Tinha coragem de andar completamente nu pela rua ou de viver durante tempo indeterminado sem as suas roupas favoritas ou os seus pertences mais valiosos? É esta a premissa de “Stripped”, o programa norte-americano de grande sucesso que se baseou num formato dinamarquês e que agora vai ser adaptado para a televisão portuguesa com o nome “O Contentor”.

A ideia passa por colocar uma família a viver debaixo do mesmo teto, só que sem roupa e com a casa vazia. Literalmente. O objetivo? Promover um estilo de vida menos consumista onde as coisas mais importantes da vida ganham um outro significado e relevância no dia a dia das pessoas envolvidas.

Para isso, todos os pertences dos concorrentes são colocados num contentor selado que só pode ser acedido depois de realizadas algumas tarefas e cumpridos certos desafios. É que apesar de estarem totalmente nus, isso não implica parar de viver e os participantes terão de continuar as suas vidas diárias. Sim, adivinhou, vão ter continuar a ir para o trabalho ou para a escola — só que, desta vez, sem roupa e sujeitos a todo o tipo de olhares e comentários.

Ainda não há data de estreia anunciada, mas a TVI já abriu os castings para a versão portuguesa do reality show e incentiva a inscreverem-se todos aqueles que queiram participar numa nova experiência social que promete ter tanto de insólito como de divertido.

No que toca ao programa norte-americano, que contribuiu para a popularidade do formato, sabe-se alguns detalhes que poderão dar uma ideia de como será esta adaptação e que deverá estrear primeiro do que “First Dates” — o novo programa de encontros às cegas apresentado por Fátima Lopes e Rúben Rua, cuja data de estreia estava prevista para depois do fim de “Pesadelo na Cozinha”.

O programa não é preparado ou ensaiado

Lá fora é assim: não há guião e nenhum dos participantes é ator contratado pela equipa de produção para tornar o programa mais interessante ou mais polémico. Dado o contexto insólito onde têm de aprender a viver, sem roupa e sujeitos ao escrutínio público, a reações acabam por ser naturais e até engraçadas, pelo que não há necessidade de haver ensaios. Tudo o que acontece é real, para o bem e para o mal.

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O que acontece é que, na versão norte-americana, os operadores de câmara muitas vezes interagem com os participantes em direto para os fazer desenvolver mais os seus sentimentos em situações de stresse ou alta tensão — como quando têm de enfrentar os vizinhos, ou sair à rua totalmente nus.

Os participantes ficam sem nada — mas não é assim tão mau

Apesar de os participantes do programa ficarem sem as suas roupas ou alguns dos objetos que consideram ser essenciais, a produtora disponibiliza papel higiénico, comida e água sempre que for necessário. E embora estes tenham acesso ao contentor onde estão selados os seus pertences, e de onde só podem retirar apenas um artigo por desafio, as famílias dos participantes podem comprar-lhes comida extra ou pagar outro tipo de serviços sempre que necessário.

Não há um prémio final

Ainda que os concorrentes se sujeitem a situações embaraçosas e até de algum stresse emocional, a verdade é que, apesar dos desafios durante o programa, não há um prémio final para aqueles mais destemidos ou corajosos. A explicação é simples: não se trata de uma competição, mas sim de uma viagem de descoberta pessoal e introspeção em que o corpo assume o foco principal.

Os concorrentes têm de andar meio quilómetro até ao contentor dos pertences

Além de terem de andar na escola, na faculdade ou no trabalho completamente nus, há mais um momento onde têm de assumir a nudez e tentar vencer a vergonha. É que o contentor com os seus pertences pessoais está colocado a um quilómetro e meio da casa onde vivem — o que significa ter de enfrentar os vizinhos e sujeitar-se a mais exposição.

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Mas o programa também promove a criatividade. Exemplo disso aconteceu num dos episódios do formato norte-americano, onde dois participantes usaram folhas de árvores para se cobrirem durante os seus passeios matinais pelo bairro.

O desafio dura 21 dias

Na versão norte-americana, o desafio tem uma duração total de 21 dias e até agora não se conhece nenhuma desistência ou polémica. A explicação pode estar não só no facto de se permitir o acesso ao contentor dos pertences uma vez por dia, mas também na ideia de promover uma reflexão sobre o corpo através de uma experiência social nova e libertadora.