ambição”. O caminho aqui é feito através do trabalho e da ambição para provar o próprio valor.

Aquário: Este tipo de indivíduo “é aquele que está no topo da montanha a ver a cidade e está a pensar como esta devia ser”. O seu propósito está ligado à procura de um senso de identidade e de análise sobre a mesma, “este processo geralmente faz-se através da identificação com ideais, grupos ou movimentos que aceleram o processo de individualização e trazem um maior senso de quem se é, da própria originalidade, e simultaneamente da sua própria humanidade, isto é, de tudo aquilo que partilha em comum com os outros”. Uma pessoa com ascendente em Aquário pode ser um revolucionário, alguém que se move segundo os seus princípios e pode criar mudanças e coloca as tradições e preconceitos em causa.

Peixes: O ascendente Peixes tem como missão “desenvolver a compaixão, a empatia e a aceitação incondicional da vida, só possível à medida que o indivíduo vai reconhecendo a perfeição do espírito por trás da imperfeição das formas e das circunstâncias, e vai sendo capaz de se identificar com um senso universal de si mesmo, e não como separado da vida e dos outros”. A sua sensibilidade e tendência para o transcendente fazem com que este ascendente procure o absoluto, a ligação com o superior, seja ela através da fama, da arte, da religião, etc.