Como é que 5 mulheres descobriram que foram traídas

Carla teve uma chamada da amante durante o parto, Isabel viu sémen na roupa do marido. Estes e outros casos onde o telemóvel foi relevante.

Quem foi infiel uma vez tem 3,5 vezes mais probabilidades de voltar a trair

Candice Waldeck/Unsplash

Aos 26 anos, Amélia (nome fictício) vivia na ilusão de encontrar o príncipe perfeito. E encontrou-o: na altura a trabalhar num call center, a lisboeta hoje com 40 anos apaixonou-se perdidamente por um colega de trabalho. Foi amor à primeira vista.

“Ele chegou até mim de uma forma muito transparente, em que expôs muitíssimo a sua vida. E a vida dele consistia naquilo que acabou por me acontecer”, recorda à MAGG a coach e formadora.

O príncipe perfeito confessou-lhe que tinha vivido duas relações em simultâneo. O seu último relacionamento tinha durado oito anos, sendo que os últimos quatro teriam sido passados com uma terceira pessoa envolvida. Amélia assustou-se com aquela informação, mas acreditou quando ele lhe disse que jamais voltaria a fazer aquilo. Tinha ficado no passado, nunca se voltaria a repetir.

Não levou muito tempo até à paixão assolapada se transformar em amor. Em menos de nada estavam casados, um ano depois tiveram o primeiro filho. Os problemas surgiram quando o menino fez um ano. “Comecei a notar algum distanciamento, muito justificado pelo excesso de trabalho.”

Isto foi particularmente estranho para Amélia atendendo à relação muito próxima que sempre tinham tido. “Numa altura em que não dávamos um passo um sem o outro, ele começou a dar muitos passos sem mim”.

As campainhas de alarme tocaram histericamente. De repente, Amélia só conseguia pensar no relacionamento anterior do marido. Começou a fazer algumas perguntas, a tentar perceber como era o ambiente no agora novo emprego, com quem é que ele se dava. A resposta foi: “Não tenho tempo para falar com ninguém, tenho muito trabalho”.

Só que houve um dia em que Amélia percebeu que não estava apenas a ser insegura. Depois de um almoço com o irmão e com a cunhada, seguiram para casa mas pararam em frente a uma farmácia. O marido saiu. “No momento em que sai do carro, recebe uma mensagem — com o nome gravado de um homem e um conteúdo muito apaixonado.”

Amélia confrontou o marido assim que ele entrou. Primeiro disse que não tinha nada que lhe mexer no telemóvel, depois justificou-se dizendo que só poderia ser um colega de trabalho que se tinha enganado no destinatário.

“Eu disse-lhe: ‘Se é engano, vou ligar para o número e ver quem é que me atende’. Foi o que fiz — e do outro lado fui atendida por uma voz doce feminina que me tratou por amor”.

O que é que uma mulher sente quando é traída? Não é fácil explicar por palavras. “É uma sensação de aperto no estômago, na garganta. Não consegui nem dormir nem comer durante 15 dias”.

Apesar de tudo, o marido recusou-se a admitir que tinha um caso — dizia que eram tudo invenções da mulher. Chegou ao cúmulo de dizer que a amante era apenas uma colega de trabalho que o via como uma figura paternal porque tinha sido violada. As discussões continuaram, o marido sempre a culpá-la, ninguém queria sair de casa.

Foi uma altura muito complicada para Amélia. Sobretudo porque a confirmação daquilo que ela sabia ser verdade nunca chegava. Determinada a provar a toda a gente que não eram invenções da sua cabeça, fez coisas que nunca se imaginou capaz de fazer — inclusivamente perseguir o marido. Um dia encontrou-os no carro, depois do trabalho. Era evidente o que estava a acontecer. A amante disse que Amélia tinha dado cabo da sua relação, o marido tirou a aliança do dedo e retorquiu: “É por estas e por outras que eu já não te suporto”.

Foram oito meses de pura tortura. “Chegou um dia em que lhe fiz um ultimato e disse-lhe que ele tinha de sair de casa. Era mesmo muito stressante para mim, ouvia o telefone tocar e tremia por todos os lados. Ele disse que não saía, que se eu quisesse que saísse. E assim foi.”

Três anos depois, e ainda sem o divórcio na mão, Amélia decidiu aceitar as investidas do marido e dar uma nova hipótese ao casamento. Estiveram juntos dez meses e, durante esse período, ela percebeu que nada voltaria a ser como era. O amor tinha acabado. Já ele, voltou a traí-la com a mesma pessoa.

