Podiam dizer que estamos a falar de bacalhau porque, quer queiramos quer não, estamos quase no Natal.

É verdade que a época pede que se redescubram receitas, se fale de preços e se debata qual a melhor forma de salgar, demolhar e cozinhar o peixe que protagoniza a festa, mas a verdade é que Portugal gosta de bacalhau o ano inteiro.

Somos os maiores consumidores do mundo. São 65 mil toneladas deste peixe por ano. Sim, é isso mesmo, cada português come em média 6,5 quilos de bacalhau todos os anos.

E é que além de sermos todos estrelas Michelin da cozinha quando o assunto é bacalhau, ainda por cima dominamos um produto que, além de poder ser cozinhado de mil maneiras diferentes, é saudável.

Lillian Barros, Mariana Abecassis e Ágata Roquete foram as três nutricionistas desafiadas a criar pratos, todos com o bacalhau como protagonista

É um peixe magro, com cerca de 80 kcal por cada 100 gramas, e é até indicado para atletas, devido ao seu alto teor proteico (mais de 20 gramas de proteína por cada 100 gramas de peixe).

E já que se fala nesta vertente saudável, a Riberalves decidiu desafiar três nutricionistas a criar três formas diferentes de comer este peixe. Assim, em vez de mil maneiras de o fazer, Portugal passa a ter mil e três receitas para apresentar ao mundo.

Lillian Barros, Ágata Roquete a Mariana Abecassis foram as escolhidas e é vê-las na Academia do Bacalhau, paredes meias com a fábrica, a dominar o produto que, apesar de lhes ter chegado às mãos já pronto a cozinhar, é fruto de um processo que começa a muitos milhares de quilómetros, nos mares da Rússia, Islândia ou Noruega.

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O bacalhau chega à fábrica e, logo no início da linha de montagem, é limpo e escalado ganhando assim a forma a que estamos habituados a vê-lo. Depois passa pelo processo de cura, ou seja, é posto em sal por um tempo mínimo de cinco meses até um ano.

O sal em excesso é retirado numa lavagem e posto em câmaras com atmosfera controlada para o processo de secagem. A seguir é cortado nas mais variadas formas: posta alta, posta fina, lombos, para caldeirada ou desfiado. Há até cortes especiais feitos a pedido de restaurantes que trabalham com a marca.

Depois disso é demolhado — poupando o consumidor daquele trabalho de pensar com três dias de antecedência que o jantar vai ser bacalhau — ultracongelado e embalado para consumo.

Ceviche, ovos escalfados com lascas de bacalhau e bacalhau à Brás sem fritos são as três propostas saudáveis e na cozinha da fábrica, a coisa está compor-se.

Mariana prepara os ovos, Ágata corta a batata doce o mais fino possível para depois levar ao forno — “Neste bacalhau à Brás não há batata palha”, garante — e Lillian corta o bacalhau em cubos para o ceviche. “É a minha forma de aportuguesar um prato internacional e que ainda por cima, como leva poucos ingredientes, é super natural e fresco”.

E como a internet ainda não permite levar cheiros nem sabores, aqui ficam as receitas:

Bacalhau à Brás, de Ágata Roquete

Bacalhau à Brás com batata doce no forno

1 posta de bacalhau
1 batata-doce grande ou 2 médias
2 ovos
1 cebola grande ou 2 médias
2 dentes de alho
Salsa
Espinafres
Azeite
Sal e pimenta
Azeitonas (opcional)

Cortar a batata-doce em palitos, temperar com sal q.b. e levar ao forno durante 20-25 minutos até corarem e cozer ligeiramente a posta de bacalhau e os espinafres. Enquanto as batatas estão no forno refogue cebola e alho em azeite.
Junte todos os ingredientes na frigideira misturando-os . Bata dois ovos e tempere-os com pimenta . Verta-os por cima de todos os ingredientes , espere que cozinhem e está pronto.
Junte umas folhas de salsa e azeitonas para decorar (opcional).

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Ovos escalfados em cama de espinafre e lascas de bacalhau, de Mariana Abecassis

Ovos escalfados em cama de espinafre e lascas de bacalhau

6 ovos
2 lombos de bacalhau pronto a cozinhar riberalves
2 embalagens de espinafres frescos baby
6 dentes de alho
azeite

Numa panela com água a ferver, cozer os lombos de bacalhau cerca de 7-8 minutos. Depois de cozido, desfiar e armazenar.
Descascar e cortar os alhos e deitar numa frigideira com um fio de azeite.  Aquecer levemente e juntar as folhas de espinafre, temperando com sal. Cozinhar as folhas de espinafre, sem deixar amolecer totalmente.
Numa tacinha partir os ovos individualmente, sem deixar quebrar o ovo.
Numa panela deitar cerca de 250 ml de água e aquecer até quase ferver. Antes de levantar fervura deitar o ovo cuidadosamente de forma a não desfazer e a não espalhar. Deixar o ovo cozer cerca de 4 minutos. Retirar cuidadosamente o ovo e repetir o procedimento para cada ovo.
No final, numa travessa, deitar os espinafres com as lascas de bacalhau e por cima dispor os ovos Benedict.

Ceviche de bacalhau, de Lillian Barros

Ceviche de bacalhau com manga e maracujá

Azeite q.b.
Coentros picados q.b.
1 maracujá
½alho francês (parte branca) ou ¼de cebola roxa
1 lombo de bacalhau demolhado pronto a cozinhar
½ manga madura
Sumo de 2 limas ou 1 limão
Pimenta preta

Cortar o lombo de bacalhau em pequenos cubos para um recipiente. Picar o alho francês ou a cebola roxa e juntar ao bacalhau. Adicionar os coentros, a pimenta, a polpa do maracujá e o sumo cítrico. Temperar com azeite e no final adicionar a manga. Misturar e está pronto a servir bem fresco.