Diana morreu há 21 anos. As 10 maiores polémicas e curiosidades da vida da princesa

As entrevistas às escondidas da Rainha, as revelações de traições, a bulimia, a depressão. A vida de Diana é toda ela uma aventura.

A 21 de agosto de 1997, a Princesa Diana morre tragicamente, vítima de um acidente de carro, em Paris.

Há 21 anos o mundo parou, chocado, em frente à televisão. Às quatro da madrugada de 31 de agosto de 1997, a Princesa Diana morria no hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, vítima de um acidente de carro, resultado de uma fuga aos paparazzi. Consigo ia Dodi Al-Fayed, empresário egípcio com quem mantinha uma relação e que também não resistiu ao desastre.

A Princesa do Povo casou aos 19 anos com o príncipe Carlos, de quem se divorciou, após um processo doloroso que só terminou oficialmente em 1996. É uma das mulheres mais famosas e adoradas do mundo. Mas, tanto em vida, como após a morte, a sua história esteve envolta em polémicas.

A propósito dos 21 anos da morte de Lady Di, a MAGG reuniu nove das maiores polémicas e curiosidades da sua vida.

A primeira entrevista dos noivos

Fevereiro, 1981. Diana Spencer, que até então tinha sido babysitter e educadora de infância da Young England School, aparece pela primeira vez oficialmente em público, logo depois de aceitar o pedido de casamento do Príncipe Carlos. Na entrevista, que é dada à ITV, o casal dá as mãos e mostra-se feliz. Tudo parece ótimo, até que a jornalista pergunta como é que o casal se sente em relação um ao outro: “Apaixonados, suponho”, disse. Diana respondeu “Claro”. Já o príncipe, teve uma saída infeliz, que viria a ser o primeiro episódio público a refletir um casamento na iminência de fracassar. “Seja lá o que o amor significa”, disse. Diana riu-se, mas a cara não escondeu o desconforto. Mais tarde, a Princesa assumiu que este momento a traumatizou.

Casamento. O engano no nome do príncipe  e os votos em que não prometeu “obedecer”

Foi considerado o casamento do século. O estatuto de princesa não podia ter sido mais levado a sério, com um vestido que incluía 10 mil pérolas e um véu de mais de sete metros. Aconteceu em julho de 1981, na Saint Paul’s Cathedral, em Londres, e 750 milhões de pessoas em todo o mundo assistiram. Diana tinha acabado de fazer 20 anos e, durante os votos, enganou-se no nome do futuro marido. Em vez de lhe chamar Charles Philip Arthur, chamou-lhe Philip Charles Arthur.

A quatro semanas do casamento, Lady Diana Spencer anunciou que não iria “obedecer” a Príncipe Charles. O verbo não iria, pela primeira vez, ser incluído nos votos de um casamento real, depois de uma tradição de séculos, seguida por diversas noivas da monarquia inglesa, incluindo Elizabeth II. Escolheu, antes, seguir o ritual da Igreja de Inglaterra, prometendo na cerimónia apenas “amá-lo, confortá-lo, honrá-lo e acompanhá-lo, na saúde e na doença”.

Os filhos foram para uma escola pública

O príncipe William foi o primeiro elemento da família real a frequentar uma escola pública — a Jane Mynor’s, perto de Kensington Palace. Em 1985, o jornalista George Hackett escreveu na “Newsweek”: “A decisão de ter William, 3 anos, a desenvolver as suas habilidades de pintura com os dedos entre os comuns mostrou a influência de Diana, a princesa de Gales, que havia trabalhado num infantário, quando apenas era Lady.”

O vestido e a dança com Travolta

Decorreu numa cerimónia na Casa Branca, em 1985, na presidência de Ronald Reagan, um dos momentos mais marcantes na vida de John Travolta. O ator teve a oportunidade de dançar com a Princesa, durante 15 minutos. Neste episódio, Diana estava com um vestido de veludo comprido, mais um dos que ficaram na história.

O trabalho com pessoas com HIV

Era a Princesa do Povo. Pegava crianças ao colo, baixava-se, punha-se ao nível dos doentes, dava-lhes carinho e apoio. Em 1987 a Princesa Diana abriu a primeira unidade hospitalar de Inglaterra dedicada exclusivamente a pessoas seropositivas. Numa das visitas, Diana, sem luvas, apertou a mão a um doente, numa altura em que ainda existia um estigma muito grande relativamente à doença, que acreditavam ser contagiosa através de qualquer tipo de contacto físico.

