As gravações do filme “La La Land”, que estreou em 2016, ainda não tinham terminado quando Damien Chazelle (“Whiplash — Nos Limites”), o realizador, já estava a planear a adaptação para cinema do livro “O Primeiro Homem”. Assinado pelo escritor James R. Hansen, é a primeira e única biografia autorizada de Neil Armstrong, o famoso astronauta norte-americano que ficou conhecido depois de ter sido o primeiro homem a pisar a lua em 1969, e que agora chega ao cinema interpretado por Ryan Gosling (“Blue Valentine — Só Tu e Eu”).

O filme, que chega esta quinta-feira, 18 de outubro, às salas de cinema portuguesas, vai contar cerca de sete anos da vida do astronauta, desde a sua entrada na NASA em 1962 até 1969, momento em que Armstrong e restante tripulação chegaram à lua como consequência do Programa Apollo — um conjunto de missões espaciais coordenadas pela NASA entre 1961 e 1972.

O guião é da autoria de Josh Singer (“The Post”), o mesmo responsável pelo argumento de “O Caso Spotlight”, que ganhou um Óscar na categoria de Melhor Filme, em 2016. Segundo a revista digital “IndieWire”, o filme “O Primeiro Homem na Lua” não será um biopic tradicional, “mas sim um filme de ação que retrata uma missão visceral e épica.”

A propósito da estreia do filme, a MAGG leu a biografia “O Primeiro Homem” (editora Objectiva) que chegou este mês às livrarias portuguesas e reuniu as 8 curiosidades mais surpreendentes do astronauta e da missão espacial que marcou o mundo.

A citação mais famosa de Armstrong foi reproduzida de forma errada

Neil Armstrong imortalizou a frase “That’s one small step for man, one giant leap for mankind” (“Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a Humanidade”) assim que pisou a lua pela primeira vez. Problema? Segundo contou ao escritor James R. Hansen, autor da biografia, não foi isso que disse naquele momento mas sim “That’s one small step for a man, one giant leap for mankind” que, traduzindo, significa qualquer coisa como “Este é um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a Humanidade”.

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A ausência do “a” (ou “um”) na frase pode ter sido abafado pelo microfone ou ter sido incompreendido devido à articulação de Armstrong que, segundo revelou ao escritor, muitas vezes suprimia palavras ou sílabas das frases que dizia.

“Não articulo as palavras particularmente bem. Talvez tenha sido um som abafado que o meu microfone não captou. Como eu já ouvi, não me parece que tivesse havido tempo para a palavra lá estar. Por outro lado, penso que as pessoas sensatas perceberão que não tive qualquer intenção de fazer uma declaração sem sentido e que o ‘um’ fazia, com certeza, parte da mesma, porque só assim é que a declaração faz algum sentido. Por isso, espero que a História me conceda a liberdade de ter deixado escapar sílabas e compreenda que eu pensei dizê-la apesar de não a ter dito… embora na verdade possa tê-la dito”, revelou.

Antes de entrar na NASA, o astronauta viveu uma tragédia muito pessoal

Se a vida de Neil Armstrong ficou definida pelo momento da chegada do homem à lua, também é verdade que o astronauta viveu uma tragédia que o terá mudado para sempre. E tudo aconteceu em 1962, quando a sua filha de apenas dois anos morreu com uma pneumonia — alguns meses depois de lhe ter sido diagnosticado um tumor maligno no cérebro.

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Segundo a irmã do astronauta, que falou com o autor do livro, Armstrong “queria investir as suas energias em algo positivo” e foi aí que decidiu inscrever-se no programa espacial. Pouco tempo depois da morte da filha, a NASA escolheu nove pilotos, entre os 250 que se candidataram, para uma série de missões que viriam a estar inseridos no Programa Apolo. Neil Armstrong foi um dos eleitos.

Não há (boas) fotografias de Armstrong na lua

Apesar de o homem ter conseguido pisar a lua no século XX, numa altura em que câmaras de vídeo e de fotografias eram uma tecnologia já acessível para muita gente, a verdade é que há poucas boas imagens que mostrem Neil Armstrong na lua, e as que existem mostram Neil como um simples reflexo no capacete de outros astronautas. A fotografia mais icónica do acontecimento mostra Buzz Aldrin, o astronauta que acompanhou Armstrong na missão.

