Era capaz de casar com um desconhecido? A história do novo reality show da SIC

Lá fora é assim: são filmados dez horas por dia, os casamentos são mesmo a sério (a única exceção é a Austrália) e os castings são duros.

Como é que funcionam os castings? O que é que os especialistas estão à procura? Os casamentos são mesmo reais?

Era capaz de casar com um desconhecido? Alguém que nunca tivesse visto na vida, nem sequer em fotografias? Pode ser gordo, magro, alto, baixo. Ter um sotaque estranho, uma voz demasiado aguda ou os hábitos mais irritantes de sempre, ou nenhuma destas coisas. Não sabe, nunca saberá, pelo menos não antes do casamento.

É esta a premissa de “Married At First Sight”, um reality show que nasceu na Dinamarca em 2014. A ideia de unir estranhos em matrimónio foi de tal forma bem-sucedida que o programa se tornou um enorme sucesso, estando neste momento em exibição em 13 países — EUA, Austrália, Israel, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Itália e Polónia são alguns exemplos.

Parece que o 14.º será Portugal. A SIC abriu os castings para a versão portuguesa do reality show, que terá o nome “Casados à Primeira Vista”. E está oficialmente à procura de candidatos. Eles têm de ser solteiros, claro, estar à procura do amor e dispostos a casar com uma pessoa que nunca viram na vida.

Lá fora nada tem sido deixado ao acaso. Os participantes (que, nas várias versões dos programas, foram desde três a 11 casais) são escolhidos e acompanhados por um conjunto de três especialistas. Podem ser psicólogos, sexólogos, sociólogos, terapeutas de casais, pastores ou especialistas em comunicação e relacionamento.

Os especialistas são responsáveis por casar, em sentido figurado e literal, os candidatos no programa. Olhando para as características individuais de cada participante, eles formam os casais que, à partida, terão maior probabilidade de criar uma relação a longo prazo e de sucesso. Se é mesmo isso que acontece, bem, depende. Afinal, o amor é tudo menos previsível.

E chega o dia do casamento. O sol brilha, os casais começam a preparar-se, a família e amigos estão lá para os discursos motivacionais. As noivas ajeitam os véus, os noivos caminham nervosos para o altar. De repente a música começa a tocar, arranca o casamento e os noivos veem-se pela primeira vez.

E a aventura começa. Os casais passam a noite de núpcias num hotel, antes de saírem para a lua de mel. Quando voltam a casa, vivem juntos durante oito semanas. No final, decidem se querem divorciar-se ou permanecer casados. Com mais ou menos alterações de país para país (na versão australiana, neste momento em exibição na SIC Mulher, há encontros com os especialistas todas as semanas; se decidirem que querem romper, são obrigados a ficar mais uma semana), é esta a lógica do programa.

Para já ainda não se sabem pormenores sobre como será o reality show na SIC, uma vez que, explica o canal à MAGG, ainda estão a ser fechados os pormenores da adaptação do formato. Mas a premissa é esta: estranhos conhecem-se no dia em que casam. Depois logo veem se a relação resulta ou não.

Durante o casting há entrevistas em casa dos candidatos e um questionário que demora 12 horas a responder. Nos EUA metade das pessoas desistiram quando souberam que a ideia era casar com um estranho, na Austrália houve uma petição para que o programa saísse do ar. Contamos-lhe tudo sobre o programa.

Como é que funcionam os castings

Chris Coelen, CEO da Kinetic Content (a produtora por detrás de “Married At First Sight”) e a socióloga do programa (versão norte-americana), Pepper Schwartz, contaram os detalhes ao “E! News”. “Nós estávamos do género… não tem como as pessoas inscreverem-se nisto. Será que vamos ser capazes de fazer este programa? É que isto é uma loucura!”, revelou Chris Coelen.

Quando os castings começaram, os futuros concorrentes não faziam ideia de qual seria o formato do programa. E muitos saíram porta fora quando perceberam qual era o conceito. “As pessoas ficaram chocadas. Algumas ficaram enraivecidas, outras riram, outras ainda ficaram estupefactas”, contou Coelen à Reality Blurred. Metade foi-se embora.