O caso com o guarda do Palácio de Buckingham e a vida sexual com o Príncipe Charles

Mesmo após a sua morte, as polémicas continuaram a surgir. Entre 1992 e 1993, Diana gravou uma série de cassetes com o seu treinador de voz Peter Settelen, quando a crise na relação já ia avançada. Foi a partir do Palácio de Kensington em Londres que a princesa fez diversas confissões, que mais tarde, em 2017, viriam a servir para criar o documentário “Diana nas suas Próprias Palavras”, emitido pela Channel 4, a 6 de agosto.

“Estava absolutamente disposta a abdicar de tudo isto para partir e viver com ele”, disse Diana, numa alusão ao seu caso com Barry Manakee, o seu guarda-costas do Palácio de Buckingham, que foi transferido assim que a história se soube, tendo morrido num acidente pouco tempo depois. “Apaixonei-me perdidamente quando tinha 24/25 anos”, disse. “Foi tudo descoberto e ele foi corrido e depois morreu. Foi o maior golpe da minha vida, devo dizer”.

Na mesma série de gravações a princesa admitiu que a vida sexual com o marido era estranha. Conta que ele só mostrava interesse sexual de três em três semanas.

As entrevistas secretas com Andrew Morton

“Diana: Her True Storie” foi o livro publicado em 1992, escrito por Andrew Morton, jornalista e escritor, especialista na realeza. Foi republicado em 2017, a propósito do 20.º aniversário da morte da terceira filha do conde Spencer. Nesta reedição, que veio a ser um documentário produzido pela National Geographic, foram incluídas citações suas, gravadas no decorrer das conversas — e que, por isso, passou a incluir o subtítulo “In Her Own Words.”

Aqui a princesa expôs vários aspetos da sua vida, incluindo a perseguição pelos media e pormenores da sua infância. “Fui uma criança infeliz. Lembro-me de ver o meu pai a dar uma chapada à minha mãe. Eu estava escondida atrás da porta.”

Também o caso extra-conjugal do marido é abordado. “Uma vez ouvi-o dizer ao telefone:’ Aconteça o que acontecer, vou amar-te sempre.’ Eu disse-lhe que tinha ouvido e tivemos uma discussão grande.”

O vestido da vingança

Há três anos que Diana guardava no armário um peça à lá femme fatal. Ainda não tinha encontrado o momento certo para estreá-la, porque a considerava demasiado provocadora. Em 1994, no rescaldo do escândalo do caso do Príncipe Carlos com Camila Parker-Bowles, eis que se encheu de coragem e surgiu na Serpentine Gallery maravilhosa: com um vestido preto, justo, curto e decotado, popularmente conhecido como o “revenge dress” (vestido da vingança).

A entrevista às escondidas do Palácio de Buckingham à BBC

A 20 de novembro de 1995, Diana deu a polémica entrevista a Martin Bashir, para o programa “Panorama”, da BBC. Na conversa de uma hora, decorrida às escondidas do Palácio de Buckingham, revelou que sabia do caso entre o marido e Camila Parker-Bowles. “O instinto de uma mulher é muito bom”, disse, acrescentando que staff e “pessoas que se importavam com o casamento” lhe haviam posto a par da situação.

Há um momento em que Bashir lhe pergunta: “Acha que Mrs. Parker-Bowles foi um fator decisivo para o final do casamento?”. Diana respondeu: “Bem, éramos três neste casamento, portanto estava um pouco lotado.”

A bulimia, as depressões e a família real

Na mesma conversa, Diana assumiu que lutou contra uma depressão pós-parto, após o nascimento de William. “Acordava de manhã sem querer sair da cama, sentia-me incompreendida e muito em baixo.” Sobre o tema, a princesa acrescentou que este estado alimentou rótulos: “Deu a toda a gente um maravilhoso novo rótulo: Diana, a instável, ou Diana mentalmente desequilibrada.” No entanto, na mesma entrevista admitiu que já se havia mutilado, nos braços e nas pernas.

A perturbação do foro alimentar não ficou fora da conversa. Sobre o problema com a bulimia, a princesa disse: “É como uma doença secreta, que infligimos sobre nós próprios porque a auto-estima é baixa e achamos que não temos valor. É um padrão repetitivo e destrutivo.”

A família real também foi tema. A Martin Bashir, a Princesa revelou as suas duvidas quanto à capacidade do então marido de ser rei e disse que a monarquia inglesa precisava desesperadamente de se modernizar. Revelou que gostaria de ser a “rainha do coração das pessoas”, mas que sabia que jamais seria rainha, porque fazia as coisas de forma diferente, e não pelas regras do jogo.

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