Viver sem plástico é possível e nós dizemos-lhe como

Fraldas de pano, champô sólido e copo menstrual. O livro "Viver Sem Plástico" apresenta técnicas que ajudam a reduzir o uso de plástico.

Trocar as garrafas de plástico que acabam no lixo por uma reutilizável e mais duradoura é um dos passos para reduzir o plástico usado no dia a dia

  • “450 anos é o tempo que uma garrafa de plástico demora a decompor-se no mar”;
  • “90% das aves marinhas têm plástico no estômago”;
  • “Um camião de lixo cheio de plástico entra no mar a cada minuto”;
  • “Estima-se que, em 2050, o peso do plástico nos oceanos será superior ao peso do peixe que neles habita”.

Todo este trivia ambiental foi suficiente para chamar a sua atenção? Ainda bem. Agora que estamos em sintonia, podemos começar por revelar que apesar de atentos às consequências cada vez mais reais do excesso de plástico no planeta, ainda estamos longe de saber este tipo de dados de cor.

Desta vez, tomámos como fonte de inspiração o livro “Viver Sem Plástico”, do membro da Greenpeace Will McCallum, que há três anos se dedica inteiramente a uma luta desigual contra o plástico.

McCallum não se limita a usar sacos de pano para ir às compras, ou a beber cocktails sem palhinha. Uma das suas últimas aventuras foi passar um mês num barco na Antártida a investigar até que ponto o plástico está a atingir esta zona remota do planeta.

Mas como o ativista tem noção de que nem todos nos podemos pôr a caminho do gelo — e certamente isso também não seria bom para o planeta —, decidiu compilar num livro pequenos passos que todos podemos dar para diminuir o uso de plástico e, assim, diminuir também a nossa pegada ecológica.

De uma forma prática, Will McCallum divide o ativismo pelas diferentes divisões da casa e é exatamente essa maquete que vamos seguir para saber de que forma podemos quase que prescindir do ecoponto amarelo.

Na casa de banho

  • Recipientes recarregáveis. Preferir os frascos que possam ser recarregados com champô, amaciador ou gel de banho em lojas que vendam esse produto a granel. Em Portugal são praticamente inexistentes, mas em Lisboa o cabeleireiro &SoWhat  permite que o cliente vá encher os seus próprios frascos com champô, amaciador e máscara.
  • Champôs e sabonetes em barra. Na verdade, é voltar ao velho hábito de usar sabonete em vez de gel de banho. Já os champôs sólidos encontram-se facilmente em lojas como a Organii ou a Lush, por exemplo.
  • Pasta e escova de dentes. Escovas de dentes de bambu ou com cabeças recarregáveis são uma boa alternativa às tradicionais, de plástico. Há também marcas como a Georganics, que vendem pasta de dentes em frasco.
  • Depilação. Deixar crescer os pelos até ao infinito não é opção, mas há formas de, até na depilação, evitar-se o uso de plástico. Giletes com lâminas duplas de barbear já estão à venda na Mind the Trash, o primeiro site português totalmente dedicado à venda de produtos de desperdício zero.
  • Menstruação. O tão famoso copo menstrual pode ser uma alternativa mais ecológica ao uso de tampões e pensos higiénicos. Só para que saiba, em média, uma mulher usa entre 12 mil a 16 mil tampões ao longo da vida.

No quarto

  • Microfibras. A maioria das roupas são feitas com minúsculos fios de nylon e poliéster, duas das maiores fontes de plástico que vai parar ao mar. Um casaco polar, por exemplo, pode libertar cerca de 250 mil microfibras. Mas como andar nu não é solução, alguns dos passos ecológicos a dar neste campo passam por comprar menos roupa e, principalmente, comprar menos roupa sintética.
  • Lavar menos roupa. Antes de pôr a roupa no cesto para lavar, pense: “Será que preciso mesmo de lavar isto?”. Sejamos sinceros, muitas vezes não suamos nem uma gota depois de passar o dia em frente ao computador.
  • Escolher bem as marcas. A Naz é um bom exemplo de marca, portuguesa ainda por cima, totalmente amiga do ambiente. A roupa é feita de material reciclado e com mão de obra nacional. Até o plástico usado em algumas fivelas da roupa é feito de um material biodegradável proveniente do milho.

Na cozinha

  • Sacos de plástico. Esqueça-os. Adote o hábito de andar com um saco de pano na mala para não ser apanhado desprevenido na hora de ir às compras. E se souber de antemão que vai comprar legumes e fruta, nada como ir munido de sacos de pano mais pequenos para pesar e separar estes produtos. Podem ser comprados na Maria Granel, por exemplo.
  • Compras a granel. E já que vai munido de sacos de pano, porque não também de frascos? É uma forma de comprar a granel, apenas na quantidade que necessita, poupando assim mais uma embalagem de plástico.
  • Chá e café tradicional. A moda das cápsulas veio trazer mais uns milhares de pequenas peças de plástico para o planeta. Fazer café em cafeteiras tradicionais tem, por isso, um impacto muito menor, além de que o café pode ser feito em maior quantidade. Também o chá, é preferível que tenha como matéria prima as ervas em estado natural do que nas habituais saquetas, também elas muitas vezes feitas com recurso a plástico.
  • Detergentes a granel. Já existem e estão à venda em lojas como a Miosótis ou a EcoVegan Concept Store.
  • Talheres, garrafas e palhinhas. Já nem é preciso falar novamente das palhinhas, pois não? É difícil esquecer aquele vídeo que mostrava a luta de uma tartaruga para retirar uma palhinha do nariz. É difícil de ver mas a verdade é que deu o mote para que os cafés e restaurantes começassem a prescindir delas e, em casa, podemos sempre optar pelas de alumínio ou bambu. Também será fácil trocar a garrafa de plástico por uma reutilizável e nada como escolher um conjunto de faca, garfo e colher para andar sempre consigo de maneira a dizer não sempre que lhe apresentarem uma alternativa em plástico. Este, da Maria Granel, é amoroso e este, feito numa parceria entre a Naz e a health coach Cláudia Fonseca, nunca o vão deixar na mão.

No quarto do bebé

  • Fraldas. Pode parecer um retrocesso voltarmos às fraldas de pano, mas a verdade é que o consumo das descartáveis implica um elevadíssimo gasto de plástico. Estima-se que, só nos Estados Unidos, sejam utilizadas 27,4 mil milhões de fraldas por ano, 90% das quais acabam num aterro sanitário.
  • Brinquedos. Poucos, mas duradouros, é o lema. Prefira brinquedos feitos em madeira, por exemplo e opte por comprar em segunda mão ou reaproveitar os que já foram dos primos ou irmãos mais velhos.
  • Festas infantis. Fazer bolos e salgados caseiros já vai fazer com que se poupem imensas embalagens de plástico. Há ainda muitas opções de decoração feitas à base de tecidos e papel (nisso o Pinterest pode ajudar) e opte por embrulhos feitos de restos de revistas ou jornais, por exemplo. Além de ecológicos, são originais.
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