Numa altura em que a Google está debaixo de fogo depois de uma investigação recente ter revelado que a empresa tem acesso ao histórico de localização do utilizador, mesmo quando essa opção está desativada, fomos à procura daquilo que a Google sabe sobre nós. E sabe muito, talvez até demais, e faz uso dessa informação para “melhorar a experiência de utilização”.

Desde fazer o cruzamento de dados entre as conversas que temos via email, aplicações de chat ou mensagens de texto, com os eventos que temos marcados no calendário, a empresa sabe todos os detalhes da nossa vida pessoal. Do mais público ao mais íntimo: com que pessoas falamos, que sítios visitamos e quem somos dentro e fora da internet. O problema? Essa informação deixa de ser nossa e passa a ser propriedade das grandes marcas que fazem uso do nosso perfil para nos vender cada vez mais produtos das mais variadas maneiras.

A MAGG reuniu aquilo que a empresa norte-americana armazena sobre os utilizadores, e como consegue ter acesso a esse tipo de informação.

A Google sabe como é a sua vida dentro e fora da internet

Quantas vezes pesquisou por um determinado produto para, momentos depois, ver-se inundado por anúncios publicitários de vários produtos semelhantes àquele que queria comprar inicialmente? É só um dos exemplos de como funciona a Google que, através de vários produtos, consegue criar um perfil muito detalhado de tudo o que faz fora e dentro da internet.

Através de aplicações como o Google Chrome, Google Maps e Google Photos, a empresa tem acesso aos seus hábitos de pesquisa na internet, aos locais por onde costuma passar (bem como onde vive), ou às pessoas que fazem parte do seu agregado familiar ou grupo de amigos.

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E sim, também é capaz de perceber quando começou a falar com alguém. Basta cruzar os dados que são recolhidos através de algumas das aplicações mais usadas da empresa, como o Gmail. A primeira fotografia que tirou com essa pessoa, a primeira vez que lhe escreveu um email, ou a primeira vez que usou o Google Maps para se encontrar com ela — tudo isto são formas de recolher informação pessoal sua com o intuito de traçar o seu perfil que, mais tarde, é vendido a agências de publicidade.

Também sabe os locais que costuma frequentar

Os serviços de localização da Google estão sempre ligados e, sabe-se agora, mesmo quando essa opção está desativada. Isso, juntamente com algumas aplicações que sejam geridas pela Google, são capazes de registar os locais que visitou, onde costuma estar e a fazer o quê.

Além do Google Maps, há também a aplicação de navegação por GPS, Waze, que é já um dos aliados de muitos condutores no mundo. Por funcionar em tempo real, e com indicações de trânsito ou de acidentes submetidos pelos próprios utilizadores, a aplicação funciona em conjunto com os serviços da Google para facilmente conseguir identificar o dia e hora exatos em que esteve naquele ponto em específico.

A Google sabe com quem fala regularmente

Aplicações como o Gmail e o Google Hangouts, ou qualquer outra aplicação de chat da Google, armazenam toda a informação acerca dos seus contactos e das conversas que tem com eles a qualquer momento do dia. Além disso, o Google Calendar e o Google Maps são capazes de identificar quando esteve com eles e em que locais.

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Não é por acaso que, por vezes, o nome de um dos seus contactos possa ser sugerido automaticamente pelo sistema consoante o tipo de email que está a enviar — é que devido à quantidade de informação que a empresa já recolheu sobre si, o sistema operativo é capaz de identificar padrões de comportamento e utilização para saber que um contacto específico poderá ser o destinatário perfeito para o tipo de conteúdo que está a redigir.

E quais são os seus gostos pessoais

Toda e qualquer pesquisa que faça através do motor de busca da Google fica registada e guardada nos servidores da empresa. Mas não se fica por aqui, já que os anúncios de publicidade onde clica e as aplicações que tem instaladas no seu smartphone (e não faz diferença se se trata de um iPhone ou um Android) servem para construir o seu perfil.

Se pesquisar regularmente por restaurantes de sushi na cidade, por séries de comédia ou livros de banda de desenhada, a empresa fica automaticamente a saber quais os seus gostos e pode usar isso para lhe apresentar mais publicidade com o intuito de o obrigar a mais e novas pesquisas.

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Como se não bastasse, sabe também quais são os seus planos futuros

Viagens planeadas, reservas feitas em hotéis ou consultas no dentista. Tudo o que estiver planeado e registado no seu email, é certo e sabido que a Google vai conhecer. E fá-lo com o intuito de melhorar a sua experiência de utilização já que, ao saber que tem uma consulta marcada para as 17h00, por exemplo, vai-lhe permitir notificar do estado do trânsito na altura de sair de casa.

Além disso, as pesquisas que faz na internet também são um bom indicativo dos seus medos, desejos ou planos para o futuro, e da pessoa que pretende ser daqui a uns anos. Pesquisas sobre dúvidas na paternidade ou sobre os problemas mais comuns no ato de adotar um cão, são só alguns dos exemplos mundanos que a empresa recolhe para poder traçar o perfil do utilizador.