Marina e Carina representam o bairro nas Marchas Populares de Lisboa há mais de vinte anos, administram uma página de Facebook dedicada aos simpatizantes da marcha e são elas que lhe dizem onde deve ir se quer realmente conhecer um dos bairros mais típicos da capital.

É que, provavelmente, se optasse por um guia daqueles que estão nas prateleiras das livrarias, ficaria sem saber que o Lucindas, um restaurante de petiscos, já foi uma antiga mercearia e o nome foi dado pelas netas em homenagem à Avó Lucinda.

É possível também que não incluísse no seu passeio uma visita à retrosaria Bijou, na Rua da Conceição, que vende botões, lãs, bordados e missangas desde 1915 e onde é possível encontrar uma caixa registadora desses tempos ainda a funcionar. Este ponto turístico é uma das propostas de Helena Aguiar, uma apaixonada por artes que criou o grupo de facebook Conta-me histórias, Lisboa.

Todas estas sugestões são feitas por quem sabe e foram agora compiladas pelo Facebook num guia em que quem manda são os grupos, ou comunidades, da rede social.

A iniciativa nasceu em Sevilha e Lisboa foi a segunda cidade escolhida pelo Facebook para desenvolver este trabalho que envolve os membros das comunidades ligadas à cidade. “Os lisboetas são apaixonados por Lisboa e isso nota-se muito bem nos grupos que gerem no Facebook”, refere à MAGG a diretora de comunicação da rede social na Península Ibérica.

O guia, em formato impresso (gratuito) e online, está dividido entre duas Lisboas, a tradicional e a trendy, apresentando a cidade pelos olhos das próprias comunidades de Facebook, que selecionaram como e onde percorrer a cidade. Há propostas de sítios para comer, para ir correr, para ver arte de rua e até para ver espetáculos de música ao vivo.

Os petiscos mais típicos são sugeridos pelo grupo Restaurantes de Lisboa, mas também há um guia vegetariano feito pelo Veggie Friendly Portugal. O roteiro de bares é do Lisboa Secreta e os melhores graffitis da cidade foram selecionados pelos membros da comunidade Lisbon-Street Art.

“Não há aqui bacalhau ou pastéis de nata, no sentido em que não é um guia feito para turistas. No entanto, pode ser utilizado por turistas que queiram descobrir a cidade de uma forma diferente”, explica a responsável.

Ao todo, são 25 comunidades da rede social a completar o guia que, em versão impressa, para já, se pode encontrar no Lisbon Story Centre, na Praça do Comércio.