É capaz de ser um dos finais mais comentados de sempre, a par do último episódio de “Os Sopranos” que ainda hoje continua a dar que falar e a gerar várias teorias da conspiração. Falamos do filme “A Origem” (“Inception”), de Christopher Nolan (“Dunkirk”), que estreou em 2010 com Leonardo DiCaprio (“Titanic”), Tom Hardy (“O Cavaleiro das Trevas Renasce”), Joseph Gordon-Levitt (“50/50”) e Ellen Page (“Juno”) nos papéis principais, e cujo final foi alvo de muita discussão — precisamente porque não era conclusivo e levantava muitas dúvidas.

A história acompanha Dominick Cobb, interpretado por Leonardo DiCaprio, um especialista em roubar informação privilegiada através da tecnologia avançada de partilha de sonhos. Tudo muda, porém, quando Cobb recebe uma missão muito diferente daquela a que estava habituado: a de implantar, na mente do CEO de uma empresa, a ideia de desmantelar o negócio do pai depois de este morrer.

Apesar da complexidade de todo o processo e dos riscos envolvidos (o de ficar preso num sonho para sempre), Cobb decide avançar já que, em caso de sucesso, poderia voltar aos EUA para junto dos filhos. É que Dominick está impedido de entrar no país há vários anos depois de ter sido acusado injustamente pela morte da mulher.

No filme é revelado que um dos problemas da partilha de sonhos é o facto de ser muito fácil para todos os intervenientes perder a noção entre o que é real ou não. Isto obriga todas as pessoas envolvidas numa determinada missão a terem um objeto único, pessoal e intransmissível sempre consigo — e cujas propriedades físicas sejam conhecidas apenas pelo proprietário.

A ideia é de o alertar sempre que estiver num sonho que não seja o seu, e que esteja a ser controlado e povoado pelo subconsciente de outra pessoa que tenha como intuito aceder a informação confidencial. O objeto de Cobb é um simples pião que, caso este se encontre num sonho, nunca para de girar.

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No final do filme, depois de concluída a missão, Cobb regressa finalmente a casa para junto dos filhos. Para se certificar que não se trata de um sonho, a personagem decide girar o pião só que é rapidamente distraída pelo riso e pela alegria dos seus filhos. O pião continua a girar, o filme termina e a dúvida permanece: será que Cobb regressou mesmo a casa ilibado de todas as acusações ou aquele momento não passava apenas de mais um sonho? Oito anos depois, Michael Caine (“O Terceiro Passo”), que no filme interpreta Miles, mentor e sogro de Cobb, respondeu.

Segundo a revista “Time”, a revelação aconteceu na quarta-feira, 15 de agosto, durante o festival de cinema Film 4 Summer Screen onde existia uma sessão de visualização do filme “A Origem” apresentada e introduzida pelo ator.

“Quando li o guião do filme fiquei um pouco confuso e disse [ao realizador Christopher Nolan] que não percebia quando é que o sonho acontecia. Quando é que é o sonho e quando é que é a vida real?”, recorda o ator britânico. O realizador terá dito que sempre que Michael Caine estivesse em cena, aquele momento pertencia à realidade. “Por isso prestem atenção: se eu estiver em cena, isso significa que esse momento é real. Se não estiver, trata-se apenas de um sonho”, continua.

Esta informação parece fazer dissipar todas as dúvidas. É que na cena final, que até hoje gerava discussão, Michael Caine surge junto de Cobb — o que significa que o pião acaba mesmo por tombar, ainda que nunca tenhamos a oportunidade de ver isso acontecer.