“Pesadelo na Cozinha”. O Alameda tem apenas 8 meses mas o negócio está “melhor do que nunca”

O dono do restaurante diz que foi a TVI que o convidou para o programa e que aceitou para apostar na qualidade e na promoção.

Fernando Rosa, 46 anos, está ligado à área da restauração e à da informática

MAGG

Ainda que a sinopse disponibilizada pela TVI mostrasse o Alameda, em Sines, como um espaço marcado por uma “ementa fraca, alimentos congelados e um proprietário difícil”, as críticas ao restaurante, quase todas elas positivas e disponíveis na internet, contavam uma história diferente. Os elogios por parte daqueles que visitavam o restaurante dividiam-se entre a qualidade da comida e do serviço e a simpatia dos funcionários, e não era raro ler que o restaurante tinha ficado ainda melhor depois da visita de Ljubomir Stanisic e da produção do “Pesadelo na Cozinha”.

Não foi difícil encontrar o restaurante, localizado mesmo à entrada de Sines e numa zona de grande movimento e comércio local. É que se os edifícios ao redor pautavam todos pelas mesmas cores neutras, como o branco, o cinzento ou o castanho claro já gasto, o Alameda mostrava-se com uma pintura nova e moderna de amarelo forte e branco.

A esplanada era composta por duas mesas e um letreiro que prometia novidades dentro do espaço com a frase “novo conceito — experimente os novos pratos”. Feito o convite, ao passar pela porta dissiparam-se todas as dúvidas: mais do que um restaurante renovado, o Alameda era um restaurante novo em que a atenção ao detalhe tinha como objetivo fazer quem ali entrasse sentir-se em casa.

O restaurante aposta numa decoração rústica em que a madeira do teto e das vigas que o suportam se mesclam numa espécie de simbiose perfeita com os candeeiros clássicos e as cores amarelas e brancas que são transportadas das paredes de fora para as de dentro — que antes estavam pintadas a verde e que agora estão preenchidas com molduras, utensílios de trabalho e lâmpadas.

O Alameda é amplo e conta com um balcão decorado com várias garrafas de vinho da Confraria de Santiago dos Perdigões e uma sala de refeições que tem espaço para cerca de 35 lugares sentados em que nenhuma mesa é individual.

Se tiver pressa, talvez não seja boa ideia escolher o arroz de cabidela. Vai demorar um bocadinho, mas vale a pena.”

Fernando Rosa, o proprietário, apresentou o restaurante e algumas das novidades que estavam prestes a chegar à cozinha, como uma nova opção de carnes maturadas que, garante, seriam “caras mas muito deliciosas”.

Escolhida a mesa, a carta sugeria o habitual couvert de pão, manteigas e azeitonas que antecedem alguns dos pratos disponíveis como arroz de cabidela (7,50€), bacalhau à brás (11,50€), picanha (16,50), bife à Ljubomir (15,50€), arroz de lingueirão (29€), massinha de corvina (25,59€) ou leitão à bairrada (15,50€) — a especialidade da casa que só está disponível durante as sextas-feiras, domingos ou por encomenda nos restantes dias da semana.

Ainda sem provar nada, ficava a certeza de que em comparação com outros participantes do “Pesadelo na Cozinha”, o Alameda apresentava uma carta com preços ligeiramente mais altos. Elevado foi também o tempo de espera (cerca de 30 minutos) entre a recolha do pedido pelo funcionário, sempre simpático e prestável, e a altura em que chegou à mesa da MAGG o arroz de cabidela e o Bife à Ljubomir. A ideia seria provar um prato mais tradicional e uma sugestão do chef aquando da sua passagem pelo restaurante. Mas antes disso, Fernando Rosa, o proprietário, deixara o alerta: “Se tiver pressa, talvez não seja boa ideia escolher o arroz de cabidela. Vai demorar um bocadinho, mas vale a pena.” Confiámos.

Apesar de o arroz de cabidela estar bem apurado e não muito avinagrado, foi o bife que nos conquistou. Além de tenro, macio e bem temperado, a mistura de sabores entre a carne, os legumes salteados e as migas foi o ponto mais importante de um prato que apesar de caro, tinha um toque de mistura entre o tradicional e o moderno. E foi quase como se Ljubomir tivesse adivinhado o sucesso desta opção — a julgar pela quantidade de clientes que compunham a sala e que pediam o bife para a refeição.

