Quantas vezes lutou contra o sono para se forçar a ver a cerimónia dos Óscares? Entre bocejos, esfregões de olhos e pequenas sestas para enganar o corpo, tudo é válido para se manter desperto durante um dos eventos mais importantes do ano da academia de Hollywood, que geralmente se arrasta pela madrugada dentro. Mas os Óscares vão mudar, a começar pelas cerimónias que vão passar a ser mais curtas.

O anúncio foi feito na terça-feira, 7 de agosto, durante uma reunião da organização, em que John Bailey voltou a ser reeleito como presidente da Academia. Segundo o “The New York Times”, todas as estas mudanças serão consequência das baixas audiências televisivas durante os eventos anteriores, e entrarão já em vigor durante a 91.º cerimónia de entrega dos Óscares — que está marcada para 24 de fevereiro de 2019.

“A transmissão em 2018 durou quase quatro horas e foi vista por 26,5 milhões de pessoas, marcando uma queda de 19% nas audiências e afirmando-se, também, como a cerimónia dos Óscares menos vista em 90 anos de história da Academia”, escreve o portal online “E!”.

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Para encurtar a duração das cerimónias, a ideia passará por atribuir alguns dos prémios menos importantes durante os intervalos ou pausas publicitárias, o que significa que as pessoas responsáveis por esses segmentos serão relegadas para segundo plano.

Mas as novidades não se ficam por aqui: é que a Academia também já revelou a data da 92.ª cerimónia que, para surpresa de muitos, vai acontecer muito mais cedo do que é habitual, a 9 de fevereiro de 2020. Além disso, vai ser introduzida uma nova categoria para os filmes mais populares do cinema, vulgarmente identificados como blockbusters.

Isto significa que produções como “Black Panther”, “Vingadores: Guerra do Infinito”, “Deadpool 2”, “Missão impossível — Fallout” e “Mamma Mia! Here We Go Again” poderão vir a ser distinguidos com uma estatueta específica durante o evento. Contudo, nada impede que um filme nomeado para a categoria de Desempenho Notável em Filme Popular não seja também nomeado para Óscar de Melhor Filme, segundo escreve o “The Hollywood Reporter”.

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Esta é uma medida que está a ser recebida com inúmeras críticas por parte de toda a comunidade ligada à indústria de Hollywood. Adam McKay (“Homem-Formiga”), realizador premiado pelo filme “A Queda de Wall Street”, ridicularizou a ideia através da sua conta de Twitter e ofereceu várias outras alternativas possíveis.

“Outras novas categorias: Melhor Filme Com a Mulher Alien Mais Boazona ou Melhor Filme Em Que Pensava Que Ele Estava Morto Mas Que Agora Voltou e Está a Dominar Tudo”, lê-se na publicação. Da mesma forma, o ator Rob Lowe (“Os Marginais”) também já reagiu e diz que “a indústria do cinema morreu com a chegada do Óscar de melhor filme ‘popular’.”

A última edição dos prémios de cinema aconteceu em março de 2018 e foi “A Forma da Água”, de Guillerme del Toro (“Batalha do Pacífico”), a produção a vencer na categoria de Melhor Filme.