O tamanho importa, especialmente quando o assunto é um telemóvel grande. Ou, mais especificamente, quando o aparelho em questão tem quase sete polegadas de ecrã. “Ah e tal, mas assim dá para ver mais conteúdo”, é um dos argumentos mais utilizados pelos defensores desta gama de equipamentos que, nos últimos anos, ganhou uma nomenclatura muito própria — phablet, uma espécie de mistura entre phone e tablet. Mas e os problemas de viver com um pequeno gigante no bolso? Isto, claro, quando ele cabe dentro do bolso e não está constantemente a ameaçar conhecer o chão de forma violenta e, muito provavelmente, fatal.

A MAGG aproveitou o lançamento do novo Huawei Mate 20 Pro, a 18 de outubro, para passar uma semana com o equipamento e relatar a experiência. E à primeira vista importa realçar duas vantagens: o ecrã e a bateria. Mas estes são argumentos que poderiam ser aplicados a qualquer outro smartphone com mais de seis polegadas de ecrã.

Troquei o smartphone por um telemóvel antigo. Só aguentei três dias

Por serem maiores, são capazes de mostrar mais conteúdo quando comparados com outros equipamentos mais pequenos, o que os torna excelentes telemóveis para consumo de vídeo na Netflix ou no YouTube — o que talvez possa justificar a estagnação no mercado dos tablets. E o Huawei Mate 20 Pro tem 6,39 polegadas de ecrã que, apesar da monocelha superior (uma trend introduzida pela Apple aquando do lançamento do iPhone X, em 2017), torna a experiência de vídeo mais real.

iPhone X à esquerda e Huawei Mate 20 Pro, à direita

Carla Oliveira/MAGG

Outra das vantagens é a bateria, que é talvez um dos pontos fundamentais a considerar quando se quer comprar um telemóvel novo. Ninguém gosta de chegar a meio de um dia de trabalho sem carga suficiente para realizar algumas das tarefas básicas que o telemóvel permite, e é nisso que este modelo de Huawei surpreende. É que essa história de andar com carregadores ou powerbanks atrás é tudo menos prático, e com este novo modelo também não precisa.

A bateria tem uma capacidade de 4,200mAh, muito superior à do iPhone Xs Max (3,174mAh) e à do Galaxy Note 9 (4,000mAh). Basicamente, e conversa demasiado técnica à parte, isto significa que o telemóvel vai aguentar um dia inteiro sem desligar. Aliás, nos testes efetuados pela MAGG, o telemóvel aguentou quase dois dias sem desligar depois de uma utilização intensiva com Wi-Fi ou dados móveis ligados, várias redes sociais abertas, mensagens e emails a cair a cada 20 minutos, e com uns vídeos de YouTube pelo meio. No primeiro dia de testes, o telemóvel chegou ao final do dia com ainda 40% de carga restante.

Mas mesmo que queira levar o telemóvel ao limite só para poder dizer que gastou toda a bateria num dia, o carregador da Huawei vem com carregamento rápido — e consegue ir dos 0 ao 70% em apenas 30 minutos.

Passada a fase de encantamento, começaram a surgir alguns problemas que, possivelmente, serão transversais a qualquer utilizador e que têm a ver com o modo de uso. É que é preciso uma ginástica enorme para que consiga chegar com o dedo a uma das extremidades do equipamento, e pode esquecer essa ideia revolucionária de usar o telemóvel com uma só mão. Pode fazê-lo, mas corre o risco de o smartphone lhe cair da mão e partir-se. Visto que tanto a frente como a traseira deste Huawei são de vidro, o arranjo é tudo menos barato.

E nem vamos falar da altura do telemóvel ou da mistura entre alumínio e vidro em todo o corpo do equipamento, que o tornam extremamente escorregadio. Apesar de nunca ter caído ao chão durante o período de testes, foram várias as vezes que escorregaram da mão do jornalista da MAGG que se atreveu a desafiar o universo e andar pela calçada de Lisboa com o telemóvel sem capa.

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O outro grande problema surge quando o quer meter no bolso, e aqui há problemas tanto para homens como para mulheres. É que apesar de não ficar de fora do bolso da maior parte das calças para homens, vai sentir um grande tijolo cada vez que andar ou dobrar a perna. Também é possível que, se conduzir, sinta o volante a bater no telemóvel cada vez que levanta o pé do pedal — e não é uma experiência de todo agradável.

No caso das mulheres é ainda mais drástico, já que os bolsos das calças são mais pequenos. Neste caso, a solução mais acertada talvez seja colocá-lo estrategicamente na mala de maneira a não roçar em chaves, moedas ou qualquer outro tipo de objetos que o possam danificar.

Fora os problemas logísticos e de utilização, o Huawei Mate 20 Pro é rápido, capaz de tirar fotografias de qualidade e compatível com todas as aplicações (e jogos) mais recentes. Apesar de obrigar a um certo período de adaptação, e a um certo compromisso face aos problemas que surgem quando se passa de um telemóvel de cinco polegadas para outro de seis ou mais, é talvez um dos equipamentos mais potentes e interessantes do mercado, principalmente quando a concorrência parece estar a ficar para trás.

O Huawei Mate 20 Pro já pode ser adquirido em Portugal a partir de 1,050€ com 128 gigas de armazenamento interno e 6 gigas de memória RAM.