Terminada a refeição, apresentámo-nos como jornalistas, e conversámos com Fernando Rosa, proprietário e gerente, sobre os motivos que o tinham levado a participar no “Pesadelo na Cozinha”. Apesar do acordo de confidencialidade que assinou com a TVI, que o impedia de falar sobre as gravações e o programa, Fernando Rosa, 46 anos, não teve qualquer problema em contar a história do Alameda e de como, agora, concilia a área da informática com a da restauração.

Ele não me queria ceder o restaurante, talvez por eu ser informático e a minha profissão me obrigar a estar constantemente de um lado para o outro.”

O Alameda foi antes um alojamento local

“Esta casa era um alojamento dos trabalhadores da Rede Ferroviária Nacional até que o meu pai a conseguiu comprar e fez dela um restaurante”, mas diz o proprietário que o negócio não correu muito bem. Muito devido ao facto de o pai ter um outro restaurante em Porto Covo, bem mais rentável. Como consequência, o agora Alameda esteve fechado durante quatro anos mas não foi por falta de pressão de Fernando Rosa que, conta à MAGG, pediu sempre ao pai para que este lhe cedesse o espaço.

“Ele não me queria ceder o restaurante, talvez por eu ser informático e a minha profissão me obrigar a estar constantemente de um lado para o outro. Tudo mudou em janeiro deste ano, quando ele me passou a chave para as mãos e disse: ‘Podes abrir quando quiseres’.”

Ao início foi muito difícil gerir o negócio. Não por falta de experiência, que Fernando Rosa diz ter desde muito cedo porque sempre esteve ligado à área da restauração, mas sim porque nos primeiros meses ainda estavam a tentar perceber aquilo que as pessoas procuravam em Sines, numa zona onde há alguma concorrência mas que para Fernando não existe — é que ali, diz, o Alameda não é concorrente de ninguém, “é só diferente”.

O Alameda é uma casa muito especial porque tudo aquilo que eu sabia sobre restauração não se aplica aqui. O motivo é simples: os nossos clientes são muito exigentes.”

“Sempre estive ligado à área da restauração desde os 11 anos. Além dos restaurantes que o meu pai ia abrindo em Sines e em Porto Covo, quando comecei a trabalhar como técnico de informática especializei-me em soluções de gestão e registo de vendas para restaurantes, bares e cafés”, daí que aquilo que esteja hoje a viver com o Alameda não seja novo.

“As pessoas têm de perceber que as coisas para saírem perfeitas levam o seu tempo”

“O Alameda é uma casa muito especial porque tudo aquilo que eu sabia sobre restauração não se aplica aqui. O motivo é simples: os nossos clientes são muito exigentes, procuram sempre o melhor e nós vamos aprendendo com eles”, revela. Apesar de apenas contar com oito meses de existência, o proprietário garante que o negócio tem estado “melhor do que nunca, mas que há sempre espaço para melhorar ou minimizar alguns problemas.”

Um desses problemas é o tempo de espera que Fernando admite ser “um pouco elevado” mas que, continua, tem uma justificação muito simples: é que a filosofia do seu restaurante é a de satisfazer os clientes e garantir que regressam para uma próxima experiência — e para que as coisas saíam perfeitas é preciso tempo.

Eles é que me contactaram e eu aceitei porque queria apostar cada vez mais na qualidade, na procura do conhecimento e na promoção do restaurante.”

“As pessoas têm de perceber que as coisas para saírem perfeitas levam o seu tempo, e eu prefiro que a comida demore mais tempo a sair da cozinha mas que no final não existam reclamações”, mas nem por isso deixa os clientes na expetativa. Durante a visita da MAGG, Fernando Rosa foi várias vezes às mesas ocupadas explicar o ponto da situação ou justificar os atrasos (quando os havia). Diz que se orgulha desse contacto que vai mantendo com as pessoas que serve diariamente.

“Tentamos ao máximo explicar as coisas como elas são, mas nem sempre é fácil agradar a todos”, lamenta. Em última análise, Fernando Rosa classifica a experiência no “Pesadelo na Cozinha” como “muito positiva” e diz que a vontade de aprender e crescer é cada vez maior. E isso é notável pela quantidade de ideias e propostas de Ljubomir que Fernando manteve em vigor no restaurante depois da saída do chef.

Desde a decoração às opções na carta, toda a equipa do Alameda se mostrou muito recetiva aos ensinamentos do chef e garante o proprietário que nunca teve problema algum em “abrir a porta à TVI, visto que não tinha nada a esconder”. Porém, faz questão de esclarecer que nunca pediu ajuda à produção.

“Eles é que me contactaram e eu aceitei porque queria apostar cada vez mais na qualidade, na procura do conhecimento e na promoção do restaurante. Faria tudo outra vez”, garante.

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