Confederação de pais critica escola que perguntou orientação sexual a alunos de 9 anos

O inquérito queria saber se as crianças já namoravam e se se sentiam atraídos por homens, mulheres ou ambos.

O Ministéria da Educação diz que está a apurar o que se passou junto da escola

A Confederação da Associação de Pais (Confap) considera “inadequada” a pergunta que é feita num inquérito a crianças do 5º ano da Escola Básica Francisco Torrinha, do Porto, e que está a causar polémica na internet. Em causa está a questão “Sinto-me atraído/a por Homens, Mulheres, Ambos”, que surge depois de duas outras perguntas “Namoras atualmente?”, “Já namoraste anteriormente?”.

Jorge Ascenção, presidente da Confap, diz, em declarações à MAGG, ” que perguntar a uma criança se sente atração por homens ou mulheres não é adequada àquela idade (quando muito poderia perguntar-se se gosta mais de brincar com rapazes ou raparigas)”. E que “questões do foro íntimo nunca poderiam ser respondidas por menores sem o conhecimento e a autorização dos pais”.

O representante dos pais sublinha que “qualquer tipo de atividades que as crianças tenham fora do programa lectivo deve ser do conhecimento dos pais e ter a respectiva autorização deles” bem como “a autorização das estruturas do Ministério da Educação”. Por isso considera que houve “alguma precipitação” por parte da escola: “Não sabemos qual foi o objectivo, mas estas questões não devem ser permitidas sem qualquer tipo de controle”.

Na página do Facebook da organização de pais, a posição é ainda mais clara: “Não entendemos como pode um diretor autorizar tal comportamento dentro do espaço que administra. A CONFAP repudia este tipo de comportamento nas escolas sem consentimento dos pais e encarregados de educação. (…)
Também as associações de pais devem ser consultadas para terem e darem conhecimento a quem de direito.”

A MAGG tentou, em vão, contactar a associação de pais da escola para saber se não tinha sido informada do que se passava como a posição oficial da Confap parece indicar. Já a direção da Escola Básica Francisco Torrinha se limitou a responder através da telefonista, dizendo apenas que estava a par da polémica.

Seja como for, Jorge Ascenção, sem pôr em causa a decisão de os pais divulgarem assuntos como este nas redes sociais (foi um pai que publicou a fotografia do inquérito feito ao filho no Facebook) alerta para o facto de “existirem estruturas de representação dos pais que estão preparadas para ajudar a resolver problemas como este”. Referindo-se à Confap, salienta:  “É bom que os pais saibam que nós estamos sempre disponíveis para esclarecer e apoiar os pais já que acompanhamos diariamente a vida escolar”.

Garantindo não ter qualquer tipo de desconforto pelo que este pai fez, Jorge Ascensão frisa, no entanto, que “os pais podem recorrer à Confap com qualquer assunto de maior ou menor gravidade para que junto das instâncias próprias se possam resolver e só em último caso é que devem colocá-lo em praça pública”.

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