Modelos já são escolhidas por terem mais ou menos seguidores nas redes sociais

A pressão sobre as modelos é cada vez maior. Além de terem de ter "as medidas certas", agora também têm que ser influenciadoras digitais.

Modelos internacionais como Bella Hadid, Gigi Hadid ou Kendall Jenner têm 20, 44 e 97 milhões de seguidores, respetivamente

A indústria da moda está cada vez mais diferente. As primeiras mudanças começaram com campanhas de várias marcas que apelam à “mulher real”, em que deixaram de usar photoshop para corrigir estrias, manchas e outras “imperfeições”, como são comummente chamadas.

Depois, começámos a ver algumas das modelos mais conhecidas a partilhar imagens nas suas redes sociais a mostrar que não são perfeitas, que são iguais a todas as outras mulheres. E são essas mesmas redes sociais que têm uma importância cada vez maior para a indústria.

Se há poucos anos não existia sequer Instagram, hoje, são muitas as modelos cujo trabalho depende do seu número de seguidores nas várias redes, principalmente nesta. Número esse que tem que ser informado à agência, diretamente ao cliente ou numa ficha de inscrição para um casting.

Passou a ser tão importante como a altura ou o peso e fez também com que desse trabalho também a outro tipo de modelos. Conforme explica a modelo russa Natalia Vodianova (dois milhões de seguidores) ao The Independent: “A escolha pelo número de seguidores significa que a personalidade também é avaliada e não apenas o ideal de beleza de determinada marca. Por outro lado, mulheres muito bonitas podem perder alguns trabalhos para outras mulheres mais carismáticas, divertidas e cheias de personalidade. Há quem ache isto injusto, eu acho interessante.”

A importância das redes sociais na indústria da moda leva assim, segundo uma das modelos mais bem pagas do mundo, a que haja uma maior diversidade de tipos de corpo em campanhas. O mesmo não acontece nas modelos de passerelle. Essas continuam a ser escolhidas habitualmente pelo peso e altura, não havendo espaço para personalidade. Facto que Natalia Vodaniova atribui culpa aos designers, por idealizarem a roupa para corpos extremamente magros.

Em Portugal, o cenário é idêntico. Cada vez mais, as modelos são avaliadas pela sua influência nas redes sociais. “Não são todos os clientes que querem saber, mas a maioria sim, principalmente em Lisboa. Nem sempre perguntam diretamente, às vezes consultam esses dados no momento em que procuram modelos. Outras vezes, somos nós que enviamos a página de Instagram das modelos“, explica Vera Moreira Rato, booker da Just Models.

Os clientes passam a saber mais sobre a modelo, do que apenas as suas medidas. Veem mais fotografias da modelo em questão, o tipo de conteúdo que publicam e, assim, percebem se para a marca faz sentido associar-se a essa pessoa. “As modelos deixaram de ser só modelos. Lançam tendências, são influenciadoras. Passou a estar tudo misturado, modelos, influenciadoras, bloggers. E os clientes querem alguém que saibam que também lhes vai dar visualizações”, afirma a booker.

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