Tudo começou com uma partilha de uma imagem no Facebook que depressa se tornou viral e gerou polémica nas redes sociais. Tratava-se de um inquérito com a caraterização de ficha sociodemográfica que foi distribuída aos alunos da Escola Básica Francisco Torrinha, no Porto, e que pretendia saber se miúdos com idades entre os 10 e os 11 anos já namoravam e quais as suas preferências sexuais.

A situação foi prontamente denunciada por um pai preocupado que chegou a casa e viu a ficha que o filho tinha sido obrigado a responder. O inquérito anónimo pretendia saber não só a nacionalidade do aluno ou o ano curricular em que se encontrava matriculado, mas também se este já tinha namorado, se namorava atualmente e se sentia atraído por “homens, mulheres ou ambos”.

Confederação de pais critica escola que perguntou orientação sexual a alunos de 9 anos

“Mas isto são perguntas que se façam a um menino ou menina de 8 ou 9 anos? Coitadinhas das nossas crianças e que energúmeno quem lhe mandou preencher esta ficha”, foi a reação do pai nas redes sociais que em poucas horas gerou vários comentários e partilhas.

A MAGG contactou a Escola Básica Francisco Torrinha que disse apenas estar a par da polémica em redor do questionário e que não “prestava quaisquer tipo de declarações” sobre o assunto. Já a Direção Geral da Educação referiu que não conhecia o inquérito em questão e que não teve qualquer tipo de responsabilidade na emissão deste tipo de fichas de caráter sóciodemográfico. “Sabe-se para já que é um caso isolado e estamos a apurar informações junto do estabelecimento escolar em causa”, revelou o Ministério da Educação à MAGG.

Facebook

A MAGG voltou a contactar a escola básica do Porto para a confrontar com a resposta da Direção Geral da Educação, mas não obteve resposta por parte do respectivo conselho directivo.

Não é a primeira vez que que um inquérito polémico é distribuído a alunos, obrigando a Direção Geral de Educação a retirá-lo das escolas. O último caso aconteceu em setembro quando em várias escolas de Lisboa e do Porto alguns alunos foram obrigados a responder a um questionário onde, entre outras perguntas, pretendia-se saber sobre a origem dos pais e se algum deles teria origem “portuguesa, cigana, chinesa, africana, indiana ou brasileira”.