“Bohemian Rhapsody”. Entreguem já o Óscar a Rami Malek

O filme dos Queen era dos mais antecipados do ano, mas tem sofrido duras críticas — eu digo que o devem ver o mais rápido possível.

Rami Malek interpreta Freddie Mercury em "Bohemian Rhapsody"

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Sou fã dos Queen e do fabuloso Freddie Mercury desde que ouvi os primeiros acordes do álbum “A Night at the Opera” no carro do meu pai. Ao longo dos anos, fui ficando cada vez mais aficionada e nada nem ninguém me tira da ideia que “Bohemian Rhapsody” é a melhor música alguma vez feita — por esta e por outras razões, eu era uma das muitas pessoas ansiosas pela estreia do filme com o mesmo nome de um dos maiores êxitos dos Queen.

Assim que a longa-metragem “Bohemian Rhapsody” chegou às salas de cinema — a estreia mundial aconteceu em Londres a 23 de outubro, e em Portugal no dia 31 —, as críticas não se fizeram esperar. O filme tem sofrido duras avaliações (no Rotten Tomatoes, por exemplo, a nota crítica é apenas de 60%, embora a avaliação do público chegue aos 94%), com os críticos a arrasarem o filme.

Os erros históricos (nomeadamente quanto às datas de criação das músicas e visuais do próprio Freddie), o tom leve do filme quanto à orientação sexual de Mercury e a pouca densidade da grande maioria das personagens são as questões mais evidenciadas nas críticas ao filme e até mesmo a interpretação de Rami Malek como o vocalista dos Queen é abordada, com alguns cronistas a acusarem o ator norte-americano de não absorver a alma do cantor inglês e a oferecer um desempenho mecânico.

Com todo o respeito pelos críticos, já aprendi há algum tempo que um filme com avaliações negativas por parte deste setor não é sinónimo de o mesmo não ser bom. Por vezes a crítica negativa era mais que justificada, noutras ocasiões não consigo perceber o porquê daquela película ser arrasada. E como gostos não se discutem, reservei os bilhetes e lá fui eu aproveitar o feriado para ver “Bohemian Rhapsody”.

Saí da sala de cinema com a sensação de que tinha sido atropelada por um camião TIR de emoções, no bom sentido. Ri, chorei, arrepiei-me com as músicas que tanto gosto e, acima de tudo, rendi-me a Rami Malek e à sua intepretação extraordinária de Freddie Mercury. “Alguém dê o Óscar ao homem”, disse imediatamente ao meu marido assim que saímos da sala, que apesar de ser uma pessoa muito mais contida do que eu, estava completamente de acordo e também ele conquistado pela prestação do protagonista de “Mr.Robot”.

O filme, num todo, é uma obra-prima do cinema? Não, não é. É certo que alguns erros históricos estão lá, que existem muitas personagens que podiam ter sido mais exploradas e também é verdade que todo o filme passa num ritmo muito rápido. Mas, na minha singela opinião, não há mal nenhum nisso.

Quem quer ver relatos mais que fiéis e precisos, vê documentários — aliás, toda esta indignação com as imprecisões de “Bohemian Rhapsody” recorda-me tudo o que se passou com as duas primeiras temporadas de “Narcos”, quando meio mundo não conseguiu diferenciar uma produção inspirada em factos reais de um documentário da vida de Pablo Escobar.

O filme foca-se na formação da banda mas, sem surpresas, muito mais em Freddie Mercury. E o tom leve e rápido tão criticado por uns, justifica-se pela necessidade de entreter os espetadores e arranjar espaço para a música, e para a incrível recriação de um dos concertos mais épicos dos Queen, a atuação no Live Aid — e é justamente aqui que volto a discordar fortemente das avaliações de alguns cronistas e críticos.

Até chegarmos à reta final do filme, eu já estava rendida a Rami Malek que, a meu ver, tinha captado muitos dos trejeitos de Freddie Mercury e apresentava um sotaque irrepreensível. Mas quando a cena do Live Aid começa a passar na sala de cinema, o ator norte-americano ganhou-me por completo — aos primeiros acordes de “Bohemian Rhapsody” ao piano (a voz é sempre de Freddie Mercury), Rami Malek interpreta a música com tal emoção que eu própria não consegui conter as minhas e dei início ao festival de choro. Outros cronistas consideraram exatamente a mesma cena um momento pobre mas, para mim, este é o verdadeiro momento-chave do filme e da interpretação de Malek. Mas lá está, gostos não se discutem.

Ainda no dia em que vi o filme, publiquei no meu Instagram uma foto a elogiar o mesmo e recebi imensas mensagens de amigos à volta do mesmo tema: “Eu tinha curiosidade em ver, mas já li tanta coisa má” foi uma das que recebi, sendo as outras semelhantes. E é essa a verdadeira razão desta minha crónica — não deixem de ver o filme apenas porque a massa crítica o condena. Podem acabar por concordar com as avaliações negativas, podem sair da sala com o mesmo sentimento positivo que eu mas, acima de tudo, deem uma oportunidade ao filme, principalmente se são fãs de Queen ou se já tinham vontade de o ver.

Quanto a Rami Malek e ao Óscar, eu cá não preciso de ver mais nada — entreguem-lhe já a estatueta e não pensem mais nisso. Caso o ator não suba ao palco do Dolby Theather para receber o galardão, das duas uma: ou estamos perante uma injustiça incrível ou aconteceu algo de extraordinário para existirem prestações que o superem.

Em relação ao filme, não acho que este mereça a distinção de Melhor Filme, mas também não seria o fim do mundo — afinal, não nos podemos esquecer que “A Forma da Água” ganhou no ano passado.

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