Sempre que nos queremos referir a uma pele lisa e hidratada, é comum usarmos a expressão “pele de bebé”. Afinal, ela tem aquele cheirinho característico e um toque suave inesquecível — mas é também 50% mais fina do que a pele dos adultos e extremamente sensível, o que reforça a importância dos cuidados de higiene com os mais pequenos e dos produtos que utilizamos na sua rotina diária.

“Nos primeiros dias e meses de vida, o mais importante é proteger a integridade da pele dos bebés, dado que eles acabaram de sair de um meio aquático para um meio aéreo”, explica Vera Ortigão, enfermeira especializada em pediatria e neonatologia.

Mentora do projeto “Enfermeira Vera”, um serviço dedicado ao apoio no pré e pós parto, a profissional de saúde diz que nas primeiras semanas a seguir ao parto “é preciso prevenir todas as alterações que nos forem possíveis (como banhos excessivos, por exemplo) e não interferir com o processo de proteção da pele”.

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Os banhos devem ser evitados

Apesar de o banho dos bebés ser uma das memórias mais presentes e queridas dos pais, é importante que estes momentos sejam pouco frequentes. De acordo com Vera Ortigão, o primeiro banho, por exemplo, deve ser adiado para 24 horas após o nascimento, idealmente. “Normalmente, nas maternidades, dá-se banho ao bebé no dia a seguir ao parto, mas é preciso esperar, no mínimo, 12 horas”, conta à MAGG a especialista, no final do evento de lançamento da nova linha Klorane Bebé, um conjunto de produtos com calendula biológica na sua composição dedicado à pele dos bebés. A profissional de saúde acrescenta ainda que este primeiro momento de higiene deve ser “rápido para a pele do bebé não arrefecer demasiado, e suave, com água — pode-se acrescentar um produto lavante, desde que não seja agressivo e seja adequado para a pele dos recém-nascidos”.

Vera Ortigão é a mentora do projeto "Enfermeira Vera", um serviço que presta apoio aos pais no período de pré e pós parto

Ricardo Gomes

No entanto, salienta que os banhos não devem ser evitados apenas nas primeiras semanas de vida das crianças e afirma que, até gatinharem, os bebés só devem tomar banho duas vezes por semana. “Os banhos alteram o ph da pele e, ao esfregá-la muitas vezes, vamos eliminando a camada protetora, que ganha ainda mais importância quando falamos de bebés”, explica Vera Ortigão, recomendando que os banhos de imersão sejam evitados ao máximo.

“É claro que quando os bebés começam a gatinhar se sujam muito mais e é mais complicado limitar os banhos. Mas os pais podem optar por fazer a higiene diária com água lavante, esfregar bem os joelhos e dar banho dia sim, dia não ou, idealmente, de dois em dois dias”, afirma a especialista, que é da opinião que “nem os adultos deviam tomar banho diariamente”.

A importância do vernix

Ao contrário do que se fazia no passado, em que o bebé era limpo ainda antes de ser entregue à mãe, cada vez mais as maternidades têm optado por não limpar os bebés aquando do nascimento (desde que seja esse o desejo dos pais) — e há uma razão para tal.

Tal como explica Vera Ortigão, a película esbranquiçada que envolve os bebés assim que estes nascem chama-se vernix e é a mesma camada protetora que os acompanhou dentro do corpo da mãe durante os nove meses de gestação. “O vernix é composto por 80% de água, proteínas, lípidos e substâncias antimicrobianas e, dentro da barriga da mãe, protege o feto da exposição à água e de ficar macerado com o liquido amniótico”, relata a enfermeira.

Após o parto, o vernix continua a ter uma importância vital. “A água, as proteínas e os lípidos vão ajudar a fornecer uma proteção à pele: esta camada não só ajuda a hidratar a pele dos bebés como a protege dos agentes agressores externos, infecciosos e ajuda a regular a temperatura do corpo”.

A enfermeira também chama a atenção para a necessidade de a pele dos mais pequenos se adaptar às mudanças a que é sujeita: “Quando o bebé nasce, ele vem do meio aquático e tem de se habituar a todo o meio ambiente. Nós vivemos num ambiente que não é propriamente puro, com poluição, com ar (algo que seca imenso a pele), e os bebés arriscam-se a perder imensa água — esta camada vai protegê-los muito e é importante que a consigamos manter na pele deles o máximo tempo possível, adiando o primeiro banho e optando por banhos de imersão suaves e menos frequentes”.

Os produtos para crianças não são adequados para bebés

É importante saber fazer esta distinção: se um produto for indicado para bebés, pode ser usado desde o nascimento até aos três anos; caso a indicação seja de criança, deve ser utilizado apenas a partir do terceiro ano de idade.

Higiene oral dos miúdos. “Há muitos pais que dão Panrico aos filhos e não sabem o quão mal isso faz aos seus dentes”

Para a enfermeira Vera Ortigão, esta é uma confusão comum a muitos pais. “Não gosto de chamar erro porque os pais fazem o melhor que sabem. Mas efetivamente há pais que têm filhos mais velhos, que já têm os seus produtos de higiene, e assumem que podem usar os mesmos em ambos os filhos”, relata a especialista.

Porém, há cuidados que deve ter na escolha dos produtos a adquirir para a higiene do seu bebé. Para além de ter a certeza de que são adequados para a idade, Vera Ortigão recomenda que os pais verifiquem sempre se os produtos são seguros, testados em laboratório e se passaram por um controlo pediátrico e dermatológico.

A nova linha Klorane Bebé, com ingredientes naturais na sua composição, tem produtos para banho, higiene diária, cuidado e muda da fralda compreendidos entre os 4,50€ e os 15,99€

Ricardo Gomes

“Os champôs (que devem ser utilizados nos bebés apenas duas vezes por semana) devem ser sem aditivos e testados oftalmologicamente — os bebés não têm o reflexo de piscar os olhos como os adultos e é necessário que o produto não seja agressivo para o campo oftalmológico”, salienta a especialista.

No entanto, apesar de existirem linhas ótimas e adequadas no mercado para os mais pequenos, nem sempre é necessário exagerar nos produtos. “Se a pele não estiver seca, não há necessidade de colocar creme hidratante todos os dias. A mesma coisa para o creme da muda da fralda: se a pele não estiver assada e não tiver qualquer agressão, não é preciso aplicar”, conclui Vera Ortigão.