Com 14 anos, o Facebook é hoje em dia a rede social com o maior número de aderentes, com cerca de 2.2 mil milhões de utilizadores ativos mensais. O co-fundador e CEO, Mark Zuckerberg, passou de estudante de Harvard, a uma das personalidades mais ricas e influentes do mundo, sendo que atualmente tem apenas 34 anos.

É um facto que a rede social revolucionou a forma como contactamos os nossos amigos e familiares online. A comunicação é instantânea e simples. Permite encontrar pessoas que não víamos há anos, matar saudades daquele amigo que vive do outro lado do mundo e até mantermo-nos a par dos próximos eventos na cidade ou do dia de anos de alguém (o que tem salvo os mais esquecidos).

Não há como negar a utilidade do Facebook e a diferença que faz no nosso dia a dia. Mas tal como tudo, também tem os seus aspetos negativos. Escândalos como o da Cambridge Analytica, — a empresa foi acusada de ter recolhido dados pessoais de mais de 50 milhões de utilizadores do Facebook — ou o mais recente caso de roubo de informação pela myPersonality, têm ajudado a denegrir a imagem da rede social e as pessoas têm começado a pensar cada vez mais se está na altura de apagar a conta de uma vez por todas.

Porque é que é tão difícil sair do Facebook?

Enquanto há quem se preocupe mais sobre a privacidade e para que fins são utilizadas as suas informações pessoais às quais o Facebook tem acesso, outras sentem que a rede social é um espaço “falso”, que não nos aproxima das pessoas, mas sim o contrário. Há ainda quem sinta que esta nos distrai demasiado e nos torna menos produtivos. Por umas ou por outras razões há quem decida abandonar de vez esta rede social. A MAGG falou com quatro pessoas que a deixaram e que nos contam a diferença que isso está a fazer nas suas vidas.

A privacidade é uma das principais preocupações dos utilizadores do Facebook

Bloomberg via Getty Images

José Pinto tem 23 anos e, apesar de já ter desativado a sua conta do Facebook antes e depois ter regressado, garante que agora foi de vez. O que o impedia de sair de vez? O contacto com os colegas de turma para estruturar trabalhos da faculdade. “Acho ridículo deixar uma empresa aceder a toda a minha informação e privacidade, que faz dela o que bem entende. Claro que a redução de tempo agarrado ao telemóvel é uma mais valia, mas o que foi mais motivador foi a privacidade.” No entanto, revela que ainda tem conta no “irmão mais novo” (o Instagram), “continuo a ser vítima do scroll infinito e da publicidade incessante. Mas quando deixar as duas espero sentir-me mais leve e mais próximo da realidade, para além de mais seguro”.

Por outro lado, Marta Corado, também de 23 anos, revela que deixou a rede social por uma “questão de sanidade mental”. “Foi pela ansiedade que me trazia. Sabia que não me estava a fazer bem o estado em que ficava. Tive um problema no telemóvel e fiquei com um de substituição que não tinha redes sociais, fiquei uma semana sem nada e depois decidi manter.” Depois de apagar o Facebook em 2015, afirma que só teve conta no Instagram até a eliminar no ano passado. Até hoje, diz que não sente vontade de voltar e que este novo estilo de vida a fez esforçar-se “um pouco mais para manter um contacto verdadeiro com as pessoas.”

O Facebook quer mostrar-lhe quando tempo passa na rede social

As razões de Maria Maranha, 23 anos, são diferentes. “Começou a tornar-se angustiante selecionar partes de mim para apresentar num espaço público… os resultados acabavam por me parecer sempre superficiais e embaraçosos. O movimento já mecanizado para espreitar o feed, o perfil dos amigos, os eventos todos os dias… Desenvolve-se esta dependência paranóica e controladora.” Mas foi um “acidente” que a fez desistir do Facebook: “Não tinha sequer consciência precisa do que me incomodava até no início de 2017 a minha conta apanhar um vírus que me levou a desativar o perfil.”

Quanto a Marcelo Martins, de 29 anos, a motivação para fechar a conta em 2014 passou tanto pela vontade de viver uma vida mais real, como também a sua própria privacidade. “O Facebook é uma ferramenta incrivelmente potente para andar a bisbilhotar a vida dos outros. As pessoas quase o usam para colecionar amigos como se fossem cromos de uma caderneta. Senti que em vez de nos aproximar, estava a fazer o oposto, ou seja, em vez de falares com alguém pessoalmente, falavas online.” Agora diz que tem mais tempo livre para atividades como ler, ver filmes e “fazer mais com a própria vida”.

Descarreguei todo o histórico do meu Facebook. E descobri que ele sabe mais de mim do que eu

Nestes quatro casos, os resultados são mais do que positivos. Todos garantem aproveitar melhor o tempo, que muitas vezes desperdiçavam no Facebook, para fazer outras atividades e estar mais atento ao mundo real. Os quatro admitiram que, no início, foi difícil deixar o hábito de abrir a rede social no computador ou no telemóvel, mas com o tempo, facilmente se tornou dispensável e não sentem qualquer urgência em voltar. “A coisa mais valiosa que temos é o nosso tempo, não há como arranjar mais e mesmo assim damo-lo de bom grado a conteúdo vazio e desinteressante”, acrescenta José Pinto.