Hoje, Amélia ultrapassou o que aconteceu e está em paz com o passado. Quanto ao agora ex-marido, também está numa nova relação. E já tem uma segunda pessoa outra vez.

“É bastante frequente a não admissão da traição”

Na opinião da terapeuta de casal Catarina Mexia, é frequente a pessoa que é infiel não admitir a traição. Ainda assim, alerta, é normal que num primeiro confronto não consiga obter toda a verdade.

“Inicialmente, a catadupa de perguntas que habitualmente acompanha a conversa inicial desencadeia no outro um processo de ‘shut down’ defensivo — por medo, proteção individual ou do companheiro que faz as perguntas”.

Culpar o outro também é frequente. “O elemento do casal que trai a relação muitas vezes procura justificar os seus atos na falta de atenção, de carinho, de sexo, etc., que foi sentindo progressivamente na relação.”

Quando é a amante que confessa a traição

Carla Almeida nem queria acreditar na sorte que tinha quando, em 2011, conheceu Rúben (nome fictício) através da internet. Era o homem perfeito: estava sempre a fazer-lhe surpresas, era extremamente romântico, oferecia flores com regularidade, até escrevia postais. “Era tudo o que uma mulher poderia desejar”, conta à MAGG a lisboeta de 35 anos.

Nunca imaginei que ele fosse capaz de me trair, porque ele é que me estava sempre a dizer que eu é que o traía”.

Rúben era extremamente convicto nas suas declarações de amor. Era muito frequente dizer-lhe que seria incapaz de a trair, que nunca conseguiria ter algo com outra pessoa. “A certeza com que ele dizia aquilo… Parece aquelas pessoas que são mentirosas compulsivas, que acreditam mesmo naquilo que estão a dizer.”

O relacionamento perfeito não durou muito, porém. Com o passar do tempo, Rúben começou a revelar-se ciumento. Possessivo. Obsessivo. A relação tornou-se cada vez mais conflituosa, as discussões eram uma constante. Só que Carla Almeida nunca equacionou que pudesse haver uma terceira pessoa. “Nunca imaginei que ele fosse capaz de me trair, porque ele é que me estava sempre a dizer que eu é que o traía”.

Quem foi infiel uma vez tem 3,5 vezes mais probabilidades de voltar a trair

A conclusão é de um estudo realizado pela Universidade de Denver, que analisou 484 relacionamentos de indivíduos entre os 18 e 35 anos. 32% admitiu já ter traído e 45% afirmou ter voltado a fazê-lo. A investigação é citada pela revista norte-americana “Women’s Health”.

Outra conclusão interessante do estudo foi perceber que pessoas que tinham sido traídas no passado estavam mais propensas a voltar a envolver-se com um homem infiel (22%). De acordo com a autora do estudo, Kayla Knopp, isto pode ser justificado pelas limitações sociais, económicas ou geográficas, bem como pela incapacidade de selecionar parceiros mais confiáveis.

Houve um dia em que as discussões passaram de meros desentendimentos para agressão psicológica. Noutro, a agressão psicológica passou para física. O relacionamento terminou no dia em que, em casa dele, Carla Almeida temeu que mais um episódio de violência doméstica terminasse com a sua morte. Não podia continuar mais com aquilo.

O relacionamento durou um ano. A lisboeta confessou finalmente à mãe o que tinha vivido, e mostrou-lhe as nódoas negras que tinha no corpo. Rúben viria a justificar tudo aquilo como “marcas de sexo”.

“Fui internada com o início de uma depressão que eu não tinha, mas que ele me fez acreditar que tinha.”

Carla Almeida descobriu que tinha sido traída pouco tempo depois, quando recebeu uma chamada da amante. Queria contar-lhe tudo: que tinha estado sempre com Rúben ao longo do último ano, tal como também tinha estado com ele no seu casamento anterior. Para provar o que lhe estava a dizer, falou-lhe de um bar onde tinha estado com ele, num dia muito específico.

Carla Almeida lembrava-se perfeitamente dessa noite. Ele tinha dito que ia beber uns copos com os amigos e, quando chegou a casa, mostrou-lhe inclusivamente fotos do local. Parecia inacreditável mas aquele homem, aquele que lhe dissera tão convictamente que jamais a traíria, e que a acusou tantas vezes de ela lhe ser infiel, tinha tido outra pessoa.

