É certo que não é o tema de conversa mais atraente mas se teve um bebé nos últimos dois anos é bastante  provável que esteja  mais do que habituada a mudar fraldas, analisar as texturas e cor do cocó do seu bebé e, no limite, até a fotografar as fezes e trocar impressões com outros pais ou mesmo com o pediatra do seu filho sobre as mesmas. É normal, não ache que é uma pessoa estranha por causa disso.

Na verdade, as fezes dos bebés podem indiciar muita coisa, desde problemas de saúde à necessidade de preferir um tipo de alimento a outro — e o primeiro passo para perceber o que se passa com o seu filho é saber analisar a cor das mesmas. Tal como explica à MAGG o médico pediatra Hugo Rodrigues, há cores que são perfeitamente aceitáveis e saudáveis, sendo apenas demonstrativas da alimentação da criança, outras podem ser perigosas e “devem ser comunicadas de imediato ao pediatra”.

O especialista começa por explicar que as fezes pretas esverdeadas, conhecidas como mecónio, “surgem nas primeiras horas de vida”, sendo esta uma cor comum nos primeiros cocós dos bebés. Assim que os recém-nascidos começam a ser amamentados, de um modo geral, as fezes “são mais amarelas ou laranjas, cores consideradas normais, sem qualquer problema ou significado secundário”, garante Hugo Rodrigues.

Os bebés só devem tomar banho duas vezes por semana

Caso a criança seja alimentada a leite adaptado, o pediatra refere que “as fezes ficam mais verdes” — porém, o especialista afirma que “não existe uma fronteira bem definida, sendo que também existem bebés alimentados a leite materno exclusivamente que têm fezes verdes”. Assim que o bebé deixa de beber só leite e introduz outros alimentos na sua dieta, “as fezes castanhas começam a ser mais frequentes”.

Alerta! Se as fezes do seu bebé são desta cor, alerte o médico pediatra

Existem cores a que deve prestar atenção especial e que devem implicar uma rápida observação médica. Fezes pretas, por exemplo, significam “sangue digerido nas fezes, que pode ter origem no estômago ou então ter sido deglutido de uma causa respiratória, por exemplo”, explica Hugo Rodrigues, alertando para a importância desta comunicação ao médico.

Fezes vermelhas “implicam hemorragia intestinal ‘baixa’ e também são motivo de observação; quanto mais vermelho-vivo for o sangue, mais baixa será a hemorragia”, afirma o pediatra, que alerta também para as fezes brancas. “O seu significado é maior quando se tratam de bebés pequenos que estão muito amarelos, com icterícia, podendo, nestes casos, ser significativo de um problema na eliminação de bílis para o intestino”, conclui Hugo Rodrigues.