O Vicks Vaporub é um medicamento bem conhecido no alívio da congestão das vias respiratórias — quem não se lembra de entrar na cama depois de os pais esfregarem a pomada no pescoço, peito e costas, e sentir que de repente já conseguem respirar. É exatamente esse o objetivo. No entanto, parece que há quem tenha descoberto uma (perigosa) nova utilização.

Foi através de fóruns e blogues que surgiu uma nova tendência: colocar Vicks Vaporub na vagina. Não sabemos exatamente quem foi a primeira pessoa a lembrar-se disto, mas rapidamente se difundiram online, em diversas plataformas e redes sociais, opiniões que garantiam que o medicamento é um ótimo estimulante sexual. Outros defenderam a sua utilização para assegurar a higiene vaginal, houve quem fosse ainda mais longe e jurasse que era um ótimo medicamento para prevenir infeções.

Não, o ponto G não existe

“Não se tratam de produtos desenhados para aplicação nas mucosas, pelo que podem ser irritantes para as mesmas”, explica o ginecologista Pedro Vieira Baptista. Mesmo alguns lubrificantes disponíveis comercialmente podem causar ardor e irritação, uma vez que podem ter um pH desadequado ou uma osmolaridade (nível de concentração dos componentes de diversas dissoluções) muito elevada.

“Para além do ardor/irritação, transitórios, há risco de desenvolvimento de alergias às substâncias do Vicks — especialmente se o uso for reiterado.”

Apesar de o risco de infeções ser apenas “teórico”, se houver uma irritação da pele e mucosas vaginais, a utilização do Vicks Vaporub “poderá aumentar o risco de transmissão/aquisição de infeções de transmissão sexual — nomeadamente de HPV” e ainda “propiciar o desequilíbrio da flora/microbioma” ao alterar o pH da vagina.

“Tudo isto é teórico; os riscos associados serão certamente superiores se o uso for repetido, comum. As maiores complicações serão as dermatológicas.”

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Mas o Vicks pode mesmo funcionar como um estimulante sexual?

“Teoricamente, a sua aplicação pode causar um formigueiro na região genital que, nalgumas mulheres poderá ser prazeroso”, explica o ginecologista. “Contudo, o mais provável é que o ardor e dor se sobreponham”.

Relativamente às questões de higiene, explica Pedro Vieira Baptista, “tal pura e simplesmente não é necessária”. Se se verificarem casos de cheiros indevidos ou corrimentos, a mulher deve imediatamente marcar consulta no ginecologista.

De resto, é manter os cuidados habituais. “Os sabões e sabonetes (formulações sólidas) são de evitar, dando-se preferência aos produtos em gel. O pH deve ser ligeiramente ácido, em qualquer fase da vida (contrariamente à crença de que na pós-menopausa e nas crianças o pH deve ser neutro ou alcalino).”