“Pesadelo na Cozinha”. Tudo o que aconteceu no Ninho dos Sabores

Houve 39 palavrões e os habituais gritos e choros, mas está longe de ser o restaurante mais problemático socorrido pelo programa da TVI.

O valor cobrado pelos pratos do dia, e sobretudo pelo serviço de take-away, foi o que mais perturbou o chef

Carla Oliveira

Já percebemos qual é o ponto fraco de Ljubomir Stanisic. O chef do Bistro 100 Maneiras entra em ebulição rapidamente, mas nada o tira mais do sério do que a ausência de respostas. Foi um dos pontos que mais conflito criou no episódio de “Pesadelo na Cozinha“, transmitido este domingo, 4 de novembro — que desta vez levou-nos a Braga, ao restaurante Ninho dos Sabores.

Vamos à equipa. Bruno Martinho foi quem pediu socorro ao chef mais temido da televisão portuguesa. É o proprietário e quem comanda a sala de refeições, com a ajuda de Ana e Fernando, dois miúdos. A cozinheira é Susana, a cunhada do dono, com quem também partilha casa. Fátima, uma senhora com 20 anos de experiência em cozinha, é quem a ajuda.

Nem de perto, nem de longe, será o estabelecimento mais necessitado de ajuda, tendo em conta todos aqueles que já apareceram no programa. O valor cobrado pelos pratos do dia, e sobretudo pelo serviço de take-away, foi o que mais perturbou o chef. Ljubomir Stanisic chega a dizer que, se os preços não sobem, aquela casa não aguenta muito mais tempo de portas abertas, porque é impossível ter lucro assim.

O pior do restaurante

Há dois aspetos principais. O preço dos pratos do dia e do take-away são excessivamente baratos. Por outro lado, a ausência de comunicação na cozinha foi o que mais irritou o chef e o que mais drama gerou neste episódio. Susana (que funciona muito mal sobre pressão) e Fátima parecem nunca comunicar uma com a outra e foram várias as situações em que Ljubomir Stanisic falou com a parede (literalmente, até chegou a fazer um desenho, a que chamou Júlia), porque ninguém lhe respondia ou se interessava por aquilo que ele lhes ensinava.

O melhor do restaurante

A organização da sala, comandada por Bruno, com a ajuda de Ana e Fernando, não pareceu ter muitas falhas, ainda que houvesse uma ou outra confusão com os pedidos.

De quem é que gostámos mais

Fátima é a ajudante de cozinha de Susana, apesar de trabalhar apenas meio dia. Gostámos logo dela, mas a empatia cresceu assim que, na cozinha, sem medos, perguntou quem é que tratava do puré, mesmo com as operações a cargo do chef. O facto de ter chorado por Susana, depois de a primeira noite com Ljubomir Stanisic na cozinha não ter corrido bem, é um indicador da boa amiga que poderá ser.

De quem é que gostamos menos

A equipa do Ninho dos Sabores parece ser equilibrada, sem grandes dramas ou tensões. Mas saber que Bruno Martinho, o proprietário, não dava dias de folga a Susana, cunhada, viúva e que só recentemente teve possibilidade de ter o filho adolescente a viver com ela, deixou-nos desiludidos.

Ana e Fernando são os dois empregados de mesa de o Ninho dos Sabores.

Carla Oliveira

O prato da polémica

Não houve propriamente um prato da polémica, mas esquecer aquela francesinha desconstruida (a que o chef chamou tosta mista) é difícil. Nesta espécie de versão à la Ninho do prato mais tradicional do Porto, as duas fatias de pão de forma não se colocam uma por cima da outra. Além disso, o aspeto do fiambre deixa muito a desejar, bem como o ketchup e maionese que Susana lhe coloca por cima. O molho é aquecido em plástico por Bruno que, como Ljubomir alertou, deita substâncias nocivas quando é posto em contacto com alimentos a ferver.

O momento mais WTF

É difícil escolher, por isso elegemos três. O momento vencedor é quando o chef traz um novo elemento para a cozinha do Ninho: chama-se Júlia, é um boneco desenhado na parede e o único que dá atenção a Ljubomir. A piada é recorrente no episódio, já que são várias as situações em que Susana e Fátima não lhe respondem, não dão atenção e não observam aquilo que ele lhes está a ensinar.

Apesar de esta ter sido a piada mais forte, é bom relembrar o barco de vikings que o chef foi fazendo dentro de uma travessa, à medida que ia somando todas as colheres que lhe chegavam à mesa (vinha sempre mais de uma por pedido, não se percebe bem porquê).

O facto de Susana não saber que o feijão enlatado deve ser passado por água também nos deixou admirados. Pronto, e assustados. Será assim em todo o lado?

O momento mais violento

Apesar de não ter sido um dos restaurante mais polémicos da segunda edição de “Pesadelo na Cozinha”, foi um dos que se ouviu mais palavrões. Ao todo foram 39 asneiras, várias na mesma frase. Um dos momentos mais tensos acontece quando o chef está tentar ensinar Susana e Fátima a fazerem um dos molhos mais antigos da cozinha francesa, só que ninguém o ouve. A certa altura diz: “Eu estou a gastar a puta do meu tempo, só me apetece sair daqui para fora.” Na preparação do almoço de reinauguração, dá-se outro conflito. Susana está completamente bloqueada e não consegue trabalhar. O chef sai do restaurante e ela tem de ir buscá-lo, com a promessa de que vai conseguir manter o foco.

O momento mais fofinho

Houve drama, houve choro, houve abraços, mas nada suficientemente tocante para ser eleito o mais fofinho. Podemos eleger o sorriso de Júlia, a cozinheira-desenho, o mais terno do episódio.

O staff do restaurante

O que falha na higiene do restaurante

Pouco a apontar quanto à higiene do espaço. Ainda assim, o momento menos apetitoso será fácil de identificar: quando um pequeno inseto não identificado se passeia por cima do pão de forma que, mais tarde, se virá a transformar numa francesinha. A produção do programa da TVI não perdoou: o bicho teve direito a zoom e a grande plano.

As frases mais engraçadas

  • “Não ganhas dinheiro nenhum, tu, trabalhas para o boneco.”
  • “Começa a trabalhar porque isto para mim é uma paródia.”
  • “Eu estou cá para ajudar. Tirar ovos, limpar merdas, limpar o chão. Sou ótimo nisso.”
  • “Toda a gente que fez francesinhas está-se a arrepiar todo.”
  • “Tens noção que estás no mundo da cozinha e não percebes nada dela.”
  • “E eu e a Júlia vamos comunicar um com o outro porque ninguém quer ouvir um caralho do que eu tenho para dizer nesta cozinha.”
  • “A Júlia mandou um email.”
  • “Quem é que é esperto? É o chef. Não, é o gajo dos cachorros.”
  • “Quanto tempo tens para atirar-te da ponte?”

A frase do episódio

“Para trabalharem comigo, vão ter de mijar sangue os dois.”

Texto de Ana Luísa Bernardino, fotografia de Carla Oliveira.
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