Os 50 são os novos 40, os 40 são os novos 30 e os 30 são os novos 20. Mas a verdade é que as alterações físicas continuam a acontecer no nosso corpo e quantos mais anos se acumulam mais elas aceleram. O metabolismo fica mais preguiçoso, o que faz com que a gordura se acumule mais facilmente e os músculos se tornem menos firmes. As hormonas sexuais não cessam a sua produção, mas, lenta e gradualmente, diminuem. Os órgãos tornam-se mais frágeis — incluindo a pele — e os ossos também. É a lei da vida e só tem uma solução: estimar a saúde e o corpo.

A MAGG falou com seis especialistas de diferentes áreas que deixaram dicas essenciais para estar bem por dentro e por fora, com rotinas a adotar e com outras que devem ser abandonadas, de uma vez por todas.

Já não tem idade para escaldões

“Do ponto de vista cutâneo, é urgente eliminar as queimaduras solares”, diz a dermatologista Ana Paula Cunha. Por isso mesmo, evite estar ao sol nas horas perigosas, aplique corretamente o protetor solar e lembre-se de que as consequências de atos irresponsáveis podem demorar anos (décadas, até) a aparecer: “A exposição solar aguda e exagerada em faixas etárias mais baixas, sobretudo na infância e na pré- adolescência são a principal causa de um dos cancros mais fatais e mais temidos: o melanoma maligno.”

Não ponha os pés no solário

Idealmente, nunca cometeu este disparate, mas caso recorra a este método pontual ou recorrentemente, esqueça. Segundo Ana Paula Cunha, “frequentar solários também deve de ser um hábito a eliminar de forma radical, pela mesma razão, já que a exposição à radiação ultravioleta aumenta o risco dos principais cancros de pele, para além de promover o envelhecimento cutâneo e favorecer o aparecimento de manchas inestéticas, que todos querem evitar”

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Tem de levar os sinais a sério

As assimetrias, a cor, a evolução e até o diâmetro. Os sinais podem ser reflexo de problemas de saúde graves e, por isso, não deve ignorá-los. “O hábito de vigiar os sinais com regularidade e rigor deve ser implementado desde cedo, no sentido de monitorizar a alteração dos mesmos e a eventual evolução para a malignidade, com vista a um tratamento precoce e eficaz”, explica.

Para isto, decore a regra do ABCD:
A – assimetria – se o sinal modifica a sua forma
B – bordos irregulares – se a periferia do mesmo se altera
C – cor – se se torna mais escura ou se surgem mais cores no sinal
D – diâmetro – aumento do tamanho
E – evolução – alteração rápida do sinal ou aparecimento de sinais novos, que não existiam

Já não pode espremer borbulhas

Há idades para tudo. Espremer borbulhas é aliciante até morrer, nós entendemos, mas a vida já nos mostrou várias vezes que o volume desaparece, mas que dá lugar a uma marca. Eterna.

A acne não é um problema da puberdade. Segundo a dermatologista, afeta muitas pessoas até aos 30 anos. E, como tal, deve ser resolvido com métodos de gente crescida: “É fundamental que não existam traumatismos, isto é, deve-se evitar espremer as borbulhas, promovendo o tratamento precoce das diversas formas da acne, para evitar cicatrizes inestéticas e que permanecerão para sempre — e um problema considerado próprio da idade poderá passar a ser próprio daquela pessoa, para toda a vida.”

Telemóveis, computadores e tablets na cama, não

“A luminosidade dos ecrãs vai contribuir para a manutenção da vigília ao interagir diretamente com a síntese de melatonina. A melatonina é a hormona que começa a ser produzida pelo nosso sistema nervoso central com o anoitecer”, explica Sandra Sousa Marques, especialista em sono da Clínica Lusíadas em Almada. “Quando baralhamos o cérebro com a luz artificial, principalmente a luz azul dos écrãs, vamos atrasar o início do sono e teremos tendência a dormir menos horas, pois,
habitualmente, a hora de levantar é a mesma.”

Dormir com o telemóvel ao lado faz mesmo mal?

Prepare as suas noites. Duas horas antes de dormir, garanta que está longe deste aparelhos. Leia um livro ou oiça música, de forma a que se acalme e fique naturalmente com vontade de dormir, sem estímulos artificiais que o perturbem.

Respeite a sua hora de dormir

“Todos temos o nosso ritmo circadiano, isto é, nascemos programados para iniciar o nosso sono a horas que podem ter uma variabilidade individual, após o anoitecer”, diz a especialista em sono. “Devemos respeitar a nossa hora de adormecer, nem mais cedo, nem mais tarde, ou seja, só nos devemos deitar quando tivermos sono.”

Não roube mais horas de sono ao corpo

Tente por tudo eliminar as farras durante a semana, as noites a ver episódios seguidos de séries ou a trabalhar. Dormir é mesmo essencial para uma boa saúde. É uma necessidade biológica, imprescindível ao bom funcionamento do corpo e cabeça.

“Reduzir o número de horas de sono vai desregular o padrão habitual de sono, mas vai determinar privação de sono, a qual tem importantes consequências para a saúde como fadiga, irritabilidade, falta de concentração e de produtividade ao longo do dia”, diz. Além disso, e pior ainda, “diminui as defesas e aumenta a probabilidade de desenvolver doenças como cancro, obesidade, hipertensão e diabetes Mellitus tipo 2.” O tempo varia de pessoa para pessoa, mas garanta que dorme entre sete a nove horas por noite.

