Depois de ser capa da Men’s Health, a MAGG foi falar com o chef para perceber como concilia os treinos com as viagens e com a cozinha.

Com 18 restaurantes espalhados um pouco por todo o País e cerca de 600 funcionários sob sua alçada, José Avillez é um homem que se divide entre as preocupações diárias do seu trabalho, as inúmeras viagens que faz e o amor que tem a novos desafios. O último foi o de treinar intensivamente para figurar na capa da revista portuguesa da “Men’s Health” onde, no meio de uma agenda quase sempre preenchida e muito complicada, encontrou tempo para intensificar as sessões de exercício físico que já fazia. Só que desta vez o objetivo era outro: ganhar massa muscular e definir a zona abdominal.

O convite, segundo conta à MAGG, surgiu porque Pedro Lucas, diretor da “Men’s Health” em Portugal, sabia que Avillez costumava treinar regularmente e até conhecia o seu personal trainer. “Eu e ele [Pedro Lucas] almoçámos juntos e a coisa proporcionou-se. Como sou uma pessoa de desafios, achei graça e aceitei”, continua.

Ainda assim, o chef diz que a preocupação com o corpo não vem de agora e que sempre a teve até como uma forma de manter o equilíbrio entre o corpo e a mente. “Fazer desporto ou ginástica era a maneira que eu encontrava para estar mais bem-disposto e conseguir lidar com todo o stresse que decorre do meu trabalho”, mas não tem dúvidas que só nos últimos anos é que começou a ter muito mais cuidado com a alimentação.

Mesmo que a minha semana seja feita só de asneiras, geralmente só me sinto pior.”

“Desta vez tinha objetivos mais definidos e em vez de treinar só duas vezes por semana, treinava muito mais. Chegava a estar cinco ou seis vezes por semana no ginásio, mas porque o objetivo era outro.” Quando questionado sobre como arranjava tempo para treinar com uma vida tão atarefada, o riso tomou conta da conversa. É que Avillez sabe que é difícil, mas o prometido é devido e se há coisa que o chef não falha é no combinado — é por isso que está todos os dias, entre as sete e as oito da manhã, no ginásio.

Dieta da maçã, leite, ananás. Porque é uma péssima ideia seguir estes planos alimentares

“Como sou uma pessoa de compromissos, disciplinava-me para me levantar da cama e ir para o ginásio com o Pedro Marques, que é o meu PT, mesmo que me sentisse muito cansado e só tivesse dormido quatro ou cinco horas. Se marcava com o Pedro, não dava para faltar.”

Faço asneiras mas não há um dia definido para isso [risos]

O mais difícil de todo o processo, conta à MAGG, foi arranjar força de vontade para deixar de estar tantas vezes em jejum e passar a comer mais vezes ao longo do dia. No entanto, durante a semana há dois dias em que Avillez faz um jejum intermitente para compensar “possíveis facadas” que vá dando à dieta — que apesar de não ser muito restrita, consiste numa alimentação à base de legumes, peixe e sopa ao passo que evita o álcool, os refrigerantes e o açúcar.

Treinar até no avião

“Faço asneiras mas não há um dia definido para isso [risos]. Às vezes faço asneiras dois dias seguidos, mas a minha tendência é para emagrecer ao contrário de outras pessoas que têm tendência para engordar. Mesmo que a minha semana seja feita só de asneiras, geralmente só me sinto pior. Acuso mais cansaço e tenho menos energia durante o dia, mas não muda nada no meu físico. Tenho sorte”, revela.

Mas se há uns anos o estereótipo do cozinheiro ou dos chefs de cozinha era o de serem gordos, para José Avillez isso hoje não faz sentido, mesmo que a sua profissão o obrigue a várias provas de comida durante o dia — o truque, defende, está em fazer a prova e não passar disso.  “Nós temos e podemos comer de tudo, desde que comedidamente. Mas reconheço que exista o estereótipo do cozinheiro como pessoa mais gorda, e muitos vão engordando à medida que vão envelhecendo. Tenho algumas T-shirts e aventais com a frase ‘never trust a skinny cook’ [‘nunca confies num cozinheiro magro’, em português], mas os tempos mudaram.”

E foi também por isso, e não apenas por gostar de desafios, que o chef aceitou o convite da “Men’s Health”. Não só para desconstruir o mito e o estereótipo em redor dos profissionais da área, mas também para mostrar a importância de se apostar numa alimentação mais saudável e, no processo, “inspirar outras pessoas que queiram seguir o mesmo exemplo.”

O que têm em comum as dietas que resultam em emagrecimento

Ainda assim, o chef não esquece os cachorros quentes que comia em Cascais e que adorava. Hoje, nem cachorros nem qualquer tipo de comida fast food visto que, por questões de saúde, restringiu da sua alimentação produtos que contenham glúten na sua composição. “Hoje em dia não como fast food até porque, infelizmente, deixei de comer pão de que tanto gosto. Mas gostava muito daquela casa de cachorros quentes que havia em Cascais e que agora até existe na Avenida da Liberdade, em Lisboa, mas que não recordo o nome.”

Custou muito habituar-me a comer mais vezes ao dia. Isso e conciliar os exercícios com todas as viagens que tinha de fazer, tanto que chegava a ter planos de treino que podia fazer no quarto do hotel ou até no avião”

Apesar de na cozinha se fazer exercício, garante que “é um exercício diferente”. Não é um exercício de cardio porque o coração não chega a disparar e também não é um exercício de hipertrofia porque nunca se puxam pesos suficientes, mas o chef garante que há “trabalhos mais sedentários”.

Contudo, e ainda que a atividade física sempre tenha feito parte da vida de José Avillez (que sempre fez corrida, ginástica e artes marciais), o mais complicado foi adaptar o plano de treinos à sua vida frenética.

“Custou muito habituar-me a comer mais vezes ao dia. Isso e conciliar os exercícios com todas as viagens que tinha de fazer, tanto que chegava a ter planos de treino que podia fazer no quarto do hotel ou até no avião, em pleno voo. Mas na cozinha também se exercita, ao ponto de as pernas e as costas doerem ao final de um dia inteiro de serviço.”

Cumprido o desafio, o chef escreveu na sua página oficial de Instagram que “agora era só manter” e é nisso que se tem empenhado arduamente.

Treina uma média de três horas por semana e diz que, ao contrário do que aconteceu anteriormente, onde descompensou e deixou de ter tempo para manter uma ligação ativa com o desporto, agora a atividade física “entra na agenda como uma coisa tão importante como a reunião de trabalho mais importante do dia”. Porém, passou a dar uma maior importância ao descanso porque também isso é fundamental para um estilo de vida saudável e equilibrado.