Os 8 sinais de que está numa amizade tóxica

Podem criar problemas de auto-estima e confiança por serem difíceis de gerir. Uma psicóloga explica estas relações e como lidar com elas.

Pode tratar-se de uma relação disfuncional quando o seu amigo o copia em tudo ou desvaloriza as suas conquistas

Ben White/Unsplash

Quando funcionam, são para a vida. Mas há casos em que a cumplicidade e o companheirismo entre amigos dá lugar ao ciúme, à inveja, à negatividade e ao mal-estar geral numa interação que se queria estável e saudável. São assim as relações de amizade tóxicas que, além de disfuncionais e difíceis de gerir, trazem consequências à vida dos intervenientes que se veem num círculo vicioso de culpabilização e frustração por estarem numa amizade que parece não dar certo.

Mas como lidar com uma relação tóxica e quais as consequências físicas e emocionais? Segundo a psicóloga Sofia Taveira, é importante que, numa primeira análise, se olhe para os dois lados. A ideia é identificar não só a pessoa mais tóxica, mas também a que assume uma atitude mais passiva — que geralmente está associada a “questões de falta de confiança ou de baixa auto-estima”.

Mas apesar de existirem vários sinais que denunciam uma relação de amizade tóxica, a psicóloga não tem dúvidas de que a característica principal é a presença de “comportamentos inadequados entre os membros ou intervenientes da relação”. Mas há muitas mais de igual importância, como explicou à MAGG.

Quando não há reciprocidade na relação

“Quando o pedir algo é uma regra e não uma exceção, quando falar é mais comum do que ouvir ou quando existem problemas e esse amigo nunca está lá para apoiar o outro”, são só algumas formas de identificar uma relação tóxica. Se todos estes fatores se verificarem de forma constante, a psicóloga não tem dúvidas de que se está perante um caso “totalmente oposto ao de uma uma verdadeira amizade onde a reciprocidade está presente”.

Há uma desvalorização das conquistas

Neste tipo de relações, diz Sofia Taveira, existe muito o hábito de criticar, ainda que de forma subtil, o outro amigo sem que esse perceba que o intuito da crítica é o de o diminuir ou retirar importância às suas conquistas. “A ironia é muito usada e aquilo que para uma pessoa é um grande feito, para a outra é apenas algo comum e não tão importante”, revela a psicóloga.

É também normal que, nestas situações, exista uma sensação constante de afastamento gradual que decorre da falta de vontade de falar livremente sobre vários assuntos.

Quando os outros amigos não servem e têm sempre defeitos

Este ponto está relacionado com o anterior. Uma relação pode revelar-se tóxica quando uma das partes começa a tecer comentários depreciativos em relação aos outros conhecidos do seu amigo. De repente, parece que todos os outros têm defeitos e nenhum é suficientemente bom para ser seu amigo. Quando isto começa a acontecer, Sofia Taveira explica que é por uma questão de falta de confiança e de necessidade de querer aquela pessoa só para si.

“Quando começa a ser recorrente ouvir vários comentários depreciativos em relação aos seus outros amigos, isto revela uma tendência do amigo tóxico em isolar quem ele quer só para si. Possivelmente outros amigos e até membros da família já se queixaram disso mesmo”, pelo que é necessário estar atento ao feedback vindo de outras pessoas que, à partida, serão externas à relação.

Não pode fazer nada sem que seja copiado

É outros dos sinais mais importantes: sentir que perde a sua identidade e tudo aquilo que o torna único quando um dos seus amigos faz tudo igual a si. Seja comprar um carro novo, uma camisola nova, mudar de casa, ou até adotar um estilo totalmente diferente. Seja o que for que faça, é muito provável que, caso esteja numa relação tóxica, o seu amigo o tente copiar.

Apesar de bizarro e desconfortável, este comportamento tem uma explicação e está até muito ligado à forma como o seu amigo o critica. “Nestes casos complexos, as críticas devem-se também ao sentimento de querer aquilo que a pessoa tóxica não tem”, e que tenta ter através da cópia.

