Assim que fizemos a curva para entrar no parque de estacionamento da marisqueira Ribamariscos batemos com o nariz da porta. Estava encerrado para descanso, tal como todos os outros estabelecimentos que vão aparecendo neste estrada nacional que liga a Ericeira a Ribamar. A missão passava por visitar o primeiro restaurante em que o chef Ljubomir Stanisic interveio, na segunda temporada do programa da TVI “Pesadelo na Cozinha”, que estreou este domingo, 9 de setembro.

Mais do que conhecer o espaço, queríamos saber mais pormenores sobre a história que quase levou este negócio, atualmente dirigido por José Augusto, à falência. No programa, o proprietário revelou que teve graves problemas com um dos dois sócios anteriores — nas palavras de José Augusto, “meteu a mão na carteira dos clientes”. 

Desanimámos, mas só até chegarmos ao café Vitória. Foi aqui conhecemos Russo, que nos pediu que não adiantássemos mais pormenores sobre a sua identidade. Depois de cinco minutos de conversa, montámos um puzzle que nos levou às pessoas certas. O mistério estava prestes a ser resolvido.

“Pão fresco à porta, todos os dias, sem sair de casa”. Será esta a mensagem escrita na carrinha que Paulo Martins dirige todo os dias, para entregar pão e bolos entre o Barril, em São Julião, o Carvoeiro, a Ericeira, a Fonte Boa da Brincosa, a Fonte Boa dos Nabos e São Isidoro.

“Depois para. Não pode subir mais porque já o conhecem e sabem que engana as pessoas”, revela à MAGG uma fonte que pede para não ser identificada. A pessoa em questão é o tal ex-sócio de José Augusto. Transmontano e na casa dos 40, o seu caminho diário prossegue depois entre a Lagoa e a Pedra Amassada. “É um vigarista. Do pior que há. Em vez de vender um croissant a 0,90€, é capaz de cobrar 1,20€. Entrega o dinheiro ao patrão e fica com o que sobra”, explica. “Se for preciso, ainda para em casa e deixa lá algumas coisas.”

“Pesadelo na Cozinha”. Tudo o que precisa de saber se viu (ou não viu) o primeiro episódio

A sua reputação começou no Ribamariscos e estende-se ao seu trabalho atual. “Tem péssima fama”, diz outra fonte que pede que a identidade seja protegida. “Gamava tudo”, diz, numa alusão ao seu trabalho no Ribamariscos, que abriu portas há sete anos e se manteve até hoje com o mesmo nome e conceito.

Ele roubava à casa e aos clientes. Punha coisas a mais nas contas”

Ao que a MAGG apurou, toda a gente é da opinião que foi Paulo Martins quem quase levou o negócio à falência. “Davam-lhe o dinheiro para ir pagar a água e a luz e ele ficava com tudo”, conta. “Já aconteceu o Zé Augusto chegar lá [ao restaurante] e não ter eletricidade.” À MAGG, o atual proprietário do Ribamariscos confirma este episódio.

As rendas do primeiro andar que os sócios subarrendavam também ficavam, alegadamente, na mão de Paulo Martins.

As rendas também eram um problema. Além de ficar por pagar o aluguer do espaço onde fica o restaurante, havia o problema do andar de cima, que os sócios subarrendavam. “O rapaz que arrendava a casa pagava-lhe [a Paulo Martins] e ele ficava com o dinheiro todo”, adianta uma das fontes.

Fernando (ninguém sabe o seu apelido), o terceiro sócio, ao ver o negócio a afundar-se, terá sido o primeiro a ir embora. Depois foi Paulo Martins. Ficaram por pagar as rendas e vieram as dividas à Segurança Social e às Finanças. Afinal, o restaurante não faturava. Só dava prejuízo. Ao que apurámos junto de José Augusto, Paulo Martins tirava regularmente dinheiro da caixa.

Os clientes do restaurante também seriam enganados pelo antigo sócio da Ribamariscos. “Ele roubava à casa e aos clientes. Punha coisas a mais nas contas”, revela uma das fontes. A MAGG entrou em contacto com Paulo Martins que negou todas as acusações, dando a entender que mantém a amizade com José Augusto. “Eu e o Fernando também estamos a pagar as dividas à Segurança Social e às Finanças”, disse. José Augusto confirmou.

Onde tudo começou, a boa reputação de José Augusto e o lado mau de “O Pesadelo na Cozinha”

A história de José Augusto e de Fernando começa no atual Hotel Vila Galé, o antigo Hotel Turismo da Ericeira, revela o proprietário da Ribamariscos. Paulo Martins entra nesta história quando os três se encontram a trabalhar, em simultâneo, na marisqueira Ribas, na Ericeira. Foi daqui que rumaram a Ribamar, para abrirem um negócio próprio. Deste restaurante no centro da vila, entre a praia do Pescador e o Jogo da Bola, saíram a bem, com boa reputação.

Eram os três muito bons trabalhadores”, disse à MAGG um dos funcionários da marisqueira — mas só depois de confirmar que não vínhamos da parte da Polícia Judiciária, estranhando as nossas perguntas. “O José Augusto era cozinheiro e o Paulo e o Fernando trabalhavam na sala.”

O restaurante está com um ar mais fresco, mas os acabamentos estão péssimos. Há fios de eletricidade pendurados e a tinta era tão reles que eles pintaram de azul, mas o branco continua a ver-se por baixo”

“Pesadelo na Cozinha”. As piores críticas ao Ribamariscos, o primeiro restaurante do programa da TVI

Todas as pessoas com quem nos cruzámos têm um carinho especial por José Augusto. A sua comida é elogiada, ao ponto de considerarem o restaurante o melhor de Ribamar. “É uma pessoa muito boa, muito séria e muito trabalhadora. É muito bom cozinheiro e a mulher [Palmira] é uma excelente doceira. São pessoas impecáveis”, diz uma das fontes. O problema, disse-nos uma das pessoas com quem falámos, está mesmo no serviço. “Precisam de gente em condições. A Carla não faz nada. E o Joaquim é para esquecer.”

Mas parece que existe um Ribamariscos antes e depois de “Pesadelo na Cozinha”, que terá sido gravado há cerca de dois meses. O serviço está melhor e José Augusto já controla mais aquilo que acontece fora da cozinha. “Já vem mais vezes cá fora”, notou uma das fontes.

Porém, há diga que a intervenção de Ljubomir Stanisic era desnecessária porque houve aspetos que tornaram o espaço pior. “O restaurante está com um ar mais fresco, mas os acabamentos estão péssimos. Há fios de eletricidade pendurados e a tinta era tão reles que eles pintaram de azul, mas o branco continua a ver-se por baixo”, diz uma das fontes.

Por último, podemos ter encontrado o motivo pelo qual Benjamin gosta de alternar entre o português e o inglês. “Ele trabalhava nos cruzeiros”, conta a mesma fonte. Mas falta confirmar. Essa história fica para depois.