“Ele chegava a casa e ia logo pôr a roupa na máquina”

Isabel Martins esteve 13 anos com Bernardo (nome fictício), cinco deles casada e com um filho. “Posso dizer que fui uma mulher muito amada e com uma relação muito estável”, revela a educadora de infância de 31 anos. “Daí o choque”.

Os primeiros sinais surgiram quando o marido começou a chegar a casa cada vez mais tarde. A mulher, natural de Sintra, achava estranho, mas associava isso sempre a excesso de trabalho. Uma traição não poderia ser — era impossível.

Ele chegava a casa e ia logo pôr a roupa na máquina, o que não era normal porque eu é que tratava da roupa.”

Certo dia o marido disse-lhe que gostava de fazer um cruzeiro pelo Tejo. Isabel Martins achou engraçado e foram. “Mal sabia eu que a pessoa com quem ele me traiu, e com quem ainda está hoje, também lá estava.”

Nesse passeio, Bernardo falou pouco com a mulher. Desviava o olhar, evitava completamente o contacto físico. Isabel Martins achou aquilo tudo muito estranho, mas pensou que talvez pudesse ter dito ou feito qualquer coisa que o marido não tivesse gostado, e que por isso estaria chateado.

Tudo mudou quando Isabel Martins começou a apanhar roupa com restos de sémen. “Ele chegava a casa e ia logo pôr a roupa na máquina, o que não era normal porque eu é que tratava da roupa.”

Isabel Martins confrontou o marido, que admitiu que havia de facto outra pessoa. Já não a amava. “Isto tudo com uma casa nova, planos para um segundo filho. Foi complicado.”

O casamento terminou. Bernardo saiu de casa, Isabel Martins teve um esgotamento. Depois de três anos de luto, conseguiu refazer a sua vida. Mas o destino, irónico, ainda lhe pregou uma partida: de repente, viu-se no outro lado quando reencontrou o seu primeiro namorado, de quem tinha sido separada quando tinha apenas 16 anos.

Só que Isabel Martins não podia suportar uma relação assim. Não depois do que que tinha acontecido no seu casamento anterior. “Disse-lhe: ‘Não me sinto bem com esta situação. Tu não queres tomar a tua decisão, mas eu vou tomar a minha. Não vou estar a trair alguém quando já passei por isso’.”

Terminou tudo. “Ele passou muito mal, mas eu fui firme: ‘Fica com a tua mulher. Ela tem uma filha, e não há nada pior do que ficarmos sozinhas a criar um filho’.”

Uma chamada da amante no dia do parto e a importância de confiar nos seus instintos

Três anos depois de começarem a namorar, Tatiana (nome fictício) casou com o agora ex-marido. “Na altura do namoro eu já desconfiava que ele me podia andar a trair. Ele era GNR e andava sempre a caminho do Algarve, mas naquela altura não havia assim tantos meios para nós descobrirmos”.

Era apenas um feeling, um feeling que, acredita Tatiana, as mulheres têm. Mas sem certezas, não tinha como fazer nada. A confirmação chegou dois anos depois, quando a cake designer de 36 anos engravidou. Os horários rotativos do GNR eram complicados, mas o marido chegava a estar dias sem ir a casa. Para piorar ainda mais as coisas, começou a dizer que queria sair de casa.

O ponto alto foi quando estava na indução do parto e ela me ligou a chamar todos os nomes possíveis, a dizer que eu tinha engravidado de propósito para o prender, coisas assim.”

Tatiana não aguentava mais. Com a certeza de que algo se passava, um dia aproveitou o marido estar no banho para agarrar no telemóvel. As provas estavam lá: a portuense descobriu várias mensagens de uma rapariga, inclusivamente a combinar um encontro para aquela noite.

O marido admitiu que era verdade. E que queria sair de casa para viver com aquela mulher. E fê-lo. Só que voltou. E fê-lo outra vez. E voltou outra vez. “O ponto alto foi quando estava na indução do parto e ela me ligou a chamar todos os nomes possíveis, a dizer que eu tinha engravidado de propósito para o prender, coisas assim.”

A filha nasceu, os problemas continuaram — inclusivamente as entradas e saídas de casa. Quando a menina tinha três anos, Tatiana decidiu pôr finalmente fim ao casamento. A perda de confiança era tal que já nem conseguia ser tocada pelo marido.

