Marta Melro. “Sinto-me melhor agora aos 33, do que me sentia aos 23”

A atriz é a segunda convidada da rubrica "Mulheres Que Inspiram", uma parceria entre a MAGG e a Magnolia Jewellery. Leia a entrevista.

Marta Melro é uma mulher que faz tudo. É artista desde sempre, é modelo, e atualmente está na casa de todos como uma personagem de “A Herdeira”, novela líder de audiências da TVI. É apaixonada por animais, doida pelo seu cão e obcecada com a organização. Numa conversa inspiradora, Marta Melro revela-nos detalhes de como começou a sua carreira, fala-nos do sonho de ter o seu negócio e partilha algumas dicas de beleza que vem herdando das gerações anteriores.

Marta Melro é a segunda convidada da Magnolia Jewellery e da MAGG na rubrica “Mulheres Que Inspiram”. Leia a entrevista de vida em que ela fala da carreira, futuros filhos, estética, saúde, e claro, de jóias.

Imagine a Marta Melro miúda, pequenina. Ela via numa bola mágica a Marta Melro de hoje, uma mulher com 33 anos, protagonista de novelas, locutora, cheia de projetos. O que é que ela sentiria? Que tinha cumprido um sonho?

Eu não esperava que a minha carreira seguisse pelo lado da representação. Aliás, quando era miúda, era se calhar um bocadinho ansiosa, porque não imaginava exatamente o que queria fazer. Sentia que me satisfazia com pouco, e quando digo pouco, nada tem a ver em ser conhecida, ou querer ser rica, nada a ver com este género. Não conseguia visualizar o que me poderia fazer completamente feliz. Portanto, hoje em dia, tenho a certeza que a Marta menina teria o maior orgulho de eu ter encontrado o que me faz realmente feliz.

Mas dizia que queria ser médica, enfermeira, atriz, bailarina, essas coisas que as miúdas dizem?

Dizia que queria ser arqueóloga e bióloga. Mas depois a minha professora de Ciências na época, que era bióloga, tirou-me isso da cabeça, e uma professora de História, que era arqueóloga, também me tirou isso da cabeça. Após isso, o que eu realmente queria fazer era Psicologia, o que não deixa de fazer sentido na minha profissão. É conhecer pessoas, entender pessoas, uma boa cabeça é meio caminho andado para muita coisa.

Com isso tudo como é que chegou a representação? Em que momento em que surgiu a oportunidade de trabalhar como atriz?

Há uns anos, trabalhava como manequim e estava longe da minha ideia ser atriz. Aconteceu por acaso. Estava num desfile em Lisboa, perdi o comboio e a agência em que estava na altura sugeriu que eu fosse fazer um casting para os “Morangos Com Açúcar”, que na altura eu nem fazia ideia do que era. Fui lá, mas muito perdida, desorientada, sem saber muito bem o que eu ia fazer. Só que mais tarde alguém da agência ligou-me a dizer que tinha sido escolhida. Na altura, não estava muito bem a perceber o que me estavam a dizer. Tinha de ir a Lisboa e tudo. Os meus pais basicamente riram-se. Nunca pensei que eles iriam deixar-me, aos 17 anos, fazer uma coisa dessas. Tinha acabado de entrar na faculdade e eles deixaram que eu congelasse a matrícula. E aquilo foi uma paixão à primeira vista.

Ainda se lembra da primeira vez que viu a sua cara na televisão?

Foi horrível, péssimo. Nunca fui muito confiante, mas sentia-me confortável comigo. A moda entrou na minha vida desta forma, para aumentar a minha confiança. E quando me vi pela primeira vez na televisão achei que era muito má atriz, achei a minha imagem horrível, tudo era horrível, mas estava motivada a mudar o que conseguisse.

Já teve alguma má experiência enquanto atriz?

Sim, uma vez em que fiz dobagens para um filme. Nunca mais quis repetir. Foi logo na altura dos “Morangos”. Estava tão, mas tão nervosa. O filme vinha numa língua qualquer latina, com as legendas em inglês, e eu tinha de estar a dobrar para português. Entrei em pânico, fiquei muito envergonhada, e foi espécie de um trauma.

Acontece-lhe muito aquela coisa de as pessoas te confundirem com a personagem que interpretas numa novela?

Ainda ontem isso me aconteceu. Até postei uma foto. E fizeram uma pergunta e um comentário giro, de uma pessoa que me disse “Eu vejo a Marta há tantos anos, e eu acredito tanto no papel, que não faço ideia como deve ser a Marta de verdade”. Eu por muito tempo andava na rua, as pessoas sabiam o nome da personagem, mas não sabiam o meu nome, e eu adorava isso. Porque a ultima coisa que eu quero é as pessoas falarem “Olha a Marta a fazer aquela pessoa.” Eu quero mesmo ser reconhecida por aquela personagem, e não por aquela pessoa que faz alguém, um papel.