Quando o amigo só serve como distração

Quando numa relação o amigo só serve para momentos divertidos ou para ajudar a esquecer os problemas, então também se trata de uma relação disfuncional onde o foco está no “amigo das fugas”. Segundo Sofia Taveira, estas relações de amizade são tóxicas quando apenas servem para “sair à noite ou para quebrar regras e serem usadas para encobrir traições ou mentiras”.

Falar mal dos outros é o único elo de ligação

Outro dos sinais é quando o único elo de ligação entre duas pessoas numa relação é a crítica constante à vida dos outros. “Falar mal, criticar de forma pejorativa, fofocar sobre a vida alheia ou reclamar sobre tudo e todos acaba por ser a única coisa que os unes”, e a psicóloga defende que essa é uma relação que, com o tempo, vai ficando marcada pela negatividade.

Sente-se fraco e sem energia depois de estar com esse amigo

Fica cansado, irritado ou sem forças depois de estar ou conversar com um amigo? É outro dos sinais que merece atenção e cujo significado pode ser difícil de entender, segundo Sofia Taveira.

“Aqui a empatia inconsciente para com o outro é o que ressalta, e há tendência para entregar de forma instintiva a sua energia à outra parte da relação”, e diz a psicóloga que isso é motivo mais do que suficiente para se sentir desgastado e sem forças — como se a sua energia tivesse sido sugada. Além disso, pode também verificar-se a existência de sintomas depressivos, como tristeza e melancolia que decorrem de uma má relação entre as duas partes.

Quais são os sintomas físicos e psicológicos causados por uma relação de amizade tóxica?

  • Baixa auto-estima
  • Questões sobre si próprio e sobre os seus projetos, provocando falta de confiança
  • Ansiedade
  • Tristeza e angústia
  • Dores de cabeça
  • Dores de estômago e intestinos
  • Sono irregular
  • Sintomas frequentes de cansaço
  • Choro fácil
  • Pensamentos negativos

Evita responder ao amigo e chega mesmo a ignorá-lo

A sua relação de amizade pode tornar-se tão insatisfatória e difícil de gerir que não vê outra saída a não ser deixar de responder às mensagens do seu amigo, e ignorá-lo. É uma reação normal que, considera a psicóloga, geralmente decorre depois de várias conversas dominadas por conflitos e chatices de onde já não espera nada de bom.

Um dos sinais de que isso está a acontecer, continua, é quando sente alguma irritação ao ver no ecrã do seu telemóvel uma mensagem dessa pessoa. Entre responder e ignorar, geralmente escolhe não responder.

“Provavelmente prevê uma conversa com um número infinito de problemas, chatices e pessimismos porque isso já aconteceu antes e no final sentia-se sempre tão inútil e pesado quanto um balde do lixo atolado, porque serviu apenas para ouvir os problemas da outra pessoa.”

Como lidar como uma relação disfuncional e tóxica?

Depois de identificados os problemas, é necessário que cada interveniente perceba o papel que está a desempenhar dentro da relação visto que é uma ligação que é mantida e sustentada por dois elementos. Por isso, diz Sofia Taveira que é muito importante que se entenda os dois lados da história.

A solução passa, quase sempre, pelo diálogo. Tentar perceber porque é que este tipo de atitudes acontecem é fundamental para que não se venham a repetir e só depois se deve “estabelecer regras e limites na relação” durante uma conversa franca e aberta. Caso não haja concordância e tudo pareça não mudar, o passo seguinte passa por seguir em frente e perceber que ensinamentos pode retirar deste tipo de relações para as evitar no futuro.

Porém, a psicóloga reconhece que pode ser muito difícil sair de relações tóxicas e, nesse caso, é imperativo que se procure ajuda profissional. O objetivo é sinalizar o que potencia esse tipo de dependência e incapacidade de quebrar laços e “obter ferramentas e estratégias que permitam cultivar relações saudáveis no futuro.”

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