Conheça Alexandra, a portuguesa que nos leva a Bali para pensar na vida

Tem 38 anos, é coach, e há um ano que guia grupos até à ilha da Indonésia para que venham de lá com um mindset diferente: o de mudança.

Alexandra Vinagre é autoria do livro "Até onde quer chegar?", com o qual incentiva a mudança através de exercícios, testemunhos pessoais e base científica

Carlos Porfirio www.cjporfirio.c

Basta uma hora de conversa com Alexandra para começarmos com bichos carpinteiros que nos fazem querer levantar da cadeira. Agora imaginem uma semana com ela. Em Bali. Viemos de lá com vontade de mudar o mundo. Senão de todos, pelo menos o nosso.

Alexandra Vinagre atualmente é coach, mas começou como cliente, numa fase da vida em que tinha tudo, mas faltava-lhe algo. “Tinha um trabalho porreiro, estável, tinha namorado. Tinha tudo para estar satisfeita, mas não estava”, conta à MAGG.

Começou a procurar uma resposta, até que esbarrou com a palavra ‘coaching’ que, em 2012, ainda não era assim tão comum. Leu sobre o assunto e começou a ser seguida por uma coach que a pôs a “olhar para dentro”, como nos explica.

De repente, e depois de algumas viagens feitas sozinha para a Ásia, percebeu que o conhecimento que tinha sobre si já era demasiado para voltar à vida de sempre.

Esta licenciada em engenharia química, a trabalhar ainda como delegada de informação médica, encontrou um escape nos tempos livres, que preenchia com coisas que lhe davam prazer, ainda que parecessem estranhas aos olhos dos outros. “Comecei a passar mais tempo sozinha, fazia voluntariado e foi nessa altura que descobri o ioga”, refere, “criei uma espécie de balão de oxigénio, uma forma de escape à rotina que já não me preenchia”.

Esse tempo livre começou também a ser ocupado com formações em coaching, tanto em Portugal, como na Índia e, das sessões que fazia aos amigos — as primeiras cobaias — rapidamente passou a organizar workshops. “O primeiro não teve ninguém”, recorda com graça.

Nas sessões da Alexandra, fazem-se gráficos, contam-se histórias e partilham-se objectivos. Tudo com o objetivo de mudança pessoal

Agora, os programas que organiza tendem a esgotar em pouco tempo e o seu espaço de manobra também alargou. Ainda que continue a fazer retiros em Sintra, por exemplo, é para Bali que gosta de levar as pessoas a pensar.

Porquê Bali?

Chama-lhe retiros sempre com os dedos a fazer aspas. “Se alguém encontrar uma palavra mais adequada, por favor que me diga”.

É que pensar na palavra retiro remete logo para silêncios prolongados, ioga de manhã à noite, meditação e alfaces à mesa. “Retiro convida a retirares-te de algo e eu não acredito que tenhas que te retirar de algo. Acredito sim, em adicionar. Adicionar algo de novo à tua vida”. É por isso que não é que não haja ioga de manhã, meditação sempre que se justificar, “mas se for preciso abrir um garrafa de vinho, abrimos”, garante.

Nos “Mindset Immersion”, o nome escolhido para os programas que tem feito em Bali, os dias dividem-se entre sessões de coaching e comida deliciosa. Afinal, estes são dias pensados a duas cabeças. Joana Limão, food stylist, chef e autora do blogue Please Consider, juntou-se a Alexandra para que juntas criassem uma semana dedicada à descoberta pessoal e à mudança a todos os níveis, até o alimentar.

Alexandra está responsável pelo trabalho de desenvolvimento pessoal e, para isso, organizou quatro sessões a serem realizadas durante a semana onde foca temas como o gerir emoções e a comunicação transformacional. Já Joana, além de responsável pelo menu de todas as refeições e por ter como missão levar o grupo a conhecer os melhores restaurantes de Bali, prepara três momentos especiais: uma sessão sobre alimentação consciente, um workshop de brunch e um showcooking de comida balinesa.

Se tudo isto podia ser feito em Lisboa? “Podia, mas não era a mesma coisa”, refere Alexandra, que acredita que os contextos são facilitadores das experiências.

“Os balineses acreditam no karma e só isso muda toda forma como encaram a vida”, lembra. Lembra Alexandra e lembramos nós que, assim que aterramos em Bali para esta experiência que decorreu em novembro, dávamos por nós a olhar para trás a ver se vinha alguém que justificasse aqueles sorrisos abertos e aqueles “good morning”, como se já fôssemos caras do dia a dia.

E depois em Bali há destas mesas. Todos os dias

“É a parte da immersion que não tens que explicar, que nem precisa de uma sessão de coaching”, brinca Alexandra, lembrando, por exemplo, que nas dezenas de viagens que fez a Bali, foram várias as vezes em que pensou: “Se fosse em Portugal, já tinha pedido o livro de reclamações”. Mas lá não. “As regras mudam. Passas a viver com a tranquilidade dos balineses e com a sensação de que está sempre tudo bem, mesmo quando o taxista que pediste para ir para o aeroporto não aparece porque adormeceu”. Vais sempre chegar a tempo do voo, porque em Bali é assim.

A mudança de Alexandra

No meio deste vai e vem a Bali, Alexandra conseguiu manter o seu trabalho em farmácia até ao ano passado.

Nessa altura, fazia sessões de coaching presenciais e online e até escreveu um livro, o “Até onde queres chegar?”, no qual incentiva a mudança através de exercícios, reflexões científicas e testemunhos pessoais.

O curioso foi que só durante a promoção do livro é que Alexandra percebeu que andava há anos a pregar aquilo que ainda não fazia na sua vida. “Numa das entrevistas que dei, perguntaram-me qual era o segredo da mudança. Eu respondi e foi aí que me caiu a ficha: andava a incentivar a mudança dos outros e eu continuava presa por um fio ao passado”.

Não demorou nem uma semana a despedir-se e, agora, dedica-se por inteiro ao coaching, tanto individual como em grupo.

Em janeiro e fevereiro estão já reservados dois fins de semana especiais em Sintra, sob o tema da liderança pessoal e mindfulness e, em abril volta finalmente a Bali — “é já uma segunda casa”, garante — para mais um “Mindset Immersion”, em dupla com a Joana Limão, e a solo para um “Reset and Forward”, um programa mais ligado à parte profissional, mas que, como todos os outros, te obriga a pôr tudo em perspetiva.

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