Crónica de um espião no Portugal Fashion #02. Ai, Tininha, deixa lá isso dos desfiles para as magras

O espião vai ver desfiles, olhar para as pessoas e comentar tudo, sem tento na língua e sem medo de ofendidinhos. Esta é a segunda crónica.

Carla Oliveira

Alto! Quem é que está a chamar gorda à Cristina Ferreira? Quem? Quem? Eu? Nunca! Não é isso. Calma. Inspirem, expirem. Já está? Então vamos lá a isto.

Fui ver o desfile da Cristina Ferreira, mas como sou pessoa pouco entendida de modas não percebi muito bem o que é que isso queria dizer. Desfile da Cristina Ferreira? Mas ela é manequim? Lá me explicaram que não, que tem uma coleção de roupa. Mas ela é designer? Lá me explicaram que não, que tem só a coleção de roupa? Mas ela tem bom gosto? Lá me explicaram que não, mas… Não explicaram nada, isto já sou eu na paródia.

Pronto, lá fui ver a Tininha. Começaram a entrar as manequins e em que é que pensei logo? Acertaram. “Xinapá, aquele rabo tem demasiada celulite!“. Não me venham com coisas, quem viu aquele desfile pensou no mesmo que eu, vá, foi ou não foi? A celulite não era da Cristina, era de algumas das manequins. Então não é suposto uma pessoa ver estas moças de fato de banho e ver ali aqueles rabos perfeitos, todos no sítio, tudo ali firme e hirto? Pelos vistos não. Havia ali excesso de boing! boing! boing! (isto é o barulho de uma nádega com chicha a mais a subir e a descer).

E depois disso, o que é que me prendeu a atenção? Os fatos de banho. Primeiro uns dourados, depois uns pretos e por fim uns brancos. Eu olhei para aquilo e pensei: “Mas isto é tipo aquelas cenas que uma pessoa vê nas lojas do chinês“. Eram todos básicos, com um brilhozinho, e depois com umas frases estampadas cheias de brilhantes. Ya, já vi isto ali no bazar chinês da 5 de outubro.

Depois lá vieram mais umas manequins com outras peças de roupa. Já perceberam que eu não sou das modas, não entendo isto, por isso aquilo até podiam ser coisas incríveis, mas eu não as entendo. Observei, observei, observei, e nada. O melhor de tudo veio no fim: a própria da Cristina, a diva.

Entrou com um passo confiançudo, e só faltou vir ao som do “Show das Poderosas”. Trazia um vestido preto, naquela do “assim nunca me comprometo”, só que depois comprometeu-se toda com umas botas que não lembram ao diabo. Assim ao longe, não percebi bem o que é que se estava a passar ali. Eram botas, mas depois eram uns elásticos atrás, e na parte da frente pareciam-me ter umas sinetas, ou uns badalos ou lá o que era aquilo. Mais tarde vi umas fotos ao perto e percebi que são uns medalhões. Não melhorou muito.

E agora vamos lá falar daquilo que toda a gente viu e ninguém falou, não é? Então e os tronquinhos da Cristina? Já não dão para aquela botinha. Não é que a rapariga esteja gorda, não está (e se estivesse não havia mal nenhum nisso, ouviram, Capazes?), mas quando uma pessoa está a ver um desfile de moda está à espera de pernas de esparguete, e não de tagliatelle. Com esta analogia percebe-se que um não é melhor do que o outro, eu adoro esparguete e adoro tagliatelle, mas quando uma pessoa está à espera de um prato e chega o outro é chato.

Só um aparte final. Quando o desfile acabou, troquei umas palavras com quem percebe destas coisas, só naquela de tentar saber se era mesmo eu que estava a ver mal, ou se os fatos de banho e as roupas pareciam do chinês. Foi então que percebi que a coleção era de sapatos. “Sapatos? Quais sapatos? Mas elas tinham sapatos?”. É o que dá meterem um gajo que percebe zero de moda a fazer isto.

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