 Chegou a fazer alguma formação em representação?

Na altura não, mas eu tive a melhor formação possível: trabalhei seis anos seguidos e ininterruptos, portanto tive a melhor escola que alguém pode ter, que é a prática do trabalho. Sai dos “Morangos” e logo a seguir fiz uma novela, depois fiz outra.

Com quantos anos começou a trabalhar?

Comecei com 15, mas só aos 17 é que fui para Lisboa.

Mas a Marta é de onde?

Do Porto.

Depois da televisão, claro, vieram convites para o cinema e o teatro. Porque é que não aceitou?

Sim, recebi vários convites. Não os aceitei porque me sentia pouco preparada, não queria falhar, porque respeitava demasiada a profissão para poder embarcar num projeto sem todos os cuidados. Portanto, depois é que fui fazer formação.

Chegou a terminar a tal licenciatura?

Até hoje, continuo a ter a matrícula congelada. Um dia espero ter tempo de voltar a estudar, ou então não. Porque se calhar o dia que eu tiver tempo para fazer um curso de três ou quatro anos é mal sinal.

Mas se pudesse escolher um curso para fazer hoje qual é que seria?

Eu tirava o curso que queria fazer no início, que era Marketing e Publicidade.

Bom, sua paixão é o trabalho, mas a Marta tem paixões fora do trabalho. Tem algum dom só seu que as pessoas não conheçam?

Eu tenho o dom da organização. Eu sou muito organizada, os meus amigos dizem-me sempre meio a brincar que se a minha profissão não der certo, devo ser personal organizer. E faço isso com outras pessoas: organizo o closet das minhas amigas, é uma terapia para mim.

A sua casa está sempre toda organizada, então.

Até a minha desorganização é organizada. Costumo dizer que até o meu lava-loiças está organizado antes de a louça ser lavada. E acontece instintivamente, está sempre tudo alinhadinho, sou muito organizada mesmo. Eu sou muito distraída, e eu acho que no meu subconsciente, eu compenso com isso, com essa organização exagerada.

E tem alguma atividade que gosta de fazer?

Quando era miúda sentia-me totalmente com falta de talento, deixei-me dessas coisas. Gosto de escrever. Há muitos anos que escrevo.  E metade do meu tempo é dedicado ao meu animal, e ao máximo que eu puder de animais. Aliás, hoje o meu dia foi todo a correr, e entre os intervalos, eu guardava um tempo para estar com ela, almoçar numa esplanada com ela.

É uma cadelinha só?

Sim, minha vida já é toda em função dela, não daria para ter mais.

A Marta gosta muito de mudanças, está sempre a mudar o cabelo, o visual em geral. Também é assim na vida? Gosta de novos desafios?

Gosto. O look é um reflexo da minha personalidade. Já mudei muitas vezes de casa. E quando mudo de casa, olho para ela e penso: “vou mudar tudo”. E quando meto uma coisa na cabeça faço tudo rápido. Não gosto de deixar para amanhã, e com os meus visuais é a mesma coisa. O look no geral, não só o cabelo, mas a maneira como eu me visto, muda muito. Então, se calhar, já era um sinal da profissão que eu queria ter. Porque é muito versátil, e sem eu saber, já era um sinal do que deveria vir por aí.

Tem um lado power woman, e é uma influência positiva para muitas mulheres que a acompanham, não só no lado profissional, mas até através do Instagram. Tem vontade de um dia lançar o seu próprio negócio?

Tenho. Gostava de ter uma escola. Quando era miúda tive formação numa escola de moda que já não existe, onde davam um curso fabuloso. Nunca mais apareceu nada do género. Era uma escola que conciliava representação, maquilhagem, moda, castings. Eles não se preocupavam só em ter uma cara bonita, mas sim em ter pessoas capazes de enfrentarem um mercado de trabalho de forma consistente, e eu gostava muito um dia de ter um projeto deste género. Pegar na pessoa do início, e ensinar-lhe tudo, não só como ficar bonita numa fotografia, mas lidar com todo o processo que envolve a produção. Acho que é uma lacuna grande no mercado.

E projetos de vida pessoais? Também existem? Quer muito casar, ter filhos, essas coisas?

Sou profundamente provinciana. Eu quero uma casa no campo, cheio de miúdos a correr e de cães. Não sei se casada, mas quero ter animais e crianças, e eu no meio.

Embora tenha uma vida agitada, imagino que com a profissão que tenha seja obrigada a ter de trabalhar o corpo, fazer exercício, ter cuidados de beleza com a pele. Tem esses cuidados?

