Editor de revista gastronómica demite-se após piada sobre matar veganos

Em questão está um email privado de William Sitwell que dirigia a britânica "Waitrose Food" há 20 anos a uma jornalista freelancer vegana.

A situação foi exposta pela jornalista Selene Nelson que diz estar chocada com a situação

O editor da revista de comida Waitrose Food demitiu-se depois de ter feito alguns comentários pouco politicamente corretos sobre veganos. Uma jornalista freelancer, Selene Nelson, propôs-lhe uma série de artigos sobre comida vegana e William Sitwell respondeu-lhe 10 minutos depois, num email privado dizendo: “Obrigada. E que tal uma série sobre matar veganos, um a um? Maneiras de os encurralar? Como interrogá-los convenientemente? Expor a sua hipocrisia? Obrigá-los a comer carne? Fazê-los comer um bife e a beber vinho?”

O site Buzzfeed News expôs o e-mail e a polémica estalou. Quando questionado por esta plataforma, o editor pediu desculpas: “Eu amo e respeito as pessoas de todos os regimes, sejam veganos, vegetarianos ou comedores de carne (…). Peço muitas desculpas a qualquer um que tenha sido ofendido ou incomodado com isso “.

Ainda assim, um porta-voz da Waitrose, cadeia de supermercados no Reino Unido que detêm a revista, afirmou: “Mesmo que este seja um email privado, William foi longe demais e as suas palavras são extremamente inapropriadas, insensíveis e não representam em absoluto as nossas opiniões”. E garantiram que iriam tomar as devidas providências.

Alguns colegas jornalistas saíram em defesa de William Sitwell, que editou durante 20 anos a revista de comida que tem Pippa Middleton e Yotam Ottolenghi como colunistas, escreve sobre comida para outras publicações importantes do Reino Unido e faz parte do júri no “MasterChef: The Professionals”. 

Segundo a BBC, o crítico gastronómico do jornal britânico “The Times”  disse tratar-se de um “email estúpido” mas que não se justifica que ponha fim a uma carreira. “Os veganos não são uma raça ou género ou orientação sexual ou de um grupo de pessoas com deficiências. Eles apenas escolheram comer plantas”. Outros, como Peter Oborne, do “The Spectator’s” disseram tratar-se de um “dia negro para a liberdade de expressão” e que o email se tratava de uma piada de mau gosto que tinha provocado reações exageradas. Mas houve também quem, como Lauren Collins do “The New Yorker”, fosse menos complacente. A jornalista e escritora considerou-o pouco profissional num tweet defendendo que o email era razão suficiente para ser despedido.

Esta não é a primeira vez que Sitwell faz comentários negativos sobre o veganismo. No início deste ano, escreveu sobre “tendências gastronómicas” de 2018 para o jornal “The Times”, criticando a “avalanche” de livros de culinária vegan que seriam lançados.

Já Selene Nelson afirmou estar chocada com a hostilidade do email e a atitude do editor relativamente aos veganos. “Eu nunca vi nada assim. Escrevi sobre muitas questões fraturantes, como pena de morte, casos de assassinato e violência doméstica, e nunca tive uma resposta como esta a qualquer um dos meus artigos ou opiniões”, disse ao Buzzfeednews. Vegana há um ano, a freelancer acrescentou que a sua proposta não tinha como propósito julgar ou impor nenhum tipo de dieta.

Segundo um estudo patrocinado pela cadeia de supermercados, um terço dos britânicos come hoje menos carne ou mesmo nenhuma, enquanto um em cada oito se identifica como vegano ou vegetariano, diz o “The Telegraph”.

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