Crítica. Susana Bettencourt cria coleção para “indivíduos resilientes”

Um desfile cheio de momentos altos e baixos que nos deixou confusos. Estas foram as propostas da designer para um verão sem género.

Nesta coleção, as T-shirts com mensagens estampadas foram as peças mais marcantes

Carla Oliveira

Nasceu nos Açores, mas foi em Londres que fez todo o seu percurso até chegar onde está hoje. E onde está hoje? No Portugal Fashion, mas não só. Susana Bettencourt já apresentou coleções na London Fashion Week, na Vancouver Fashion Week e na Malásia.

Especializou-se em malhas e essa é já a sua imagem de marca, em qualquer estação. Na que acaba de apresentar, para a primavera/verão de 2019, a malha volta a ser a rainha. Mas o que nos chamou mais à atenção foi uma peça totalmente diferente das que habitualmente faz: o fato de banho.

“Individualidade Resiliente” é o nome desta coleção em que Susana Bettencourt pretende quebrar preconceitos e mostrar que todas as culturas podem combinar. Um conceito que transmitiu principalmente através das T-shirts com mensagens estampadas e com a presença de um manequim sem género, a fechar o desfile.

O desfile começou bem, com capulanas e com peças com cores e materiais que lembram o verão. Mas de repente o cenário mudou. As cores escureceram, os jacquards chegaram e sem darmos por isso estávamos novamente no outono. O azul escuro, o preto e o castanho, em peças como camisolas ou vestidos em malha, deixaram-nos com mixed feelings.

Se por um lado a designer apresentou padrões, vestidos e fatos de banho que nos fizeram querer arrancá-los das modelos para podermos usar já, por outro, foram várias as peças que não nos permitiram chegar à quarta estrela.

Não é obrigatório que todas as coleções de primavera/verão tenham cores vibrantes, mas, neste caso, se os vermelhos, laranjas, rosas e amarelos, que também foram apresentados, fossem as cores principais, o resultado teria sido mais interessante e coerente.

As T-shirts oversized com palavras como “power” ou “resiliant individuality” foram um dos pontos mais negativos, por se afastarem completamente de todo o resto da coleção, ainda que tenham servido para transmitir uma mensagem. As meias e os chinelos também não ajudaram.

Texto de Fabíola Carlettis, fotografia de Carla Oliveira.
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