31 mil pessoas. É este o número que dita as mortes por doenças cardiovasculares em Portugal, que continuam a ser a principal causa de morte no País. Neste sábado, 29 de setembro, celebra-se o Dia Mundial do Coração e, a pensar na sensibilização dos mais pequenos para esta grave doença, a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) criou um vídeo para chamar a atenção das crianças para a importância de prevenir o enfarte agudo do miocárdio.

Tal como conta à MAGG João Brum Silveira, médico cardiologista e presidente da APIC, a iniciativa do vídeo, que está a ser visionado nas escolas a nível nacional, é, acima de tudo, de prevenção: “Por que não explicar às crianças que o enfarte pode ser prevenido e que a educação para a saúde é mais importante do que tratar doentes obesos, fumadores e pessoas com colesterol alto? Esta foi a nossa principal mensagem, passar a ideia de que a prevenção é possível”.

Segundo o especialista, para além de informar os mais pequenos sobre a doença, é também importante usá-los como ferramenta de influência positiva nos adultos. “As crianças podem ser um excelente elo para os pais e não só”, afirma João Brum Silveira, que acredita que os mais novos conseguem, por vezes, transmitir a informação de uma forma que não é possível aos médicos fazerem. “Tenho vários doentes na minha consulta com quem falei durante anos, preguei para mudarem de estilo de vida e deixarem de fumar, e nunca consegui; de repente vieram os netos, os miúdos dizem-lhes que o tabaco faz mal, que é uma coisa horrível e eles deixam de fumar”, recorda o cardiologista de intervenção.

Sintomas de um enfarte agudo do miocárdio

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  • Dor no peito
  • Dor no braço esquerdo
  • Dor nas costas
  • Dor no pescoço
  • Suores
  • Náuseas
  • Vómitos
  • Falta de ar
  • Ansiedade

Apesar de os números de morte por doenças cardiovasculares em Portugal continuarem alarmantes, o presidente da APIC afirma que houve uma diminuição destes, muito gerada pela informação que, hoje em dia, chega cada vez mais às pessoas: “Temos uma população mais bem informada e educada, os médicos de família também conseguem que a pessoa procure ajuda mais cedo. Temos menos enfartes e recebemos os pacientes numa fase mais precoce da doença”.

No entanto, para João Brum Silveira, a prevenção continua a ser a primeira linha de tratamento e aquilo em que se precisa de apostar. “Sabemos que a doença coronária pode ser prevenida em mais de 90 por cento dos casos e, em Portugal, somos muito bons a tratar (estamos em quarto lugar a nível europeu no tratamento do enfarte agudo do miocárdio). Mas em termos de prevenção, o caso muda de figura e não estamos assim tão bem”, salienta o médico cardiologista, que explica que mais de 50% dos doentes que têm um enfarte têm fatores de risco identificáveis como tabaco, tensão alta, diabetes, stresse e colesterol.

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“Temos de apostar na educação e é preciso começar nos mais novos, dado que a maioria destas doenças são oriundas de maus estilos de vida. Se explicarmos isso às crianças, vamos todos viver muito mais tempo”, declara o presidente da APIC.