Os 13 momentos mais WTF de Kanye West

Tem o melhor historial de polémicas da música atual. Invadiu discursos, declarou-se apoiante de Trump e abandonou concertos.

É cheio de polémicas que se contradizem, mas é um dos rappers e produtores mais adorados de sempre.

Kanye West poderá muito bem ser o melhor exemplo vivo de como a genialidade e a loucura se tocam. É o nome mais controverso do mundo da música atual, aquele que é capaz de se venerar e de se odiar ao mesmo tempo.

É também a prova de que o ser humano está cheio de contradições. Já mostrou ser o maior defensor de Beyoncé (ao ponto de invadir palcos e roubar microfones), mas também já a acusou de usar temas políticos para fazer música. Ataca George W. Bush por questões raciais, mas adora Trump, porque, afinal, a discriminação não importa e tem de ser uma não-questão. Mas também quer amar e perdoar, tanto que quis pôr na capa do trabalho “YE” a cara do cirurgião plástico que operou a mãe, um dia antes de esta morrer de complicações no pós-operatório. No final de tudo, assume que tem um transtorno de bipolaridade.

A data do novo álbum foi anunciada esta segunda-feira, 17 de setembro. A 29 deste mês será lançado o novo trabalho a solo do rapper e produtor, cujo nome oficial ainda está por ser desvendado, mas que pode vir a chamar-se “Yandhi”, uma mistura de “YE” com Gandhi. A propósito disso, reunimos 13 dos momentos mais polémicos do rapper.

Quando interrompeu o discurso de Taylor Swift em defesa de Beyoncé

Este foi o dia do ano de 2009 em que Kanye se estreou na arte de invadir palcos no momento errado. “A Beyoncé tem um dos melhores videoclips de todos os tempos [“All The Single Ladies (Put a Ring on It)”], disse o músico e produtor, a meio do discurso de Taylor Swift, que tinha acabado de receber o prémio na categoria de “Melhor Vídeo Feminino”, pelo tema “You Belong to Me”, nos MTV Video Music Awards.

Quando subiu ao palco e (quase) interrompeu o discurso de Beck

E alguns anos depois, a história repete-se. Mais uma vez, o rapper cede aos seus impulsos, ainda que mais controlados. Ao contrário do que aconteceu com Swift, a quem roubou o microfone, aqui Kanye apenas sobe ao palco, para logo a seguir desistir de estragar o discurso de Beck, que tinha acabado de vencer o prémio na categoria de “Melhor Álbum do Ano”, por “Morning Phase”, nos Grammys em 2015. O motivo era o mesmo: defender o trabalho de Beyoncé, que não levou o galardão.

Quando falou de Taylor Swift no tema “Famous” e ela respondeu

As tréguas pareciam feitas, tanto que Kanye se desculpou e enviou um ramo e flores a Taylor Swift. Só que depois o rapper lançou o álbum “Life of Pablo”, em 2016, onde vinha incluindo o tema “Famous”.

Na letra ouve-se:
“Fell like me and Taylor might still have sex
Why? I made that bitch famous”

(Sinto que eu e a Taylor ainda podemos ter sexo. Porquê? Eu fiz aquela cabra famosa).

Taylor Swift não gostou, apesar de o rapper ter revelado que ela tinha conhecimento da letra e que a tinha autorizado. No discurso dos Grammys, depois de ter recebido o prémio de melhor álbum do ano, deixou-lhe uma mensagem no seu discurso: “Para todas as jovens por aí: existirão sempre pessoas que irão tentar diminuir o vosso sucesso e levar crédito pelas vossas realizações ou pela vossa fama.”

A novela continua. O videoclip de “Famous” com os sósias despidos e as chamadas telefónicas

Quando tudo parecia resolvido, eis que surge o videoclip, com uma sósia de Taylor Swift despida, numa cama, acompanhada por sósias de Kim Kardashian, Donald Trump, Caitlyn Jenner e George W. Bush. A bomba rebenta quando, no seu reality show, Kim Kardashian expõe publicamente a chamada telefónica em que a cantora ouve o verso do tema “Famous” e autoriza a sua inclusão na canção.

Para se defender, Swift publicou no seu Instagram:

“Onde está o vídeo em que o Kanye diz que me vai chamar ‘aquela cabra’ na música dele? Não existe porque nunca aconteceu. Não tens o direito de controlar a resposta emocional de alguém que é chamado de ‘aquela cabra’ em frente ao mundo inteiro. Claro que eu quis gostar da música. Quis acreditar no Kanye quando ele me disse que eu iria adorar a música. Queria que tivéssemos uma relação amigável. Ele prometeu-me que ia mostrar-me a música mas nunca o fez. Embora, no telefonema, eu quisesse apoiá-lo, não posso ‘aprovar’ uma música que nunca ouvi. Ser falsamente apelidada de mentirosa quando não me foi dada a conhecer a história completa ou tomei parte desta música é destruição de personalidade. Gostaria muito de ser excluída desta narrativa, da qual nunca pedi para fazer parte desde 2009.”

Quando assumiu uma dívida de 36 milhões de dólares e dinheiro a Zuckerberg

Foi em fevereiro de 2016 que Kanye West assumiu publicamente que tinha uma divida de 36 milhões de dólares. A solução? Pedir um bilião ao gigante do Facebook, Mark Zuckerberg. O tweet dizia: “Mark Zuckerberg investe 1 bilião de dólares em Kanye West Ideias… depois de perceberes que ele é o melhor artista vivo e o melhor de todos os tempos.”

