É no deserto de Black Rock, no estado do Nevada, nos Estados Unidos, que decorre anualmente uma das festas mais loucas do planeta. A popularidade do é tal Burning Man que já chamou a atenção de várias celebridades como Paris Hilton, as supermodelos Alessandra Ambrosio, Karlie Kloss e ainda o anjo português da Victoria Secret, Sara Sampaio — que esteve presente na edição do ano passado na companhia do namorado, Oliver Ripley.

Na sua página de Facebook, descreveu o festival como “uma das experiências mais incríveis” da sua vida.

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Nomes do mundo empresarial também já fizeram parte desta comunidade, como os fundadores da Google, Sergey Brin e Larry Page, que chegaram a incentivar os funcionários da empresa a participar, o CEO da Tesla, Elon Musk, e ainda Mark Zuckerberg, o co-fundador do Facebook. Neste último caso, porém, e, segundo a “Vogue“, o empresário fez apenas uma visita breve.

O festival com 32 anos de existência começou a receber acima de 50 mil pessoas a partir de 2011. Nos últimos cinco anos, o número aumentou para 70 mil, sendo que vêm pessoas de todo o mundo e várias delas são repetentes. A aventura no deserto tem uma duração de nove dias, onde os participantes vivem num ambiente de contracultura e regem-se por princípios como a inclusão, a autoexpressão, a responsabilidade cívica e a autossuficiência.

É um espaço onde há a liberdade de cada um ser ser quem quiser e ao mesmo tempo de ganhar também uma noção do que é viver com mantimentos alimentares limitados. Cada pessoa tem de se preparar para toda a estadia, pois no festival não há telemóveis, dinheiro, nem lojas para se comprar seja o que for. Já para não falar das temperaturas, cujos dias podem passar de um calor abrasador para o ventos fortes, chuvas e tempestades. No final de contas, são assim os dias no deserto.

Mas o que torna afinal este evento tão especial? Tudo. Não há nada que se pareça ao conceito nem ao ambiente vivido no Burning Man, que o diga a Sara Salgado, o Kiko Campos Costa e a Raquel Strada. A MAGG foi falar com portugueses que estiveram no festival, tanto em edições passadas como este ano, para tentar perceber como é realmente estar no recinto desértico e viver o espírito do Burning Man.

A atriz Sara Salgado, tal como o empresário Kiko Campos Costa, foram estreantes este ano no festival que decorreu entre 26 de agosto a 3 de setembro. Agora de regresso dos Estados Unidos, saíram de Black Rock com uma experiência única que certamente nunca esquecerão.

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Para Sara Salgado, não é fácil explicar por palavras a experiência, tendo em conta que só quem esteve lá é que realmente percebe. “Cada um cria uma visão diferente e única acerca do Burning Man, por isso a minha experiência vai ser sempre diferente da de qualquer outra pessoa”, conta à MAGG. “O facto de haver tanta coisa a acontecer simultaneamente possibilita a escolha das atividades que mais têm a ver connosco, desde música, arte, jogos, gastronomia, meditação, ioga…”.

A curiosidade de ir ao festival surgiu depois de ver partilhadas fotografias fora do comum e saber que os melhores DJ de música eletrónica costumam marcar presença. Mas foi também por ser um ambiente que oferece oportunidades diferentes do tudo o que já viu: “Tenho amigos que foram várias vezes e que me explicaram que o Burning Man é muito mais do que um festival de música, é uma cidade construída do nada no meio do deserto.”

Kiko também é um grande fã de música eletrónica. Mas para o empresário, o festival representa principalmente a liberdade, a imaginação, a loucura e a inspiração. “O facto de ser uma cidade instalada no deserto, com acesso limitado a recursos naturais, a dormir numa autocaravana durante todo o tempo, torna a experiência mais difícil para quem não tem espírito de aventura. Mas mesmo assim, achei que é bem mais fácil sobreviver se a pessoa gostar de música eletrónica”.

“As pessoas acreditam que é ali, no festival, que vão conhecer o seu ser interior”

A atriz e apresentadora Raquel Strada marcou presença na edição de 2016, enquanto viajava pelos Estados Unidos. “As pessoas acreditam que é ali, no festival, que vão conhecer o seu ser interior. Tanto que à entrada há várias barreiras de controlo, com homens nus que te dizem ‘Welcome Home’”.

As melhores recordações que traz são as pessoas holísticas e a forma como o festival funcionava por trocas: “[As pessoas] davam e tu contribuías com uma garrafa de água, um abraço ou uma peça de roupa.” Mas também trouxe consigo uma experiência importante: “Sinto que conheci uma realidade bastante diferente da do meu dia a dia. Cinquenta graus durante o dia e imensa sede. Tens de aprender a poupar os recursos naturais e a escassez desses são realmente uma experiência muito marcante”.

O festival é também conhecido pela sua excentricidade. Os carros ao estilo de Mad Max, os outfits e os acessórios dão a sensação de ambiente um pós-apocalíptico e são o que se destaca nas fotografias que são todos os anos partilhadas principalmente nas redes sociais. Por outro lado, é marcado também por experiências únicas que valem a pena recordar.

“Conheci uma senhora que vai ao Burning Man desde o início e que, como não tem muito dinheiro para pagar o bilhete, contribui com os carros alegóricos que constrói. Passa o ano inteiro a fazer o carro para levar para o festival e a organização convida-a a participar porque ela dá o seu contributo. É surreal, mas é fantástico, por aqui já conseguimos perceber o tipo de filosofia deste festival.”

Sara Salgado recorda a paisagem surreal numa das noites do festival: “Fomos passear pela primeira vez na deep playa [área onde acontecem a maioria das raves eletrónicas] durante a noite e deparámo-nos com um cenário do outro mundo, onde as luzes, cores e sons se misturavam, numa zona longe dos acampamentos onde não existia eletricidade e tudo tinha luz própria, as bicicletas, as pessoas, as instalações de arte e os carros com música. Soube nesse momento que todas as horas que viajei, com escalas, jet lag e horas mal dormidas, valeram a pena”.

Como é costume, no fim do festival há a queima de uma escultura gigante de um homem de madeira, que remete para o nome do próprio festival. Esta tradição foi o que deu origem ao conceito, quando os co-fundadores Larry Harvey e Jerry James, queimaram uma escultura de madeira na praia em São Francisco, ao qual Harvey descreveu como um ato de “autoexpressão radical”.