Os candidatos são entrevistados por telefone ou pelo Skype, seguindo-se um extenso e minucioso questionário — “Tem aproximadamente 50 perguntas. Se for feito corretamente, demora cerca de 12 horas a ser preenchido”, explicou o produtor-executivo da versão norte-americana, Sam Dean, ao ET Online.

Quando o número de pessoas está reduzido a entre 100 a 200, são convidados para entrevistas presenciais. E é aqui que entram os especialistas. Há avaliações psicológicas profundas, sendo que numa das fases finais a entrevista é feita em casa do próprio candidato.

Nota importante: as entrevistas entre homens e mulheres são feitas em alturas diferentes, para que nunca haja o perigo de os candidatos se cruzarem.

Os casais são escolhidos, claro, pelos especialistas. “Estes têm a palavra final”, explica Coelen.

Do que é que os especialistas estão à procura

De acordo com Pepper Schwartz, “alguém que está disposto a aceitar conselhos. Estou à procura de coração, calor, capacidade de ter empatia por outra pessoa.” Chris Coelen acrescenta que a combinação perfeita não pode acontecer apenas no papel. “Trata-se de tentar escolher pessoas que sejam sinceras e gentis. Não é preciso ser-se honesto e gentil para se ter um ótimo casamento, mas nós realmente queremos pessoas que sejam autênticas sobre as suas razões e que estejam de coração aberto.”

Então e o que é que coloca um candidato imediatamente de parte? “Procurar fama de qualquer tipo. Para alguém que realmente acha que este é um caminho para construir algum tipo de carreira, eu acho que existem maneiras mais fáceis e menos arriscadas”, diz Pepper Schwartz.

Os casais são filmadas dez horas por dia

É assim na versão norte-americana. Durante oito semanas, as câmaras não os largam, filmando-os durante dez horas por dia. “Nós vemos isto mesmo como um documentário”, diz Chris Coelen. “Tivemos alguns problemas, em que as pessoas queriam desesperadamente um marido ou uma mulher mas não queriam ser documentadas. Muitas pessoas durante o processo de seleção de elenco chama que é ótimo, maravilhoso, já viram o programa e adoram, mas quando chegam lá dizem: ‘Eu não gosto disto’.”

Porque é que alguém haveria de entrar neste programa?

“Eu quero casar. Estou nesse momento da minha vida”, explicou a concorrente Monet Bell. Já Cortney Carrion disse: “A oportunidade apresentou-se na minha frente, e eu pensei: ‘Porque não?’. Se dissesse que não e saísse da sala, iria sempre pensar ‘e se?’ para o resto da minha vida. Não quero viver com arrependimentos.”

Os casamentos são mesmo a sério?

Sim. Aliás, é obrigatório: todos os participantes têm de aceitar casar-se legalmente com alguém que nunca conheceram. A versão australiana do programa é a única que não tem este requerimento devido à Lei do Matrimónio Australiana. O documento de casamento é assinada imediatamente após a cerimónia.

Houve algum casamento que funcionasse?

Nas primeiras três temporadas de “Married At First Sight UK”, não houve uma única relação sobrevivente — a mais longa durou um ano. Na Austrália foi diferente: Zoe Hendrix e Alex Garner estão juntos até hoje e, em novembro de 2016, tiveram o primeiro filho. Erin e Bryce e Sara e Telv também foram casos de sucesso. Mostramos-lhe alguns casais que estão juntos até hoje.

Então e quem é que paga pelo divórcio?

O programa fica responsável pelos custos, nomeadamente dos advogados. Ainda assim, e precisamente para facilitar este processo, os participantes assinam um acordo pré-nupcial para evitar complicações no momento em que decidem separar-se.

“É um acordo muito breve e curto. Basicamente diz que com o que eles entram no casamento é com aquilo que saem”, explicou Chris Coelen. “Queremos dar-lhes alguma proteção. Se por alguma razão não resultar, pelo menos estão protegidos.”

Os participantes são pagos para estar no programa?

De acordo com o produtor-executivo Chris Coelen, “praticamente nada. Não queremos pessoas motivadas pelas razões erradas.”

A polémica na Austrália

A ideia de ter um programa como este na televisão deixou muitas pessoas indignadas, de tal forma que foi lançada uma petição. A verdade é que continuou a ser transmitido.

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