A foto mais icónica da chegada do Homem à lua mostra Buzz Aldrin e não Neil Armstrong

Getty Images

Segundo Armstrong, a falta de registos fotográficos decorreu do seu desinteresse em tirar fotografias. “Não penso que o Buzz tivesse qualquer motivo para me tirar uma fotografia e nunca me passou pela cabeça que o devesse fazer. Sempre disse que o Buzz era, de longe, o mais fotogénico da tripulação”, revelou.

Chegar à lua foi o mais difícil

Entre o solo da lua e o módulo espacial controlado por Neil Armstrong estavam 15 mil metros de altitude e, segundo o astronauta, o mais difícil de toda a missão foi o processo de alunagem. A alunagem implicava que o módulo teria de tocar suavemente no solo enquanto evitava rochas, crateras e outros obstáculos que o pudessem destruir.

A inexistência de resistência ao ar ou qualquer outro elemento que pudesse suavizar e retardar o processo de alunagem, obrigou ao uso de propulsores para guiar o módulo até ao solo — e só havia uma tentativa para o fazer devido à quantidade de combustível do engenho. “Depois disso, o processo de descer o escadote e tocar na lua era menos significante”, contou ao escritor.

A maçaneta de uma porta fez toda a diferença na missão

Não estava previsto que fosse Armstrong o primeiro homem a pisar a lua, até porque nas missões anteriores o comandante ficava sempre no módulo espacial. No Apollo 11, porém, a situação foi diferente. É que apesar de Armstrong ser o comandante da missão, a logística do espaço terá obrigado a que fosse ele, e não Aldrin, o primeiro a sair e a tocar na lua.

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A porta de saída tinha uma maçaneta que abria para dentro, o que possibilitava àquele que estivesse sentado mais à esquerda (que na altura, era Armstrong) caminho livre para o exterior. Aldrin teria de ter passado por cima de Armstrong para conseguir sair primeiro.

Os materiais recolhidos pelo astronauta na lua viriam a valer 1 milhão de euros

Assim mandava o protocolo espacial: quando chegasse à lua, Neil Armstrong estaria encarregue de recolher vários materiais da lua para análise. O protocolo também fazia saber que a compra e venda de qualquer tipo de materiais recolhidos pelos astronautas em missões espaciais era totalmente proibida. Mas isso não se aplicou à mochila usada pelo astronauta que foi comprada por um residente de Chicago durante um leilão organizado pelo governo norte-americano.

Tudo mudou, porém, quando o governo e a NASA se aperceberam do artigo que estavam a leiloar e depressa o recolheram, admitindo que não o devolveriam à pessoa que o comprou. Em 2017, o caso foi discutido em tribunal que decidiu a favor do residente e que depressa voltou a estar na posse da mochila que o tornaria milionário — já que pouco tempo depois a conseguiu vender por 1,8 milhões de dólares (que equivale a cerca de 1 milhão de euros).

Já de regresso à Terra, esteve em quarentena durante três semanas

Apesar de a missão ter sido um sucesso, Armstrong e restante tripulação foram obrigados a um período de quarentena que durou três semanas. A fama e glória que receberam por parte de toda a gente teve de ser aproveitada por trás de uma câmara de vidro selada — a ideia era tentar perceber se tinham sido contagiados com algum “vírus espacial estranho”.

Quando o presidente Richard Nixon os visitou pela primeira vez para os congratular, acenou-lhes através do vidro.

O astronauta tornou-se professor para evitar a exposição pública

Depois de sair da NASA em 1971, o astronauta estava muito reticente em permanecer visível e sujeito ao escrutínio público. Segundo James R. Hansen, eram várias as publicações que o requeriam para que falasse sobre a missão por que ficou conhecido e Armstrong “não ambicionava contar a história do seu grande feito vezes e vezes sem conta”. Por isso, acabou por seguir a carreira de professor na Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, onde permaneceu durante oito anos.