Os melhores e piores momentos dos Emmys que teve um pedido de casamento em direto

"A Guerra dos Tronos" ganhou sem surpresas e os apresentadores foram aborrecidos. Bastou "The Americans" para salvar a noite.

Um dos momentos da noite foi ver Matthew Rhys levar o Emmy para casa pelo seu papel em "The Americans"

Getty Images

Não é a cerimónia dos Óscares, não há envelopes trocados e vencedores enganados ou uma euforia contagiante capaz de rebentar com as redes sociais. Apesar disso, é uma das noites mais aguardadas do ano para a televisão norte-americana. Falamos da cerimónia dos Emmys — que este ano foi meio aborrecida e que não trouxe nenhuns momentos espetaculares dignos de memes, piadas ou graçolas. As séries “A Guerra dos Tronos”, “The Handmaid’s Tale” e “Westworld” lideravam as nomeações e, sem surpresa, quase todas as previsões se vieram a confirmar.

Mas também houve espaço para algumas surpresas e momentos interessantes e até hilariantes. Desde um discurso de vitória que, de repente, se transformou num pedido de casamento em direto à ineficiência dos apresentadores da cerimónia, a MAGG reuniu os melhores e piores momentos da 70.ª Cerimónia dos Emmys.

Os melhores momentos

Finalmente alguém reparou em “The Americans”

Quando a MAGG pediu a várias figuras públicas que escolhessem as suas séries preferidas até então, “The Americans” recebeu elogios de Pedro Boucherie Mendes, diretor da SIC Radical e Diretor de Planeamento Estratégico do grupo Impresa, que disse ser uma das melhores séries de sempre. “É daquelas que vemos mas não comentamos nos nossos jantares e encontros com amigos porque achamos que mais ninguém a segue”, e tão bom que é finalmente vê-la reconhecida com um Emmy.

Apesar de não ter ganho o prémio de Melhor Série Dramática (esse foi, sem surpresas, para “A Guerra dos Tronos”), foi atribuído ao ator Matthew Rhys (“À Procura de Uma Estrela”) o prémio de Melhor Ator em Série Dramática pelo seu papel enquanto espião soviético nos Estados Unidos. Trememos de medo durante o anúncio dos nomeados, já que não havia mais ninguém que merecesse tanto ganhar como Rhys, mas finalmente fez-se justiça.

O prémio de Melhor Série de Comédia foi para uma série em streaming

“The Marvelous Mrs. Maisel”, criada por Amy Sherman-Palladino (“Gilmore Girls”) ganhou o prémio de Melhor Série de Comédia numa altura em que a concorrência era fraquinha. Mas não queremos, de forma alguma, tirar o mérito à produção da Amazon que revelou ser uma das séries de comédia mais inteligentes e bem feitas desde 2017.

Melhor do que isso, só mesmo o facto de ter sido a primeira série de um serviço de streaming a ganhar um Emmy. Os chakras alinharam-se e quase que se fez justiça por todos os piores momentos dessa noite.

Thandie Newton de “Westworld” bateu três atrizes de “The Handmaid’s Tale”

O prémio de Melhor Atriz Secundária foi para Thandie Newton (“Colisão”) pelo seu papel em “Westworld”, da HBO. A concorrência era forte e era composta por Alexis Bledel (“Sin City: Cidade do Pecado”), Ann Dowd (“Obediência”) e Yvonne Strahoviski (“Dexter”) — todas elas de “The Handmaid’s Tale”.

Newton é uma das grandes responsáveis pelo caos que se instaurou no universo ficcional e distópico da série da HBO e se na primeira temporada a atriz já tinha demonstrado que tinha estaleca para uma produção daquele nível, na segunda só reafirmou o seu valor. A vitória foi justa e surpreendente.

Houve um pedido de casamento em direto e foi fofinho e inesperado

Glein Weiss ganhou um Emmy pela cerimónia de entrega dos Óscares, em março, mas conquistou todo o público quando a meio do discurso de vitória o transformou num pedido de casamento. “Porque achas que não te descrevo como minha namorada?”, perguntou a Jan Svenson, a sua companheira de longa data.

“É porque quero chamar-te minha mulher”. O realizador ajoelhou-se, a sala foi levada ao rubro e o Twitter explodiu — tudo numa questão de segundos.

Os piores momentos

“A Guerra dos Tronos” ganhou o que havia para ganhar (e já estamos a bocejar)

“A Guerra dos Tronos”, da HBO, não surpreendeu ninguém ao ganhar o prémio de Melhor Série Dramática pela sua sétima e penúltima temporada. Apenas a um ano de chegar ao fim, a série de fantasia baseada nos livros de George R.R. Martin (“Nightflyers”) é já um dos clássicos da televisão, mas a qualidade tem-se vindo a perder ao longo dos episódios. Atribuir um Emmy à série de fantasia e de ficção científica é como dar um Óscar ao filme “La La Land: Melodia do Amor” — é aborrecido, expectável e não necessariamente merecido. Só que neste caso, infelizmente não houve erro nenhum e “A Guerra dos Tronos” ganhou mesmo quando “The Americans” estava a piscar o olho ao Emmy para aí desde 2014.

Os apresentadores Colin Jost e Michael Che não funcionaram

Bem sabemos que na cerimónia de entrega dos Emmy não há aquela euforia e excitação que vemos os Óscares. Mas talvez não seja boa ideia descurar na apresentação só por causa disso. Diretamente do “Saturday Night Live” para a cerimónia, Colin Jost (“Como Ser Solteira”) e Michael Che (“Guerra”) pareciam perdidos e sem saber muito bem o que fazer quando se dirigiam ao público. Faltou-lhes carisma, graça, presença e relevância, ainda que pelo meio tenha existido algumas piadas bem metidas — como quando gozaram com as audiências cada vez mais reduzidas da cerimónia de entrega dos prémios.

Durante o resto da cerimónia foram aborrecidos e desinteressantes, lamentamos.

A primeira grande (e má) surpresa

Na altura de apresentar os nomeados e a grande vencedora ao prémio de Melhor Atriz Num Telefilme ou Série Limitada, estava a ser preparada a primeira grande e pior surpresa da noite. Regina King (“Ray”) ganhou o prémio pelo seu papel em “Seven Seconds”, da Netflix, e pela primeira vez foi possível acreditar que a vencedora estava verdadeiramente chocada e incrédula com o que tinha acabado de acontecer.

É que, na verdade, era Laura Dern (“Um Coração Selvagem”) a vencedora expectável pela sua prestação em “The Tale”. Mas não foi isso que aconteceu e é pena porque Regina King não merecia, de todo, o Emmy.

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