“Pesadelo na Cozinha”. Almoçámos com o staff do Adiafa no dia a seguir

Houve telefonemas, uns para elogiar, outros para ofender, depois do programa. Mas não é isso que está a incomodar os donos do restaurante.

"O Pesadelo na Cozinha" transmitido a 23 de setembro decorreu no restaurante Adiafa, em Santarém.

Segunda-feira, 24 de setembro, e o Adiafa, em Santarém, está aberto? Surpresa. É costume os proprietários dos restaurantes que aparecem nos episódios de “Pesadelo na Cozinha”, que é transmitido ao domingo à noite, em horário nobre, passarem a manhã do dia seguinte no “Você na TV”, da TVI. Desta vez foi diferente. Aires e Adelina Pinheiro, marido e mulher, estão ali. Café servido e o primeiro pedido da MAGG é recusado sem apelo: não, não podia falar com o filho, Aires Filipe. Ele não estava ali e eles não só não facultariam o número como se recusavam a ligar-lhe para estabelecer o contacto. Adelina, que também é a cozinheira, é peremptória, a partir do balcão: “Não damos entrevistas”. Ponto. Final? Não.

A conversa não acaba ali. Convite para entrar na cozinha aceite, é fácil simpatizar rapidamente com Adelina Pinheiro. Está visivelmente perturbada com o que a comunicação social anda a escrever, sobretudo sobre a suposta relação familiar destruída, entre os pais e o filho Aires Filipe, que saiu mal visto do programa da TVI, que ameaçou o chef e que foi desafiado pelo mesmo para uma luta com luvas de boxe. No entanto, está pronta para esquecer e para andar com a vida para a frente, pondo em prática aquilo que Ljubomir Stanisic lhe ensinou, o que a leva a não arrepender-se de nada: “Eu gosto muito de aprender. Há coisas que continuo a aplicar, outras não.” Lurdes, amiga de longa data e, por vezes, copeira — já está reformada e vai dando uma ajuda—, vai consolando-a, dizendo-lhe para não ligar ao que os jornalistas escrevem ou dizem.

O telefone, conta-nos o casal, não pára de tocar, desde a noite anterior. Uns ligam para felicitar, outros seriam para ofender. Até de números anónimos lhes telefonam. Há comentários alusivos à falta de higiene, mas, pelo que vimos, a cozinha — que não sofreu qualquer remodelação por parte da produção do programa, que até deixou material danificado — está limpa, contrariamente ao que se observa em “Pesadelo na Cozinha”. Num tacho, Adelina prepara um refogado. “É bacalhau à brás. Pode ficar para comer”, convida Adelina.

Nem Aires Pinheiro nem Adelina escondem alguma insatisfação com a edição do programa, porque, dizem, só mostraram as partes más. Vários clientes deram testemunhos e só incluíram as opiniões negativas. “Mas o formato do programa é mesmo assim, como é que estão admirados?”. A pergunta ficou no ar. Já a equipa de produção não merece qualquer reparo: “Foi espetacular. Principalmente os câmaras. Foram sempre muito preocupados e puseram-nos sempre muito à vontade”, diz Adelina.

Aires Pinheiro é exatamente aquilo que mostrou ser no programa de domingo à noite. Descontraído, bem disposto e com uma veia de humor muito apurada, afirma que o filho está em Paris. “Foi tirar um curso. Um curso de cozinha na Sorbonne”. Está a brincar ou a falar a sério? Mostra uma fotografia, da véspera, em que todos jantam: os dois filhos, a mulher, a nora e os netos. “E ainda estamos à espera do terceiro”, revelou.

É Catarina, mulher de Aires Filipe, que está grávida novamente. Neste momento, nenhum dos dois trabalha no restaurante. Mas, ao que afiançam, não teve nada a ver com o programa. “Ele não se deu bem com o chef, mas isso não teve nada a ver”, garante Adelina.

Versão diferente têm os vizinhos. “Desde o programa que nunca mais o vimos. Desapareceu há uns tempos. Ele costumava passar aqui todos os dias no BMW”, assegura o proprietário de um café próximo, que acredita que “Pesadelo na Cozinha” está na origem do conflito familiar. “O pai é um tipo impecável. A mãe é boa cozinheira”, acrescentou.

É difícil de entender. Aires Pinheiro diz várias vezes que o filho está fora do País, embora sempre num tom dúbio, que nos faz duvidar sobre se está a ser irónico ou verdadeiro. “Já lhe disse. Está fora”, repete. Na vizinhança há quem diga que não o vê há semanas e que até será provável que Aires Pinheiro esteja a dizer a verdade. Porém, um empregado de uma oficina, conta que o viu há cerca de quinze dias.

Depois de algumas voltas por Santarém, conseguimos o contacto de Aires Filipe. A chamada foi curta. “Não estou interessado [em falar consigo], minha senhora”, disse, duas vezes seguidas, enquanto gradualmente levantava o tom de voz até desligar.

Desmontar a história de Aires Filipe não será, por agora, fácil. E, apesar de não estarem interessados em falar com a imprensa, a família que há décadas toma conta do Adiafa parece ser gente castiça e boa. Os dotes de Adelina na cozinha estão confirmados. Não nas mesas que recebem os clientes, mas na do staff do restaurante, onde a MAGG partilhou o saboroso bacalhau à Brás acabado de fazer.

“Aqui cada um leva o seu prato para a cozinha”, sorri Zé Narciso enquanto nos levanta o prato, no final da refeição.

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