As dores e as doenças evitam-se quase sempre com idas regulares ao médico, de forma rotineira, e quando tudo parece estar bem com a saúde. No caso das mulheres, o despiste e diagnóstico de muitas doenças faz-se no ginecologista, porque é nos órgãos reprodutores femininos que surgem alguns dos problemas mais graves. Daí que as consultas devam ser regulares, com uma periodicidade mínima de uma vez por ano. E há ainda outros hábitos que se devem adotar por forma a prevenir infeções, doenças e complicações no campo da fertilidade.

A MAGG falou com o ginecologista Fernando Cirurgião, que deixa quatro recomendações que todas as mulheres devem seguir, desde os exames mais importantes, utilização dos produtos certos ou hábitos que não prejudicam a fertilidade.

Auto-exame mamário

O cancro da mama é o tumor maligno que mais atinge a mulher e os casos duplicam a partir dos 50 anos, sendo que quanto mais idade, maior a prevalência e possibilidade de o tumor aparecer. Mas como é que se forma? Aquilo que acontece é que na glândula mamária existem células, que constituem o tecido mamário, que crescem e dividem-se em novas células (regeneração celular), conforme é necessário. Quando envelhecem, morrem. É normal. O problema começa quando se dá um descontrolo e se dão alterações no seu ADN. Neste caso, elas não morrem quando devem e multiplicam-se — formando o cancro — sendo capazes de se alastrarem.

Apesar de a taxa de mortalidade por cancro de mama ser já baixa, é fundamental que haja despiste e que, caso existam células malignas, se controle desde o inicio. O sucesso da terapia depende disto mesmo. Por isso é que nunca se devem ignorar os auto-exames, que Fernando Cirurgião indica como sendo cruciais nos hábitos a adotar pelas mulheres.

“O ensino e implementação do auto-exame da mama tem como fundamento sensibilizar a mulher para a existência da patologia mamária”, começa por explicar.  “Mesmo que tal represente por vezes um acréscimo de ansiedade por descobrir algo diferente, tem o propósito de a alertar para uma patologia cujo prognóstico melhora se mais cedo for detetada”, acrescenta.

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Como é que se faz?

Deve acontecer uma semana após a menstruação ou sempre na mesma data, todos os meses, no caso das mulheres que já não menstruam.

É preciso ver a textura da pele, os mamilos e a possibilidade de existirem nódulos. Pode fazê-lo no banho, porque o sabão facilita o deslizamento dos dedos, o que permite detetar mais facilmente alguma irregularidade. Também o pode fazer deitada, idealmente com um gel, pelo mesmo motivo. Nos dois casos, tem de colocar uma mão atrás da cabeça e com a outra fazer a apalpação da mama: com os dedos esticados, não utilizando a ponta ou as unhas, faça movimentos circulares percorrendo a zona da mama e axilas à procura de nódulos ou outras alterações. Em frente ao espelho, procure por possíveis irregularidades.

Rastreio de cancro ginecológico

Mas o auto-exame não basta. É preciso prevenir mais a fundo, através de “programas de rastreio ginecológico”, como indica o ginecologista Fernando Cirurgião. Além da mamografia, para despiste de cancro da mama, é importante realizar a citologia cervicovaginal, o conhecido teste de Papanicolau, para o despiste e detestação de irregularidades e cancro do colo do útero — tal como o cancro da mama, surge devido à multiplicação de células com DNA modificado, que se multiplicam descontroladamente, capazes de se expandir no resto do corpo, primeiro para os órgãos mais próximos.

Portugal é o país com a taxa de incidência mais alta desta doença, pelo que o rastreio é fundamental para a prevenção e tratamento atempado.

Bons hábitos pela fertilidade

“A fertilidade feminina diminui com a idade mas também cabe à mulher ter estilos de vida e hábitos que melhor preparem a maternidade”, diz. O ginecologista aponta alguns. É preciso abdicar do tabaco, pois compromete a função reprodutiva, por diversos motivos, incluindo a dificuldade de implantação do óvulo. Por outro lado, é preciso cuidar da alimentação. A alimentação da mulher é fundamental não só porque a defende de vários problemas (obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes), mas porque influencia a gravidez e desenvolvimento do bebé, caso faça parte dos seus planos engravidar.

Antes da gravidez é recomendado às mulheres que pretendem ser mães o consumo de nutrientes específicos, por vezes em suplemento, destacando-se dois. Primeiro, o ácido fólico, naturalmente presente nos vegetais verdes, ovo, produtos lácteos, cereais, feijão ou laranja, fundamental para o crescimento do feto e desenvolvimento saudável da gravidez.

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Em segundo lugar, é importante reforçar o consumo de alimentos ricos em iodo — nutriente em que já se detetou um défice nas mulheres portuguesas — porque contribui para o desenvolvimento do sistema nervoso central do feto. De acordo com a Direcção-Geral de Saúde, o iodo está presente nos peixes, leguminosas, leite e outros produtos lácteos. O exercício físico também não deverá ficar de parte, mas deverá ser feito na medida certa, porque demasiado stresse também poderá ser prejudicial.

A suplementação destes nutrientes costuma começar até antes de a mulher engravidar por forma a prevenir malformações do bebé.

O gel de banho não serve para o corpo todo — e muito menos para a zona íntima feminina

Higiene íntima cuidada

Da mesma forma que lavamos a cara com produtos específicos para a pele do rosto, devemos também optar por produtos próprios para a higiene íntima. E, por isso, não é qualquer gel de banho comum que serve. Felizmente, há já várias opções desenvolvidas para esta parte do corpo.

“Devem utilizar-se produtos específicos para higiene íntima de forma a prevenir os desequilíbrios da flora vaginal, as vulvovagimites, que potencialmente poderão facilitar infeções ginecológicas mais graves e com potencial compromisso na saúde do sistema reprodutor”, explica Fernando Cirurgião.