“Há uma série de vantagens numa criança sem braços. Não só não tira macacos do nariz, como também não mete os cotovelos em cima da mesa à hora das refeições”, é só uma das muitas piadas que são ditas num novo programa de humor que está a ser um sucesso ao quebrar recordes de audiências na Bélgica. A diferença aqui é que as pessoas que são alvo das piadas são quem compõem uma plateia que ri, chora e aplaude o humorista em cada episódio. O miúdo sem braços também lá está e aplaude com um simples bater de pés no chão.

Chama-se “Taboo” e é um programa de humor negro transmitido num canal público de televisão na Bélgica, onde os protagonistas das piadas são sempre paraplégicos, minorias étnicas ou pessoas com doenças terminais. O sucesso tem sido tal que já se fala na possibilidade de chegar a outras partes do mundo depois de terem sido vários os produtores de televisão a ficarem surpreendidos com o formato do programa.

“Este é um programa que faz rir as pessoas de quem não deveríamos rir”, diz o humorista Philippe Geubels no segmento inicial de cada programa, onde lança o mote para tudo o que há de acontecer naquele episódio. A grande particularidade deste formato é o que acontece semanas antes da estreia de um episódio. É que as pessoas que são usadas como objeto de humor são convidadas a passar vários dias com o humorista, que tratará de as conhecer, entender os seus medos e as suas fragilidades. São criados laços entre comediante e confidente que servem como ponte para um exercício de humor negro mas sempre honesto e nunca com o intuito de danificar a imagem dos visados.

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Quem o diz é o próprio comediante num dos episódios em que grande parte do auditório a que se dirigia estava repleto de pessoas com doenças terminais. “Independentemente do grau de gravidade da vossa situação, têm de ser capazes de rir. Não das pessoas, mas sim das coisas rotineiras que fazem parte do vosso quotidiano.”

Segundo o “DailyMail”, que falou com a produtora do programa, os direitos de “Taboo” já foram comprados para serem adaptados em países como os Estados Unidos da América, a Inglaterra, França, Holanda, Dinamarca, Israel e Noruega. Apenas quatro meses depois do final da primeira temporada de episódios.

Contudo, nem todo o tipo de temas foi permitido nos primeiros episódios. Quem o diz é Kato Maes, uma das produtoras, que falaram com o “DailyMail” em abril, a propósito do sucesso do programa. “Escolhemos alguns dos tabus consoante o potencial de fazer rir mas, na primeira temporada, não nos atrevemos a tocar na problemática dos transexuais ou do povo judeu.” Mas serão certamente dois temas a ser abordados nas novas temporadas ainda que, garante Maes, sempre com o respeito e a decência que os caracterizou até agora.

Não se sabe quando ou se “Taboo” chegará às televisões portuguesas, mas há houve várias reações em Portugal acerca do novo programa. Uma delas é de Pedro Boucherie Mendes, diretor da SIC Radical e Diretor de Planeamento Estratégico do grupo Impresa, que na sua página pessoal de Facebook elogiou a produção e lamentou não haver possibilidade de haver um programa semelhante a este no País.

“Chama-se Taboo e celebra a vida. Podemos ser assim ou assado, mas estamos vivos, gostamos de pessoas, há quem goste de nós, emocionamo-nos, rimos, apaixonamo-nos, espantamo-nos, vivemos. Eu acho bem e gostava que um dia tivéssemos País para isto”, lamentou.