Não é preciso ser hipocondríaco para ter a tendência de pesquisar sintomas no Google. É uma forma fácil e rápida de tentar perceber de onde vem aquela dor, ou o que pode significar aquele inchaço. Mas o diagnóstico pode ser dramático e, na maioria dos casos, totalmente infundado. E isso pode ser um problema.

As pessoas que fazem este tipo de pesquisas vão parar a sites “que lhes dão informações erradas, o que complica muito a relação com o médico.” Quem o diz é Miguel Guimarães, em declarações à TSF, a propósito do protocolo que a Ordem dos Médicos (da qual é bastonário) assinou com o Ministério da Saúde, a 4 de setembro. Desta união vão nascer plataformas internacionais com informação científica e certificada sobre doenças, formas de prevenção e medicamentos. Tudo isto de forma totalmente gratuita.

A Google sabe com quem fala e que locais visita regularmente. Mas como?

O projeto arranca em janeiro de 2019 e o protocolo assinado tem a duração de três anos. Quanto ao sistema, não é uma novidade e já está disponível noutros países — mas só para a comunidade médica. E é aí que Portugal marca a diferença. “Dez milhões de portugueses vão poder ter acesso a informação científica certificada sobre várias doenças, sintomas, possibilidades de tratamento, de como se deve fazer a prevenção”, avançou o bastonário ao Público.

As plataformas são quatro – a BMJ Best Practice,  a Cochrane Library, a DynaMed Plus e a UpToDate – e Miguel Guimarães garantiu ao Público que “há o compromisso assumido de todas terem conteúdos em português.” Mas, por enquanto, só a BMJ Best Practice é que tem.

A iniciativa surge para apoiar a decisão clínica, uma vez que os médicos vão passar a ter acesso permanente a informações atualizadas e certificadas. Mas não só – apesar de já haver uma Biblioteca de Literacia em Saúde, disponibilizada pelo Serviço Nacional de Saúde, com o objetivo de promover o acesso dos cidadãos à saúde, o bastonário da Ordem dos Médicos disse à TSF que este projeto vai aumentar “consideravelmente e de modo sustentado a literacia dos cidadãos, dos doentes e dos seus familiares.”