Respeitando a quantidade, qualidade e hora certa, conseguirá um sono reparador, promotor de saúde.

Estimule o seu metabolismo

O metabolismo torna-se mais preguiçoso com a idade. Já não pode comer os croissants todos deste mundo e não engordar um grama. O corpo recebe, não gasta com tanta rapidez e acumula com mais facilidade. “O período de maior e melhor recetividade para o exercício físico é precisamente o que decorre até ao final da década dos vinte”, explica José Carvalho Rodrigues, médico de Medicina Desportiva.

Por isso, idealmente, aquilo que acontece é que deverá manter os hábitos adotados. Caso nunca tenham feito parte da sua rotina, é essencial que os inclua, não só por causa do peso, mas porque o exercício físico faz com que o corpo seja mais capaz de lidar com adversidades, sem esquecer a mobilidade, que será fundamental para o resto da vida.

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“Se ainda não há qualquer tipo de atividade ou exercício físico está na altura de o fazer. Mas antes de iniciar o treino é importante consultar o médico e porque não, fazer um exame Médico Desportivo,  especialmente quando se pensa optar pelo HIIT (treino de alta intensidade) ou CrossFit.”

Passar tempo na cozinha

Os UberEats desta vida vieram salvar momentos de profunda preguiça e falta de tempo, mas também podem ser uma verdadeira praga. Aos 30 já não é legitimo acumular caixas de pizzas e outros tipos de fast food na cozinha.

“Aprender a cozinhar de forma saudável e saborosa é fundamental”, como diz a nutricionista Lillian Barros. Ponha as mãos na massa e organize-se para que a semana seja feita de refeições equilibradas. A velha máxima é real: somos aquilo que comemos, por isso, escolhas erradas dão mau resultado, da mesma forma que escolhas boas (com vegetais, frutas, a quantidade certa de proteína, de hidratos e de gordura) criam um organismo forte. Processados, fritos, doces e salgados com muita contenção.

“Com a oferta de livros de receitas e workshops especializados que existem no mercado, há muito por onde nos inspirarmos, optando, sempre que possível, por alimentos locais, frescos e sazonais.”

Ter um nutricionista

“Ir a uma consulta de nutrição funcional antes dos 30 e estruturar um plano alimentar personalizado — independentemente de existir peso a mais ou não — pode ser a solução para nunca precisarmos de uma dieta em modo urgência”, diz a nutricionista. “Aprender o que comer, a que horas e em que proporção ao longo do dia é a chave para uma saúde plena, cheia de vitalidade e energia.”

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Missão deixar de fumar

É uma das principais causas de morte no mundo e quantos mais anos passarem pior se torna o cenário. Se fuma, é urgente que interrompa este ciclo malicioso, de acordo com Ana Isabel Pedrosa, médica de Medicina Interna. A sua pele agradece, os seus dentes também, assim como a sua resistência. Mais importantes são os seus pulmões, a sua garganta, a sua língua, as suas células.

Passar a fazer exames médicos de rotina

Nós sabemos. É mais uma responsabilidade para acumular, mas é talvez das mais importantes. Ana Isabel Pedrosa sugere análises básicas de rotina, avaliações clínicas, idas ao médico de família com mais regularidade, de forma a “vigiar fatores de risco cardiovascular, como pressão arterial, dislipidémia [anomalias de gordura no sangue] e ainda a diabetes.

“É nesta atura que devemos mesmo mudar hábitos, porque podem fazer toda a diferença na nossa restante vida de adulto”, diz.

Ver as situações de diferentes perspetivas (até as más)

“Ser otimista é uma questão de mudança de atitude e de comportamento perante a vida”, explica o psicoterapeuta Pedro Brás, da Clínica Mente. É isto que deve interiorizar: ser otimista é saber gerir problemas e tirar partido deles, ao invés de olhá-los apenas como uma adversidade.

“Ver as diferentes perspetivas de uma determinada situação, amplia a nossa visão e capacidade de adaptação perante o desconhecido. Ser otimista, torna a pessoa mais confiante, capaz, positiva e feliz.”

Ter objetivos, mas reais

Aos 30, já deve ter metas bem definidas. Os objetivos devem ser pessoais e profissionais e servem como pontos de orientação que nos permitem conduzir a vida. Mas têm de ser realistas. “Expetativas demasiado elevadas, que defraudem a realidade, podem ser bloqueadoras da ação”, diz o mesmo psicoterapeuta. É importante estabelecer “pequenos objetivos, que possam ser alcançados num curto intervalo de tempo e que ao longo do percurso farão com que atinja o objetivo principal.”

Mais pessoas, menos telemóveis

Meta na cabeça: construir relacionamentos sociais que sejam reais. “Numa era digital, em que o telemóvel é a nossa maior companhia, urge não esquecer da importância de nos relacionarmos com o outro. As relações sociais potenciam o crescimento pessoal e são peça fundamental para a felicidade”, explica Pedro Brás. Dê tempo e desfrute dos seus amigos, da sua família e de todas as pessoas que são importantes na sua vida.

Ajude os outros

O altruísmo não beneficia só quem se ajuda. “Ajudar os outros provoca uma sensação de bem-estar e felicidade. Sentirmo-nos úteis perante a sociedade faz com que o nosso cérebro liberte serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e melhoria do humor, ajudando a prevenir doenças como a ansiedade e a depressão”, explica o psicoterapeuta.