Anos mais tarde, ele confessou-lhe que também a tinha traído quando estavam a namorar. O seu feeling estava correto.

Hoje, Tatiana está num novo relacionamento, do qual tem outro filho. Mas não foi fácil chegar aqui: antes disso voltou a ser traída por outro homem. Parecia um ciclo vicioso, de tal forma que Tatiana já se perguntava se o problema estaria nela. “Agora nem penso nisso. Ele não me dá motivos para desconfiar.”

Adormeceu no sofá a trocar mensagens com a amante

Joana (nome fictício) estava grávida de quatro meses quando se apercebeu que o seu relacionamento perfeito começava a ficar cravejado de imperfeições. O namorado estava cada vez mais distante. Conhecer alguns amigos que ainda não tinha conhecido também não ajudou, uma vez que a jovem de 29 anos, natural do Barreiro, começou a apanhar pequenas mentiras e contradições.

“A nossa primeira discussão a sério, que eu ainda hoje não tenho a certeza se foi traição ou não, aconteceu quando eu estava grávida de oito meses.”

O namorado disse-lhe que ia sair para beber um copo com os colegas de trabalho. Joana anuiu, claro, “vai, diverte-te”. Problema: não era verdade. Duas semanas depois, descobriu que afinal ele tinha ido jantar com um casal de amigos, acompanhado de uma rapariga.

Foi a mulher do casal que lhe contou. Sem certeza se teria acontecido alguma coisa, Joana ficou de pé atrás com a mentira mas não tinha provas de que tinha havido uma infidelidade. A confirmação chegou meses mais tarde, já após o nascimento da filha.

O namorado voltou aos comportamentos anteriores: estava sempre agarrado ao telemóvel, ficava até tarde a falar com os colegas de trabalho. A relação começou a degradar-se.

“Houve um dia que ele adormeceu no sofá. Eu não sei como, não me pergunte porquê, mas o telemóvel ficou ligado, não voltou a bloquear. Ficou ligado nas mensagens.”

Quando Joana entrou na sala de manhã, ia acordar o namorado quando se apercebeu que ele teria adormecido a trocar mensagens. “Não o acordei, não agarrei no telemóvel, deslizei só o dedo para cima.”

O conteúdo das mensagens foi suficiente para perceber que havia outra mulher. Foi o fim da relação.

Descobriu que estava a ser traída no dia em que o teste de gravidez deu positivo

Catarina (nome fictício) tinha 29 anos quando iniciou uma relação com um homem mais novo. Apesar de a diferença de idades levantar alguns problemas, tudo parecia correr bem. Ainda assim, confessa a administrativa hoje com 41 anos, talvez pudesse ter percecionado as coisas de forma diferente se não estivesse perdidamente apaixonada.

“Olhando para trás, diria que se tivesse estado atenta, teria percebido alguns sinais que indiciavam que isto podia vir a acontecer.”

E que sinais foram esses? As inconstâncias do comportamento. A pouca vontade de fazer o relacionamento evoluir. “Nós estivemos juntos três anos e meio. Se calhar nos últimos seis meses, se eu tivesse estado atenta poderia ter visto que isto era algo que potencialmente podia acontecer.”

Ainda sem a suspeita de que poderia haver uma segunda pessoa, os problemas começaram a surgir. Ainda foram viver juntos, mas a imaturidade e hesitações constantes do namorado levaram a que a relação terminasse. Ele saiu de casa, mais tarde implorou para voltar. Catarina concordou. Não voltaram a viver juntos, mas retomaram a relação.

Foi através das redes sociais que Catarina percebeu que estava a ser traída. Exatamente no mesmo dia em que descobriu que estava grávida. Depois de um dia inteiro a tentar falar com ele sem sucesso, a administrativa virou-se para as redes sociais num estado de profunda instabilidade emocional. E foi então que descobriu uma declaração de amor do namorado a outra mulher.

Ainda me abordou duas vezes: a primeira para me sugerir que fizesse um aborto — eu disse que não —, depois para retomarmos a relação — eu disse que não ao quadrado. Ainda lhe perguntei o que é que fazíamos à outra pessoa, se a metíamos na mesa de cabeceira”.

Como é que alguém é capaz de se deixar ser apanhado de uma forma tão óbvia? “Se calhar queria ser óbvio. Se calhar queria que visse de outra forma. Às vezes depende da falta de coragem das pessoas”.

