“Bodyguard” é a nova série na Netflix e é perfeita para quem adorou “Segurança Nacional”

É de chegar ao último episódio já sem unhas para roer, tal é a intensidade da história que tem ação, intriga política e conspirações.

A série foi considerada um sucesso no Reino Unido e colocou o protagonista na corrida ao papel de James Bond

BBC

Intriga policial, conspiração política, ataques terroristas e muita ação com personagens bem desenvolvidas. Não, não estamos a falar das primeiras temporadas de “Segurança Nacional” da Showtime (as únicas que interessam, dirão os fãs), mas sim de “Bodyguard” — a nova série de sucesso da BBC realizada por Jed Mercurio (“Line of Duty”) que se tornou um fenómeno de audiências no Reino Unido e que chegou à Netflix a 24 de outubro.

A série conta a história de David Budd, interpretado por Richard Madden (ou Robb Stark em “A Guerra dos Tronos”), ex-fuzileiro e agora agente de segurança privada do Departamento de Proteção Especial da Polícia Metropolitana de Londres. Depois de impedir um ataque terrorista numa estação de comboios de Londres, Budd é promovido guarda-costas de Julia Montague (Keely Hawes), a secretária de Estado do país que marcou toda a sua carreira política por uma ideologia bélica e ambiciosa. Os desafios começam quando David Budd se apercebe que os ideais da pessoa que tem de proteger vão de encontro a tudo aquilo em que acredita, tornando toda a relação ainda mais complicada.

Fora da relação conflituosa, o nível de alerta em Londres está elevadíssimo devido a uma sucessão de ataques terroristas e tentativas de assassinato sobre a secretária de Estado que está a tentar fazer passar uma nova lei intrusiva, dando ao governo o poder de escutar e espiar todos os cidadãos.

“Bodyguard”, que conta com apenas uma temporada de seis episódios, foi somando milhões de espectadores ao longo das emissões e depressa se tornou num fenómeno de audiências no Reino Unido — com cerca de 17 milhões de pessoas a sintonizarem as televisões para ver o último episódio da série. Além disso, o seu desempenho na série colocou Richard Madden na corrida pelo papel de James Bond no cinema.

Mas o que é que “Bodyguard” tem de especial? A MAGG conta-lhe tudo sem spoilers.

Há intriga política e uma conspiração que conduz a história

Um pouco à semelhança do que acontece na primeira temporada de “Segurança Nacional”, onde o espectador é levado a questionar-se sobre a presumível inocência ou possível radicalização de Nicholas Brody (Damian Lewis) durante os oito anos em que foi prisioneiro de guerra, também “Bodyguard” mantém essa ambiguidade.

É que todos os atentados terroristas e tentativas de assassinato da secretária de Estado estão sempre ligados a David Budd, seu guarda-costas, e chega mesmo a haver um momento em que todas as provas estão contra ele. Em segundo plano, vemos jogadas de bastidores entre políticos e governantes que face ao nível de alerta em Londres, procuram uma abordagem extremista e perigosa, mas sempre com o intuito de satisfazer os seus próprios interesses e não o dos cidadãos que servem.

Mas a série está repleta de momentos de tensão, a começar pelo primeiro episódio que mete o pé no acelerador e deixa o espectador colado ao ecrã logo nos instantes iniciais e sem mais unhas por roer.

Richard Madden é mais do que Robb Stark de “A Guerra dos Tronos”

Protagonista e estrela da série, o ator escocês mostra-se mais do que adequado para desempenhar um papel complexo e duro. Além de pai, marido e agente da polícia, David Budd é também um ex-fuzileiro das Forças Armadas que sofre de stresse pós-traumático como consequência do conflito armado onde participou.

A conspiração de que faz parte, embora sem saber, é maior do que alguma vez poderia suportar e isso nota-se na interpretação sofrida e credível do ator que nunca nos fez bocejar uma única vez.

Tal como em “Segurança Nacional”, aqui também há uma paixoneta

Não só de atentados e violência se fazem as comparações entre “Segurança Nacional” e “Bodyguard”. É que na série da BBC, também David Budd acaba numa relação com Julia Montague, a pessoa que deveria proteger a todo o custo. Apesar disso, não é uma linha narrativa que se estenda por muitos episódios mas que, mesmo assim, mostra as verdadeiras consequências de um romance que num outro contexto nunca teria possibilidades de existir.

O final vale a pena e deixa tudo em aberto

Se há coisa que faz cada vez menos sentido, é séries que têm um propósito claro desde o primeiro episódio mas que, no final, parecem esquecer-se de qual era. Foi o caso de “Safe” que teve uma temporada muito bem construída mas que desapontou no final com um último episódio fraco e sem objetivo.

Não é o que acontece em “Bodyguard”, que chega ao final do sexto episódio com todas as histórias fechadas e sem nenhuma ponta solta. Mas isso não quer dizer que não possa haver continuação, apesar de ainda não existir confirmação de uma segunda temporada.

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