Porque é que este homem perturba tanto a coroa britânica?

O pai de Megan Markle é uma figura tão incómoda que o casal real até já proibiu os amigos de falarem com a imprensa sobre ele. Porquê?

A relação entre a atriz e o pai é, neste momento, no mínimo, delicada

Thomas Markle é o familiar polémico de Meghan Markle que está a deixar a ex-atriz e a família real britânica em alvoroço pelas controversas afirmações e atitudes.

Mas o que fez mesmo o pai da duquesa de Sussex para ser persona non grata no palácio de Kensington? Será assim tão grave para que os próprios duques tenham pedido aos amigos para não falarem sobre o assunto com jornais e revistas? A MAGG revê as polémicas-chave neste confronto entre a coroa do Reino Unido e Thomas Markle.

Um homem “recluso”

Dias após o anúncio de noivado entre o príncipe Harry e a então atriz Meghan Markle, o seu meio irmão fez revelações bombásticas sobre o pai ao jornal “Daily Mail”. Thomas Jr. descreveu o pai como “um homem solitário” que se “escondeu numa cidade” no México. Explicava ainda que ele nunca gostou das luzes da ribalta, mas que desde as notícias do noivado que se tornou “um recluso”. Um mês mais tarde foram tiradas as primeiras fotos a Thomas Markle – numa loja a comprar cigarros e cerveja. As imagens não caíram bem junto do próprio, da filha e da família real.

Fotos encenadas

Dias antes do mega casamento real, foi noticiado pelo “Daily Mail” que Thomas Markle teria combinado com um paparazzi algumas fotos para mudar a sua imagem junto do público (depois das tão faladas fotografias na mercearia).

Esta terá sido uma das fotos encenadas, onde se vê Thomas Markle a pesquisar sobre a filha e o príncipe Harry

As fotos mostravam o pai da atriz sentado em frente a um computador a ler notícias sobre a filha e o noivo, e ainda a tirar medidas para o fato que levaria ao casamento. Dias mais tarde, veio pedir desculpas pelo sucedido e a meia-irmã da atriz veio em sua defesa, dizendo que a ideia tinha sido dela. O que se pretendia era que o público tivesse uma ideia diferente do pai da futura duquesa de Sussex, uma vez que as suas fotografias até então não tinham sido as mais apropriadas (fotos em que estava a beber e vestia roupa desleixada passavam a imagem de uma pessoa pouco cuidada).

A falta no casamento

Inicialmente tinha sido noticiado que Thomas Markle iria levar a filha ao altar, quando ela se casasse com o príncipe Harry, a 19 de maio na capela de St George no Castelo de Windsor. Estaria planeado que Thomas partisse do México, onde vive desde que se reformou, para participar no casamento real. Iria visitar os agora duques de Sussex ao palácio, levar a filha ao altar e participar nos votos. Mas nada disto aconteceu. Depois do escândalo das fotografias, e de todo o embaraço que a situação causou, a relação entre pai, filha e família real ficou afetada e o convite para o casamento teria de ser revisto.

A 14 de Maio, foi noticiado que Thomas Markle teria sido internado devido a um problema de coração. Uns dias depois foi confirmado pelo Palácio de Kensington que este não estaria na cerimónia, uma vez que estaria demasiado frágil para viajar. Meghan acabou por entrar na igreja sozinha e, a meio, o príncipe Carlos juntou-se a ela para fazerem o último percurso juntos de modo a entregá-la ao filho, o príncipe Harry.

Meghan Markle entrou na igreja sozinha e a meio do percurso o príncipe Carlos juntou-se-lhe, levando-a ao altar

O destaque que a imprensa mundial deu ao casamento seria marcada pela polémica em torno do pai da noiva. É que as declarações de Thomas Markle e dos irmãos de Megan só vieram aumentar o desconforto causado na família real.

