Até à descoberta da penicilina ou até do viagra passou-se por muita coisa, nasceram muitas histórias, algumas verdadeiramente incríveis ou surpreendentes. Ainda por cima, tanto uma como o outro surgiram de acasos, acidentes que correram bem.

A companhia que desenvolveu o viagra queria encontrar um fármaco que ajudasse no estreitamento das veias e artérias que levam o sangue ao coração. O resultado foi conseguido, de facto, já que havia um maior fluxo sanguíneo, mas no sítio errado.

Já Alexander Fleming, depois de várias tentativas de descobrir a forma de eliminar as bactérias das feridas, decidiu tirar umas férias. E foi então que as respostas apareceram. Depois de regressar dos dias de descanso, Fleming reparou que as culturas que deixou em cima da bancada, por esquecimento, ganharam um bolor que depois de examinadas, o levaram a concluir ser capaz de eliminar diversas bactérias. Há muitas teorias sobre este assunto, incluindo a de uma janela aberta que permitiu que o bolor se formasse, de qualquer das formas, não passou tudo de um acaso.

Estas descobertas são pequenos exemplos de factos e curiosidades do novo livro de Paulo Ferreira,”Miscelânea de factos essenciais e curiosidades inúteis do Senhor Lubbock”, editado pela Objectiva, que compila conhecimento útil e inútil, como o próprio autor define, de diversas áreas.

O livro de Paulo Ferreira já está à venda e custa 16,30€

A MAGG reuniu 20 desses factos para que possa aprender e rir com algumas descobertas engraçadas e outras realmente estranhas.

1. “Hitler entre caipirinhas, havaianas e a dançar o samba”

“Assim se crê, pelo menos — quer dizer, mais ou menos. Segundo um livro especulativo da autoria de Simoni Renée Guerreiro Dias, Adolf Hitler não se terá suicidado num bunker, mas, sim, passado o resto dos seus dias na América Latina, entre o Paraguai, a Argentina e o Brasil. Segundo o “estudo”, o ditador terá morrido aos 95 anos, no Brasil, em Nossa Senhora do Livramento, a 42 quilómetros de Cuiabá, no estado do Mato Grosso. Para adensar o mistério, Simoni garante que Adolf Hitler terá tido uma namorada negra e gerado descendência. Já agora, também há quem garanta que Jim Morrison não terá morrido em Paris aos 27 anos, mas emigrado para as Seychelles. E quem ainda continue a ver Elvis no elevador.”

2. “Falsas partidas entre Londres e Liverpool”

Não haverá indústria (criativa ou não) que não tenha cometido um erro histórico do género. No primeiro dia de 1962, o azar (ou distração) tomou conta da londrina Decca Records Company. Quinze canções não terão sido suficientes para os responsáveis da editora arriscarem e deixarem passar um grande êxito ao lado. O nome da banda? The Beatles. A editora optou por apostar as fichas noutro grupo que também fez uma audição naquele dia e, décadas depois, um dos argumentos ainda deve causar muita dor de cabeça: a outra banda era de Londres, os Beatles não, e todos acharam que, por questões práticas, seria mais fácil trabalhar com uma banda local do que com uns fabulosos quatro de Liverpool (na altura ainda não contavam com Ringo Starr). Contudo, a versão oficial, defendida por Dick Rowe, responsável pela editora, seria que grupos com guitarras caminhavam em linha descendente. Pois. Explique-se que o calvário de recusas não ficou por aí e outras editoras decidiram não avançar. Foi a Parlaphone Records a finalmente ver a estrela que brilharia mais tarde. O resto é história. Aquelas gravações ficariam conhecidas por Decca Tapes, lançadas em 1982.”

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3. “Ações da Apple, não, obrigado”

“O nome talvez não lhe diga grande coisa, o que não deixa de demonstrar o erro cometido por este empreendedor norte-americano. Falamos de Robert Wayne, que, com Steve Jobs e Steve Wosniak, fundou a empresa que revolucionaria o mundo dos computadores, da música, dos telemóveis, dos sistemas operativos, e a forma como nos relacionamos com o digital, consolidando novas categorias de produtos (como o tablet) e o que mais ainda está para vir. Wayne vendeu a sua quota na Apple pela pechincha de 800 dólares, bem no início da empresa. A mesma empresa que em 2017 apresentava uma valorização próxima dos 800 mil milhões de dólares.”

4. “A Costela em falta de Marilyn Manson”

“A imprensa especializada e a de mexericos têm alimentado o caso: Marilyn Manson (o nome artístico de Brian Hugh Warner tem origem nas figuras de Marilyn Monroe e Charles Manson) teria tirado uma costela para poder fazer autofelação. A história é boa e, dado o tom provocatório do artista, facilmente ganhou raízes. Mas tudo indica que não é verdadeira. Se alguma vez o cantor procedeu à autofelação, isso não se deve a qualquer extração da costela.”

5. “O (não?) serviço militar de George W. Bush”

“Em 2004, quando a CBS afirmou que estaria na posse de documentos que provavam que George W. Bush não tinha terminado o serviço militar, o presidente em exercício encontrava-se em plena campanha eleitoral contra o democrata John Kerry. Os defensores de Bush, que por aquela altura já metera os Estados Unidos em diversos conflitos militares, foram céleres a negar a denúncia, acusando o jornalista Dan Rather (que perderia o emprego por este caso) de ser descuidado. No entanto, a estocada final seria dada, não pelos spin doctors republicanos, mas pela sabedoria das multidões: demonstrou-se que os documentos teriam de ser forjados, pois a fonte em que estavam inscritos era gerada pelo Word, o processador de texto da Microsoft. Ora, na altura em que Bush fizera o serviço militar, em inícios da década de 1970, ainda não existia tal tecnologia.”