Por mais que tenha um ritmo muito acelerado, há sempre tempo. Eu era das que davam desculpas como “ah, estou muito cansada, trabalho muito”. A verdade é que eu não fiz nada durante 15 anos e até para colocar um creme à noite era complicado. Durante todo esse tempo, era só desmaquilhante e um creme hidratante. Mais nada. Eu fui atleta durante muito anos, e o facto de não ter tendência para engordar faz com que as pessoas relaxem, porque não se sentem tão mal com isso, e vão deixando estar. É péssimo. Eu sentia medo do futuro se eu continuasse a não cuidar de mim. Mais que tratar de mim agora, estou a tratar de mim nos próximos 10 anos. Eu sinto-me melhor agora aos 33, do que me sentia aos 23. Mas muito melhor. Mas nada a ver com aspeto físico, mas com capacidade física, que eu sinto hoje. E até mental. Faz toda a diferença.

Praticou desporto durante muito tempo?

Até os meus 18 anos, fui atleta de alta competição, jogava andebol. Quando cheguei a Lisboa, parei completamente, com exceção de três meses de vólei intensivo de praia para preparação de uma personagem.

Quantas vezes por semana costuma treinar?

Pelo menos três. Vou adaptando os meus horários. Eu gosto mais ao fim do dia. Embora saia melhor de manhã.

Ainda neste mundo fitness: como é a sua alimentação? É daquelas pessoas que levam uma marmita com toda a comida do dia preparada?

Eu comida tudo, comia mesmo muito mal. Comia um pacote de batatas fritas todas as noites, acabava com o estoque de todas as guloseimas do estúdio, tudo o que tinha direito, eu comia. Continuo a comer porcarias de vez em quando, não me condiciono, mas preparo mais em casa. Acho que tudo começa no supermercado, e naquilo que temos mais perto. Porque quando temos fome, e um ritmo agitado, pegamos a primeira coisa que nos aparece à frente. E qualquer coisa serve.

Agora acho que vou começar a andar com as marmitinhas, mas tenho pouco tempo e pouca paciência para as preparar. Acho que refeição é um momento de comunhão, então eu gosto de comer com várias pessoas, e quando como sozinha, tenho preguiça de fazer comida só para mim.

E com o corpo, quais são os seus cuidados? És daquelas malucas dos cremes, com cremes para tudo?

Durante muitos anos, fazia uma rotina, além de desmaquilhante e creme hidratante, tinha uma única rotina, que era no fim do banho, passava um óleo, aqueles de bebé, ou de coco. Aquelas coisas simples. Quando chega a altura do verão, tenho mais rotinas com cremes de corpo. Não gosto muito de usar perfumes, prefiro o cheiro dos cremes, do aroma das frutas. Tenho muito cuidado com a proteção solar, uso muito protetor.

O que considera imprescindível na sua rotina? Algum segredo de família?

É esse cuidado com o óleo, que vem da minha mãe, que tem uma pele incrível, e nunca ousou nada mais do que óleo e água de rosas. E sou viciada em batom hidratante.

Basta olhar para o seu Instagram para perceber que é muito feminina. Gosta de jóias?

Gosto muito. Sempre gostei muito de acessórios. Desde a minha mãe, que é uma pessoa muito feminina, e o meu pai, que é uma pessoa que sempre incentivou isso nas mulheres. Na minha mãe, em mim.

Quantos são vocês em casa?

Somos quatro irmãos, mas os meus irmãos nem sempre viveram comigo. Eu, o meu pai e minha mãe somos muito ligados. E eu sempre fui a dor de cabeça da casa, porque os meus irmãos sempre foram muito regrados, e fizeram tudo muito certinho, com seus empregos muito certinhos, e eu sempre fui mais desligada disso, desde miúda. Até hoje, os meus irmãos perguntam aos nossos pais como é que eles me deixaram fazer tudo o que eu fiz.

Tem algumas jóias a que é mais apegada? Jóias de avós, coisas de família?

O colar de pérolas e a aliança da minha mãe. Ela tem uma mão lindíssima e os dedos muito finos, e normalmente os anéis que nós temos, partilhamos uma com a outra porque não servem a mais ninguém, é difícil arranjar anéis do nosso tamanho. Eu pedia-lhe sempre a aliança, e obviamente que ela não deixava porque era de casamento. E quando os dedos da minha mãe engordaram ligeiramente, ela deixou de usar a aliança, e agora é minha. Essa eu não uso, mas o colar de pérolas uso muito.

Conteúdo produzido pela Magg Lab e patrocinado por:

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. leitor+magglab@magg.pt