As entrevistas polémicas

Primeiro foi a entrevista ao programa de televisão “Good Morning Britain”, em Junho, em que Thomas explicava porque é que tinha encenado as fotos – para limpar o seu nome — pedindo desculpa pelo sucedido e mostrando-se orgulhoso por a filha se ter tornado um membro da família real britânica. Só que surtiu o efeito contrário na monarquia: tinha-lhe sido pedido que não falasse com a imprensa, explica o site E! News.

Thomas Markle em entrevista ao programa Good Morning Britain

Um pedido que fez questão de ignorar. Uma semana depois, foi novamente entrevistado pelo site TMZ a dizer que não percebia como a rainha tinha tomado chá com Donald Trump, um presidente “arrogante, ignorante e insensível”. Em julho, nova entrevista para dizer que não falava com a filha desde o breve telefonema depois do casamento. Diz que não tem um número de telefone, ou uma morada, para onde possa contactar Meghan e pede para que esta o deixe de ignorar. “Se tivesse uma mensagem para ela, seria um pedido de desculpas por tudo o que correu mal”, disse na mesma entrevista.

Como se não bastasse, foi entrevistado mais uma vez, pelo “The Sun”, onde fez afirmações polémicas. Revelou que não falava com a filha há semanas e que se sentia preocupado. Disse que sentia a filha triste e aterrorizada, e que o sorriso tão característico era agora falso. “Preocupo-me muito, acho que ela está sob demasiada pressão, há um preço a pagar por se ter casado com alguém daquela família”, disse. Mas não ficou por ali.

A chantagem emocional

No final do mês de julho deu a entrevista que mais repercussão teve na imprensa de todo o mundo. Numa conversa de nove horas, em três dias, Thomas fez revelações bombásticas sobre a filha. Chamou-lhe “fria” e disse que seria “mais fácil para Meghan se ele morresse”. “O que me irrita na Meghan é o ar de superioridade”, afirmou na entrevista ao “Daily Mail“.

Garantiu ainda que providenciou tudo o que estava ao seu alcance para que a filha estudasse nas melhores escolas e que depois nada disso lhe teria sido agradecido, seguindo na mesma linha de anteriores declarações do meio irmão de Megan que a acusara de nunca ter sido reconhecida ao pai pela ajuda que ele lhe terá dado na sua carreira de atriz (Thomas Markle trabalhou na indústria cinematográfica). “Estou farto de Meghan e da família real. Eles querem silenciar-me (…) mas não vão conseguir”.

Alguns analistas dos assuntos reais britânicos viram aqui uma estratégia de Thomas para obrigar a família real e a própria duquesa de Sussex a reagir. E parece ter conseguido.

Meghan Markle e o pai durante a adolescência da atriz

A casa real a tentar silenciar Thomas Markle

Depois de, numa conversa com o “The Mail on Sunday”, Thomas Markle ter invocado o nome da princesa Diana, mãe de Harry, para dizer que se ela fosse viva não permitiria que ele fosse tratado assim pela família real, os alarmes voltaram a soar no Palácio de Kensington. Angela Levin, especialista em assuntos da realeza britânica, autora da nova biografia do príncipe Harry, “Harry: Conversations With The Prince”, citada pelo site news.com.au, disse que Megan ficou envergonhada e assustada com o que o pai poderia fazer a seguir.

Segundo o jornal The Sun, a afirmação de Thomas terá “cruzado uma linha” e levado a três reuniões de crise dos assessores da coroa britânica. Daí terá saído nova abordagem ao “Marklegate”. Nos últimos dias, a imprensa britânica voltou ao assunto (na verdade nunca deixou o assunto), levantando a possibilidade de um encontro, preparado pelo palácio, entre pai e filha para tentar apaziguar a relação. Esta terá sido uma das três hipóteses colocadas pelos conselheiros reais, afirma o Daily Mirror. Os outros dois cenários passariam por Meghan falar diretamente com o pai ou cortar definitivamente os laços entre os dois.

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