As chamadas continuaram a ser ignoradas, as mensagens também. Desesperada, Catarina foi para casa da mãe do namorado esperar por ele. Quando apareceu, disse-lhe que estava grávida. Não derramou uma lágrima, não se deixou abater. Tinha passado apenas um dia, mas as suas atenções já estavam voltadas para algo muito mais importante do que o fim de uma relação — o seu filho.

“Foi um clean cut. Automaticamente desliguei. Ainda me abordou duas vezes: a primeira para me sugerir que fizesse um aborto — eu disse que não —, depois para retomarmos a relação — eu disse que não ao quadrado. Ainda lhe perguntei o que é que fazíamos à outra pessoa, se a metíamos na mesa de cabeceira”.

Hoje, o ex-namorado é um pai presente. Já Catarina descobriu novamente o amor e casou com outro homem. No entanto, garante, não foi nada fácil voltar a confiar noutra pessoa. “Tenho de dizer que o meu marido sofreu muito comigo. Eu trazia todos os traumas de uma pessoa que tinha sido magoada daquela forma. Mas com paciência e com carinho, ele ajudou-me a ultrapassar tudo. Já lá vão seis anos que estamos juntos, e não podia esperar melhor”.

As coisas mais insignificantes funcionavam como um trigger. Nunca o apanhou a mentir, nem sequer em pequenas incoerências. “Mas se me soasse a mim estranho, eu questionava. Isso trouxe muitos problemas no início da relação. Se ele olhasse para outra mulher — o que é normal, pelo amor de Deus, o homem tem olhos —, eu já estava a questionar se ele tinha outra pessoa. Era patético.”

Não foi fácil. Mas com a dedicação do agora marido, com muita confiança, carinho e transparência, provou-lhe que não eram mesmo todos iguais. Finalmente, Catarina fez as pazes com o passado.

Não é nada fácil superar uma traição — e às vezes pode ser preciso pedir ajuda

“A experiência de uma traição pode ser traumática”, explica a terapeuta de casal Catarina Mexia. Mas, salienta, “o medo do passado não nos pode definir enquanto pessoas. Faz parte de nós, mas não nos determina.”

Superar uma infidelidade é difícil, mas tem solução. “Se sentir que a dor da traição condiciona a liberdade de se envolver de novo, de se reconhecer enquanto pessoa numa relação, talvez seja o momento de pedir ajuda para ultrapassar o trauma.”

Catarina Mexia salienta ainda a importância de fazer o luto de uma relação, qualquer que ela seja. É importante “dar-se tempo para refletir sobre o que se passou, que impacto teve em si”.

Como é que devemos agir quando suspeitamos que há uma terceira pessoa envolvida?

“As coisas nunca correm como a seguir proponho, pois a suspeita/descoberta de uma traição é sempre uma experiência muito intensa e de grande impacto emocional”, explica Catarina Mexia. “Ainda assim, antes de confrontar o outro com tal suspeita, devemos refletir sobre o objetivo da conversa que iremos ter, e se estamos preparados para a resposta que iremos receber. Estarmos na posse de provas irrefutáveis pode ajudar-nos a atalhar caminho para uma confissão, mas não nos prepara melhor para a reação do outro.”

Tudo pode acontecer. E é por isso que é importante refletir sobre o impacto que esta traição tem para si, se se imagina a superá-la com o apoio e dedicação dele e o que procura ao confrontá-lo. É importante também escolher um momento em que saiba que vão poder falar com calma, sem interrupções.

Também é essencial olhar para a conversa como um diálogo e não como um confronto. “Ser capaz de expressar o seu desconforto iniciando o seu discurso por ‘eu’ em vez do ‘tu’ — ‘Tive conhecimento de algo que me deixou desconfortável e gostaria de conversar sobre isso’.”

Na opinião de Catarina Mexia, é possível superar uma traição: “Uma infidelidade nem sempre serve para romper uma relação e, às vezes, algumas relações saem mais fortes depois de ultrapassar a crise.”

E como é que se supera uma traição? Com a dedicação de ambos e muito trabalho. “É necessário que ambos sejam capazes de olhar para dentro de si e perceber o impacto de uma crise como esta, que ninguém obrigou ninguém a ter um relacionamento extra-conjugal e que esta pode ser uma experiência profundamente traumática”, destaca Catarina Mexia. “Mas quando corre bem, uma vez ultrapassada a dor e a ansiedade, é possível examinar todos as questões da relação e reconstruí-la ainda mais forte.”

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