Até queremos ser saudáveis, deixar de comer tantos processados, passar a ter mais verduras no prato, preferir a fruta ao pão e abrir os horizontes a sabores como o gengibre, os frutos secos, a quinoa e a kale. Também gostávamos de passar a usar menos plástico, recusar as palhinhas e reciclar tudo o que é possível.

Mas o ecoponto é longe, o plástico é mais leve que o vidro, um pãozinho com manteiga sabe melhor que uma maçã e umas quantas Oreo matam a gula muito mais eficazmente do que um punhado de amêndoas.

Conseguíamos argumentar contra todas essas desculpas, mas, desta vez, vamos dar a resposta em forma de solução prática. Chama-se Puro e abriu na rua Luciano Cordeiro para facilitar a vida a quem quer comer e viver melhor, mas precisa de um empurrão.

As opções de take away podem também ser empratadas e consumidas no restaurante

Aberto das 7 às 20 horas, oferece opções de pequeno-almoço, almoço e lanches e, se quiser, até pode levar o jantar para casa, uma vez que há toda uma secção para take away a responder a todas as necessidades. Há iogurtes em frascos (1,50€) aos quais podem ser acrescentados toppings de fruta (0,75€) e granolas (0,85€). Para as refeições principais há baguetes (3,90€) e saladas variadas (3,60€), às quais o cliente pode acrescentar um destes molhos: abacate e coco, cenoura, gengibre e sésamo, tahine, vinagrete com mel e mostarda.

Ainda nesta secção estão peças de fruta avulso (0,85€), salada de fruta (1,75€) e chá frio (0,90€).

Charlie. O bistrô que senta à mesa os gulosos e os saudáveis

Lembram-se da parte em que este restaurante ia também dar uma ajuda ao ambiente? É agora. Além dos guardanapos serem feitos de papel reciclado, aqui não há plástico nos talheres, nas palhinhas e nem sequer nas embalagens para levar para casa. Sempre que o cliente quiser levar a comida consigo, ao preço base acresce a tara das embalagens de vidro, recuperável sempre que a venha entregar depois, poupando assim 2,27€ nos frascos grandes das saladas, 1,83€ nos médios, usados para a fruta, 0,90€ no frasco do iogurte e 0,92€ na garrafa onde é servido o chá.

O restaurante está aberto das 7h às 20 horas e tem espaço interior e esplanada

Apesar de toda esta facilidade de grab and go, há mais do que espaço para quem queira parar e apreciar a refeição com calma, mais concretamente 42 lugares no interior e dez na esplanada.

Tudo o que está no frigorífico de take away pode ser servido empratado e servido no local mas, vá por nós e, se tiver tempo, aprecie a técnica do chef na secção de showcooking.

No novo Clube Lisboeta há brunch, comida saudável, pratos do mundo e ainda uma app

Aí é possível criar o seu próprio prato em três passos: escolher a base entre quinoa e arroz integral (5,20€) ou massa integral, penne ou tagliatelli verde (4,20€); decidir-se quanto ao molho, que pode ser de abóbora assada e tomilho, azeite e ervas ou cogumelos e soja. No final, é só escolher três ingredientes que variam consoante a disponibilidade do mercado onde o restaurante se abastece.

As sobremesas não foram esquecidas e por aqui há salame de amendoim e aveia (1,30€) ou brigadeiros de alfarroba (1,10€). Tudo feito sem açúcares e farinhas refinadas — com exceção dos pastéis de nata e dos croissants que fogem a esta regra do bem comer. É que não nos podemos esquecer que por trás deste projeto está o chef António Amorim, criador da Fábrica de Pastel de Feijão, em Alfama, conceito que reinterpreta a receita tradicional deste doce. Antes disso, trabalhou em Hong Kong, passou pelos restaurantes Feitoria, Vila Jóia, 100 Maneiras, Pão à Mesa e El Clandestino.

“Mas eu sou de Baião, cresci no campo e agora senti necessidade de voltar às raízes, voltar a comer melhor”, explica o chef à MAGG, lembrando também que teve uma carreira militar de dez anos e chegou a ser capa de revistas ligadas ao desporto. “É uma maneira de voltar à boa forma”, brinca.

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Morada: Rua Luciano Cordeiro, 74, Lisboa

Horário: 7h-20h (fecha ao domingo)

O facto de terem bolos menos saudáveis no meio dos sem açúcar, croquetes e empadas entre o pão de fermentação natural e opções como tofu ou frango servem para se abrir a todos os tipos de clientes. “Não somos 100% vegetarianos nem 100% saudáveis, nada disso. Se é para ser 100% alguma coisa que seja 100% eficazes”, refere o chef.