E continua: “Mark Zuckerberg eu sei que são os teus anos, mas podes por favor ligar-me amanhã… Adoras hip hop, adoras a minha arte… sou o teu artista preferido, mas mal me vês respirar e mesmo assim pões o meu álbum a tocar em tua casa. Mundo, por favor faz tweets, Face Times, Facebook ou Instagram [publicações], o que quiseres para que consigas fazer o Mark apoiar-me…”

O fundador do Facebook não respondeu diretamente, mas gostou de uma publicação de Steve Grimm que gozava com a situação. Dizia: “Querido Kanye West, se vais pedir ao CEO do Facebook um bilião, talvez não o devas fazer no Twitter.”

Quando se passou num concerto e abandonou o palco

Em 2016, depois de uma hora de atraso e de interpretar três temas num concerto em Sacramento, na Califórnia, Kanye abandona o palco, depois de um discurso de aproximadamente quinze minutos, de onde nasceram várias frases polémicas.

Falou mal dos temas que passavam na rádio, incluindo os de Drake. Beyoncé também foi uma das celebridades atacadas pelo rapper, que declarou que a cantora usava temas políticos para vencer prémios. Logo a seguir, foi Jay Z, amigo e colega de trabalho. Hillary Clinton, que tinha sido então uma das candidatas à presidência dos Estados Unidos, não ficou de fora, enviando-lhe uma mensagem: “Este é um mundo novo e a classe média americana mostrou-te como é que se sente.”

E logo a seguir foi internado

Pouco tempo depois, o breakdown nervoso. O rapper élevado de ambulância, alegadamente algemado para a sua própria segurança. Começa a receber tratamento para privação de sono e cansaço extremo. Fontes adiantaram ao “New York Post” que o rapper estava a sofrer de um surto nervoso, enquanto outros alegavam um burnout, fruto da gestão da carreira na música e marca de roupa.

Quando apoiou publicamente Trump

Num concerto em San José, na Califórnia, em 2016, Kanye West assume publicamente que não votou, mas que se o tivesse feito, o seu voto teria ido para o candidato e atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Pede ainda à comunidade negra que pare de se focar no racismo e que aceite que a América é um país racista. Em 2018, assume: “Eu amo Donald Trump”, diz a Ebro Darde, da rádio Hot 97.

O romance é espelhado no Twitter. Kanye declara-se e chama-lhe “irmão”. Trump responde.

Só que depois Kim Kardashian, a mulher, interfere:

O apoio a Candance Owens

A africo-americana conservadora, ativista e apoiante de Donald Trump tem o apoio de Kanye West, como ele mostrou no Twitter. Este foi um dos motivos que levou ao alegado fim da amizade entre os casais Kanye West e Kim Kardashian com Beyoncé e Jay Z.

Foi a comunidade negra que optou por ser escrava

Apesar de, em 2005, no decorrer de uma angariação de fundos na altura do furacão Katrina, ter declarado que o Presidente Bush não queria saber “das pessoas negras”, em 2018, depois de dizer que era “irmão” de Donald Trump, solta mais uma bomba: “Quando ouvimos falar de escravatura durante 400 anos… 400 anos? Soa-me a escolha”, disse à TMZ.

As reacções

As justificações de Kanye

“Para esclarecer. É claro que sei que os escravos não foram algemados e colocados num barco por livre arbítrio. O meu ponto é que nós permanecemos nessa posição, mesmo estando os números do nosso lado, o que significa que fomos mentalmente escravizados. (…) O motivo pelo qual eu sublinhei o ponto dos 400 anos é porque não podemos ser mentalmente aprisionados por mais de 400 anos. Precisamos de pensamento livre agora. Até esta declaração foi um exemplo de pensamento livre. Era apenas uma ideia. Mais uma vez estou a ser atacado por apresentar novas ideias.”

Quando assume em “YE” que pensou várias vezes em suicidar-se

“I Thought About Killing You” é um dos temas do ultimo álbum lançado pelo rapper, “YE”. E é um dos que mais traz ao de cima o lado vulnerável de Kanye. Ouve-se: “There were times that I contemplated suicide. I will not give up on life again. [Houve alturas em que contemplei o suicídio. Nunca mais vou desistir da vida].”

“Odeio ser bipolar, é incrível”

Pouco depois de lançar o álbum “YE” em 2018 — que diz na capa “Odeio ser bi-polar, é incrível” — o rapper assumiu que tinha um transtorno bipolar no programa Jimmy Kimmel Live.

No programa, Kanye diz que é importante falar abertamente sobre o assunto. “Sinto que sentes que ser bipolar é parte do que te torna brilhante, parte do que te torna em ti próprio e que tu vais atrás disso”, disse Kimmel.

A capa do álbum “YE” era para ser a cara do último cirurgião a operar a sua mãe

Um dia depois de ter sido submetida a uma operação plástica feita pelo médico Jan Adams, em 2007, a mãe de Kanye West morreu. Porque queria “perdoar e parar de odiar”, a capa do álbum “YE” seria da cara do cirurgião que, numa carta, pediu que o rapper não o fizesse, agradecendo, no entanto, o gesto.

Na carta pode ler-se: “Obrigada por te lembrares de mim para a capa do novo álbum. É simpático da tua parte. Infelizmente, tenho de recusar e pedir que pares e desistas de usar a minha fotografia ou qualquer imagem minha para promover o álbum ou qualquer um dos teus trabalhos. Não quero parecer ingrato… Só acho que se, de facto, esta conversa sobre amor é genuína, então é desapropriado arrastar a negatividade do passado com ela (…) Estou impressionado por quereres ‘perdoar e parar de odiar’. É impressionante. Mais de nós deviam adotar essa filosofia.”

No Twitter, o rapper respondeu: “Isto é incrível. Muito obrigada por por esta ligação, irmão. Mal posso esperar para me sentar contigo e começar a sarar.”

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