Crítica. Filipe Faísca apresenta “Inocência” e traz uma noiva de volta

Combinar linho ou seda com veludo, num dia de verão, parece estranho, mas Filipe Faísca conseguiu com que parecesse uma combinação óbvia.

A modelo Milena Cardoso abriu e fechou o desfile do criador

Há desfiles que têm sala cheia e depois há os desfiles de Filipe Faísca, daqueles em que as pessoas correm para conseguir lugar e que as filas no exterior são infindáveis. E, habitualmente, faz todo o sentido.

Depois de uma coleção de outono/inverno que não nos surpreendeu, o criador apresenta “Inocência” e volta a cair na nossa graça. De tal forma, que queremos começar já a ir para o ginásio para estar em forma para usar tantas transparências e tecidos sedosos que se colam ao corpo.

Essa é, aliás, a peça que mais marcou o desfile: o slip dress. Mas não foi a única. O quimono que abriu o desfile, os vestidos em linho, as camisas e calças em vichy azul e branco, e a lingerie preta que se vê por baixo da maioria dos looks, foram motivos mais do que suficientes para querer saltar já para a primavera/verão.

Os tons pastel como verde água, o creme, o amarelo, o pêssego, o rosa, ou o azul dão todo o significado ao nome da coleção, que pretende adicionar alguma história ao closet da mulher atual e contemporânea.

Algumas das peças apresentadas, têm apontamentos de veludo, o que não é tão habitual nas coleções de primavera/verão, e ainda alguns elementos como a borboleta, a libelinha e a flor, combinados com os bordados da Madeira. Para completar os looks, Filipe Faísca voltou a unir-se ao criador de sapatos Roger Vivier.

O ponto menos positivo, apesar de gostarmos da ideia do regresso dos vestidos de noiva no final dos desfiles, foi mesmo a noiva, que ainda que seja muito estilo Filipe Faísca, não nos pareceu seguir a linha da coleção apresentada.

Texto de Fabíola Carlettis, fotografia de Samuel Costa.
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