É um drama comum a muitas mulheres: se durante a gravidez o cabelo ganha densidade, o pós-parto vem acompanhado de uma queda moderada a intensa — e as culpadas são as alterações hormonais, que influenciam o ciclo de vida do cabelo.

Como explica Helena Toda Brito, médica dermatologista, “o aumento do nível de estrogénios que ocorre durante a gravidez é responsável por um cabelo mais denso e espesso durante este período. O prolongamento da anagénese (fase de crescimento) faz com que o cabelo cresça mais e caia menos, levando ao aumento da quantidade e diâmetro dos fios, resultando num cabelo mais espesso”, explica a especialista à MAGG.

Após o parto, a diminuição dos estrogénios leva a uma reversão desta tendência de crescimento e, de acordo com a dermatologista, muitos dos cabelos que se tinham mantido em anagénese entram em telogénese (fase de repouso), resultando numa queda acentuada alguns meses depois, já no período de pós-parto — cerca de três a quatro meses.

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Para além da influência hormonal que a gravidez tem no ciclo do cabelo, Helena Toda Brito refere que “o próprio stresse físico e emocional do parto pode ser responsável por uma entrada prematura de cabelos na telogénese”.

A queda do cabelo é inevitável, mas pode ser controlada

Apesar de ser muito frequente, Helena Toda Brito refere que este não é um quadro que ocorra em todas as mulheres. Mais, é também possível que a mesma mulher possa passar por este drama numa gravidez, mas sair ilesa noutra gestação.

Já para quem não escapa a esta realidade, a dura verdade é que não há nada que se possa fazer para impedir o cabelo de cair neste período. “A queda é determinada maioritariamente por alterações hormonais típicas desta fase, que não podem ser alteradas. A boa notícia é que se trata de uma queda temporária”, esclarece a médica dermatologista.

Se esta situação for incomodativa, há medidas que podem ser tomadas para ajudar a fortalecer o cabelo que está a crescer após a fase de queda, como a toma de suplementos alimentares específicos para o cabelo, aconselhados pelo dermatologista. A especialista refere também que existem algumas pequenas alterações que podem ser feitas na rotina diária para melhorar a aparência do cabelo, fazendo-o parecer mais forte e denso.

“Pode optar por champôs de volume, que contêm proteínas que revestem o cabelo, dando-lhe um aspeto mais denso. Por outro lado, os produtos com formulações ‘2 em 1’ devem ser evitados, pois dão um aspeto mais pesado ao cabelo”, aconselha Helena Toda Brito.

Quanto à hidratação dos fios, a escolha deve recair por amaciadores específicos para cabelos finos, com uma fórmula mais leve. Tal como refere a especialista, “estes produtos devem-se aplicar apenas nas pontas. Os amaciadores intensivos e máscaras devem ser evitados, dado que são demasiado pesados para um cabelo sem volume”.

Um corte de cabelo ajuda sempre, principalmente um que dê a ilusão de maior volume, bem como a toma de vitaminas ou a aplicação de ampolas para a queda do cabelo. “Existem no mercado muitos suplementos alimentares e produtos de aplicação local que podem ser usados mesmo durante a amamentação, embora se deva sempre confirmar a utilização junto do médico”, salienta Helena Toda Brito.

Cuidado com os rabos de cavalo

Por mais que seja complicado lidar com este problema num período tão exigente como o pós-parto, altura em que a maioria das mulheres também tem de gerir alterações na sua forma física, a amamentação, o défice de sono e, claro está, um recém-nascido, a verdade é que esta é uma fase transitória que, mesmo sem qualquer intervenção exterior, irá reverter-se espontaneamente.

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“A queda começa habitualmente entre o terceiro e o quarto mês após o parto e prolonga-se durante vários meses. No entanto, a maioria das mulheres afetadas tem uma recuperação completa da densidade do cabelo cerca de um ano após o parto, podendo mesmo recuperar mais cedo”, afirma Helena Toda Brito, que aconselha uma consulta num médico dermatologista caso a recuperação não ocorra um ano após o parto “para avaliar se existe outro motivo que esteja a contribuir para a queda de cabelo”.

Durante esse período, e por mais que tenha a tentação de amarrar o cabelo em rabos de cavalo para disfarçar a falta de densidade, é importante que tenha noção que este pode ser um hábito prejudicial. “Se prender o cabelo com muita tração e por períodos prolongados, a tensão causada pode provocar uma quebra dos cabelos a curto prazo”, conclui a dermatologista, que ainda alerta para o facto de, caso recorra aos rabos de cavalo apertados de forma recorrente, “poder mesmo perder fios de forma permanente, uma situação denominada de alopécia de tração”.