É melhor sentar-se. E agarrar num copo de água. Já está? Pronto, então vamos dizer. Um novo estudo estabeleceu uma relação entre o consumo de hidratos de carbono e uma vida mais longa. O truque é o mesmo de sempre: moderação.

Publicado na revista “The Lancet Public Health“, e avançado pela “Time”, a investigação concluiu que pessoas que, na ingestão diária total de energia, consomem metade das calorias (nem mais, nem menos) através de hidratos de carbono, têm um risco menor de morrer precocemente, comparativamente aos que consumiam uma quantidade muito pequena desta macronutriente, um dos responsáveis por fornecer energia ao corpo.

De acordo com os investigadores, quem consome uma quantidade moderada aos 50 anos tem uma esperança média de vida que ronda os 83 anos, mais do que aqueles que consomem este nutriente em excesso, que se concluiu viverem menos um ano. Por outro lado, foram os que consumiam menos hidratos de carbono que tiveram o pior resultado: a esperança média de vida é de 79 anos.

Como é que o estudo decorreu?

Os investigadores analisaram dados de 15.500 pessoas de meia idade nos Estados Unidos, que acompanharam ao longo de 25 anos. Todos os participantes preencheram um questionário referente ao tipo de dieta no início do estudo e, novamente, após seis anos. Também disponibilizaram informação referente à educação, nível de vida, contexto demográfico, hábitos de exercício, historial médico e se eram fumadores ou não.

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Depois de analisarem todos os dados recolhidos, começaram a criar associações entre a mortalidade e o consumo de hidratos de carbono. Descobriram que os que consumiam uma grande quantidade (mais de 70% na alimentação total diária) e uma pequena quantidade (menos de 40% na alimentação total diária) tinham um risco de mortalidade superior aos que consumiam de forma moderada.

Segundo os investigadores, a explicação poderá ser esta: aqueles que consomem em excesso podem estar a ingerir muitos produtos refinados e processados, associados a vários problemas de saúde. Por outro lado, aqueles que comem poucos hidratos de carbono podem abusar na proteína e lácteos, que, em quantidades muito elevadas, já foram associados a problemas de coração. Por outro lado, aqueles que ficaram na posição do meio, podem ter um equilíbrio nutricional melhor e mais protetor.

O estudo indica ainda que, para aqueles que querem reduzir a ingestão de macronutrientes, é importante pensar bem nas substituições: ao invés de abusar na proteína de origem animal, o melhor é alternar com fontes de origem vegetal, como lentilhas e outras leguminosas, sementes e frutos secos. Desta forma, será possível manter uma saúde equilibrada, mesmo havendo uma ingestão diminuída do macronutriente presente no pão, massas, arroz, aveia, batata ou fruta.