Web Summit. Uma pessoa que vale mesmo a pena conhecer: André Pires

Depois de cinco anos como freelancer, André criou o primeiro serviço que liga clientes e trabalhadores através de inteligência artificial.

O fundador da Workifyme trabalhou durante cinco anos como freelancer e diz que é um regime de trabalho "injusto e insustentável"

Samuel Costa/MAGG

Ao longo dos quatro dias da Web Summit, a MAGG procurou pessoas com histórias inspiradoras que tivessem como objetivo não só dar a conhecer os seus projetos, mas também crescer como profissionais através da exposição e do debate de ideias. Encontrámos o português André Pires, 30 anos, que em 2017 criou a Workifyme — a primeira plataforma a nível global que liga freelancers a possíveis clientes em todo o mundo através da inteligência artificial. O objetivo é o de acabar com o desemprego, democratizar o mercado e reduzir o tempo de espera entre trabalhos ao permitir um contacto direto e imediato entre ambas as partes.

A ideia, conta à MAGG, surgiu depois de se ter formado em Gestão Hoteleira no antigo ISLA (hoje Universidade Europeia), em Lisboa e não ter conseguido encontrar oportunidades de trabalho que fossem ao encontro daquilo que procurava. Terá sido aí que André Pires decidiu trabalhar durante cinco anos em regime de freelancing nas áreas de programação e marketing digital, mas não tem dúvidas que é um tipo de trabalho “muito injusto e insustentável.”

“Há milhares de pessoas a trabalhar nesta área todos os dias, a dar o litro, e o tempo que se demora até conseguir alguma notoriedade ou até mesmo a conseguir um trabalho fixo que seja suficiente para ter uma vida estável é demasiado”, revela o fundador da Workifyme que não tem medo de descrever e associar a sua start-up a uma causa nobre como a ideia de querer eliminar ou reduzir o desemprego.

“Prevê-se que, até 2020, exista uma diminuição acentuada da população ativa visto que a população mundial está a aumentar ao passo que os empregos vão escasseando”, e é nessa realidade que a plataforma pretende atuar. É que além de facilitar um contacto entre clientes e trabalhadores (que demora apenas uma hora com a Workifyme, ao contrário das 48 horas tradicionais), o serviço elimina ainda a possibilidade de avaliar trabalhadores que, continua, “só prejudica o freelancer” e que prejudicou André Pires variadíssimas vezes.

“Se eu cobrasse um determinado valor por um serviço e no outro lado do mundo, um trabalho semelhante custasse menos cinco dólares era garantido que não conseguiria competir e iria ficar a perder”, o que, aliado a uma crítica negativa, iria afastar cada vez mais e novos potenciais clientes.

A Workifyme chega já em meados de janeiro e é a primeira a nível global a usar inteligência artifical

Samuel Costa/MAGG

Não é por acaso que, apesar de existirem cerca de 56 milhões de freelancers ativos atualmente, muitos decidem adotar este modelo de trabalho por um misto de “paixão e desespero”. É que um freelancer, segundo o empreendedor, é alguém que prefere estipular os seus horários e ter alguma independência mas isso vem com alguns contras — como o facto de, muitas vezes, obrigar “a pessoa a perder o seu valor e a sua identidade” quando o trabalho pedido vai de encontro àquilo em que acredita.

O motivo, para André Pires, é só um: o desespero. “O desespero é tão grande que o trabalhador acaba por aceitar porque precisa daquilo para sobreviver”, e é isso que a sua plataforma vem (tentar) mudar.

“A Wokifyme vem oferecer não só uma melhor qualidade de vida e de trabalho através da redução do tempo de espera e do sistema de críticas, mas criar um modelo sustentável onde as pessoas possam viver e não apenas sobreviver”, até mesmo aquelas que nunca tenham trabalhado neste regime. É que a plataforma pretende conhecer, formar e apoiar gratuitamente todas as pessoas que, a certa altura das suas vidas, decidam adotar este tipo de método de trabalho.

A Workifyme enquanto produto final chega já no final de janeiro, garante o CEO, e de momento só está a aceitar registos de freelancers numa comunidade semelhante à de uma rede social. O objetivo passa pelo contacto direto entre utilizadores para que se possam conhecer, trocar ideias ou até sugerir melhorias ao sistema que os vai “credibilizar e apoiar.”

Mas como funciona?

Depois do registo no site da plataforma, o utilizador terá um perfil associado onde poderá estabelecer a sua área de trabalho para aceitar serviços e propostas dos clientes. Estes, por sua vez, poderão sempre requisitar um trabalhador através de um assistente virtual que permitirá ter uma conversa básica, mas que será suficiente para analisar as suas necessidades e o tipo de trabalho que pretende ver realizado.

O algoritmo do sistema, atento aos requisitos do cliente, analisará todos os candidatos com base no seu perfil, geolocalização e áreas de interesse. O contacto, diz o CEO, “é garantido em apenas uma hora e promete criar experiências e soluções de trabalho saudáveis, igualitárias e justas.”

Texto de Fábio Martins, fotografia de Samuel Costa.
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