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6. “Cerveja e fraldas”

“Por que motivo a famosa cadeia de supermercados Walmart passou a dispor cerveja junto às fraldas? Porque, de cada vez que a mãe pedia ao pai que fosse ao supermercado comprar fraldas, o homem achava por bem remunerar-se emocionalmente pelo esforço e levar consigo cerveja. A Walmart, no fundo, e na voz do povo, limitou-se a juntar a fome à vontade de comer. Ou beber, vá.”

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7. “Falhar melhor”

“É difícil imaginar um mundo sem a Amazon. Pensamos numa coisa e a probabilidade de existir na loja virtual de Jeff Bezos é elevada. O gigante do comércio eletrónico que pôs aquele homem no topo dos mais ricos do mundo, contudo, não teve um início fácil, pelo que terá sido necessário acreditar muito e com muita força. Nos primeiros cinco anos de atividade, a Amazon perdeu 2,9 mil milhões de dólares. Os lucros, que ao dia em que escrevemos são astronómicos, só chegariam em 2001…”

8. “Sting Stalking”

“Se por acaso já sussurrou ou lhe sussurraram ao ouvido os versos de “Every Breath You Take” (1983), dos Police, saiba que pode ter havido um erro de cálculo, ainda que inadvertido. Contrariamente ao que a cultura popular parece ter consagrado, na verdade a música relata um episódio de stalking— cada suspiro, cada elo quebrado, cada passo, cada movimento, o narrador vigia a outra parte (“Oh can’t you see/ You belong to me”). Por isso, da próxima vez que ouvir a música entoada num qualquer casamento, pense que é bom que os noivos não estejam a par das intenções de Sting quando compôs o hit. Ou chame a polícia.”

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9. “Albert Einstein, presidente de Israel”

“Não aconteceu, mas podia, pois o convite surgiu mesmo. Após a morte do primeiro presidente do Estado de Israel, em Novembro de 1952, o convite foi endereçado a Einstein. Ao início, tanto ele como os mais próximos se riram da situação, mas, quando recebeu o telegrama de Abba Eban, embaixador de Israel em Washington, indicando que enviaria um funcionário para falar com ele, percebeu que não era piada. Einstein nunca teve intenção de dar outra resposta que não uma negativa, mas o dito funcionário apareceu. Apesar de Einstein se declarar “profundamente comovido”, recusou, entre outras razões por não se considerar talhado para ser figura de Estado nem ornamento.”

10. “Estocolmo”

“A síndrome de Estocolmo (Stockholmssyndromet, em sueco) descreve uma condição em que a vítima sente simpatia pelo agressor. O nome vem justamente do roubo a um banco naquela cidade sueca, em Agosto de 1973. Reféns durante seis dias, os três homens e uma mulher ficaram sentimentalmente unidos ao agressor. No fim do sequestro, a despedida entre reféns e sequestradores fez-se entre abraços sentidos.”

11. “A Torre Eiffel é gira, mas uma guilhotina também não ficava mal”

“Na Exposição Mundial de Paris de 1889, a organização recebeu centenas de propostas para a criação de uma peça icónica que marcasse indelevelmente o evento. A escolha recairia em Gustave Eiffel e na sua torre (que, já agora, foi arrasada no espaço público pelos contemporâneos), mas nunca é de mais lembrar que entre as muitas propostas havia uma guilhotina em metal com cerca de 275 metros, que pretendia exaltar os feitos dos franceses para a grande causa da decapitação.”

12. “Salazar, esse grande estilista”

“Num país com centenas de quilómetros de fronteira líquida, obedecendo ao jeito de qualquer boa ditadura que gosta de ter tudo bem controladinho, os fatos-de-banho que homens e mulheres levavam para a praia não eram exceção. Por isso mesmo, os das senhoras tinham de ser inteiros, justos à perna, cobrir a parte anterior do tronco e ter um decote sóbrio para não “descobrir os seios”. As costas podiam ser decotadas, mas as cavas tinham de ser cingidas às axilas. Já os homens podiam usar fato inteiro, de “camisola e calção ou só de calção”, desde que fossem de corte direito, justos, “com reforço interno na parte da frente”. E muita atenção às transparências e à elasticidade do tecido. Isto tudo evitava uma multa de 30 a 5000 escudos.”

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13. “LLANFAIRPWLLGWYNGYLL-GOGERYCHWYRNDRO-BWLLLLANTYSILIOGOGOGOCH”

“Localizada no País de Gales, e com 58 letras (51 no alfabeto galês), Llanfairpwllgwyngyllgo-gerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch é o topónimo mais comprido do mundo. Agora tente repetir. Nós esperamos.”

14. “A invenção do papelinho amarelo com cola”

“Só foi comercializado em 1980, mas a história do post-it remonta a 1968, quando Spencer Silver, a trabalhar na 3M, inventou uma cola muito fraca que de pouco ou nada servia. Paralelamente, um colega religioso que atuava no coro da igreja, Arthur Fry, costumava usar pedaços de papel para marcar os cânticos. Com a constante queda dos papéis, somou um mais um e recuperou a invenção de Silver. Estávamos em 1974, a seis anos do lançamento do artigo que poucos escritórios e casas se escusam de ter.”