Depois de livros de sucesso como “Norwegian Wood” ou “Kafka à Beira-Mar”, chegou esta segunda-feira, 12 de novembro, a Portugal, um novo romance de Haruki Murakami. Falamos de “A Morte do Comendador”, onde é dada a conhecer a história de um pintor que, confrontado com a possibilidade de o seu casamento ter chegado ao fim, se muda para uma pequena província de Tóquio onde viverá sozinho.

É na casa nova, e vazia, que a personagem anónima descobre um quadro insólito que a conduz a uma sucessão de acontecimentos estranhos e inexplicáveis e que, no fundo, servem como fio condutor para toda a história. A pintura, de nome “A Morte do Comendador”, e que remete o leitor para a ópera Don Giovanni, de Mozart, serve de pretexto para que a personagem procure encontrar um significado para a sua vida através de metáforas.

Segundo a revista “Bustle”, o livro é “estranho, mordaz e belo”, muito devido à forma como explora “um mundo mágico onde a arte interage com tudo o resto”. Mas “A Morte do Comendador” prima por explorar duas realidades muito diferentes e distantes umas das outras: se por um lado é contada a história de um artista que vai aceitando o fim do seu casamento e a morte da irmã, por outro há um universo surreal e mágico tipicamente criado por Murakami nos seus livros.

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É que, a meio da história, a personagem principal começa a ouvir uma campainha a tocar no meio da floresta da província de Tóquio que, quando avistada, faz nascer um vilão gigante que protagonizou uma das suas pinturas. Ninguém sabe o que significa ou se é sequer real, mas pode muito bem ser a chave para perceber a vida da personagem que pautou toda o seu percurso por quadros e pinturas abstratas.

Apesar do tom manifestamente surrealista do livro, não demorou muito até que o romance estivesse envolvido em polémica. Publicado em 2017 na China, foi considerado indecente pelo Tribunal dos Artigos Obscenos de Hong Kong, depois de várias pessoas se terem sentido incomodadas com as cenas de sexo que eram descritas na história. Como consequência, o romance passou a ser distribuído no país embrulhado em novas capas com avisos legais na frente e no verso acerca do conteúdo obsceno que continha.

Além de não poder ser vendido em lojas, ou requisitado nas bibliotecas por menores de 18 anos, as crianças também não podem ser apanhadas a examinar o livro nas prateleiras sob pena de multa. A decisão provocou muita polémica e foi posta a circular uma petição, que conseguiu cerca de 1.800 assinaturas em poucas horas, com o objetivo de reverter a decisão — embora sem sucesso.

“A Morte do Comendador”, editado pela Casa das Letras em Portugal, vai contar com dois volumes. O primeiro, já disponível por 19,90€, conta com 408 páginas. O segundo volume ainda não tem data de lançamento anunciado, mas espera-se que seja lançado na primavera de 2019.