Ainda hoje me lembro da cara de desilusão da minha mãe quando me levou a provar o meu primeiro Big Mac. Ela, que tinha vivido na Alemanha, e que culpa a cadeia norte-americana pelos oito quilos que ganhou em dois meses, falava dos hambúrgueres como o melhor do fast food e a alternativa perfeita num país de salsichas, petisco que ela, se puder, ainda hoje evita.

Estava convencida de que eu, na altura ainda a descobrir os primeiros prazeres da comida mastigada, ia adorar aquela junção que aparentemente não tinha como não agradar a todos. Afinal, falamos aqui de coisas tão consensuais como pão, carne e queijo, nuns anos 90 ainda sem glúten e muito pouco dado às opções vegetarianas.

O que ninguém me avisou foi que entre a carne sempre tenra e o pão fofo havia umas rodelas de pickles a atrapalhar. “Blherg”, disse eu. “Mais fica”, terá pensado a minha mãe, que até hoje se mantém fiel a esta receita, acompanhada de batata e Coca-cola que, diz quem sabe, não há como a que é servida em copos de meio litro pela cadeia norte-americana.

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Felizmente para o negócio do McDonald’s, foram poucas as reações como a minha e o que é certo é que o Big Mac se mantém, ainda hoje, como o hambúrguer mais vendido da marca.

A comemorar 50 anos, façamos uma revisão da matéria dada, até porque já há muito que o Big Mac deixou de ser apenas carne e queijo no meio de duas fatias de pão. Sabia, por exemplo, que é usado como index para a valorização da moeda em diferentes países?

Podíamos estar a comer um Aristocrat

O Big Mac foi criado por Jim Delligatti, na cozinha do primeiro McDonald’s, na Pensilvânia. Antes de se chamar Big Mac, foram duas as opções em cima da mesa: Aristocrat, que consideraram difícil de pronunciar e ‘Blue Ribbon Burger’. O terceiro nome, Big Mac, foi criado por Esther Glickstein Rose, uma secretária de 21 anos que trabalhou na sede corporativa do McDonald’s, em Oak Brook, Illinois. O nome pareceu mais apropriado tendo em conta que foi criado para competir com o hambúrguer Big Boy dos Big Boy Restaurants, acabando mais tarde por ser adicionado ao menu de todos os restaurantes dos EUA, em 1968.

Está em todo o lado

O Big Mac está presente em todos os países onde a McDonald’s tem restaurantes — mais de 36 mil restaurantes em 100 países. Na Índia, onde o consumo de carne de vaca é praticamente nulo, o hambúrguer é feito com carne de frango e chama-se Chicken Maharaja Mac.

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A receita mantém-se

O Big Mac mantém a mesma receita desde a sua origem: pão com sementes de sésamo, dois hambúrgueres 100%
carne de vaca, alface iceberg, cebola, queijo fundido, pickles e molho especial Big Mac. Em Portugal, três dos ingredientes que compõem a receita são portugueses: a carne de vaca é da Exploração Agrícola Teixeira do Batel, em Vila do Conde, a cebola chega da Herdade da Toscana, em Beja, e a alface vem da Quinta da Azenha do Mar, em Odemira.

No Brasil, por exemplo, onde não existia produção de alface iceberg, esta foi introduzida propositadamente para fazer parte do hambúrguer. Antes disso experimentaram outras variedades, mas nenhuma funcionou como a original.

A versão portuguesa tem 503 calorias, mas não é assim em todo o lado. Basta acrescentar mais molho ou optar por um bife maior para que os valores cheguem às 520 calorias na Austrália ou às 540 calorias se comprar o hambúrguer nos Estados Unidos.

Dá para fazer em casa?

Pode tentar. Recentemente, um dos segredos mais bem guardados da empresa, foi divulgado na internet, ainda que a marca nunca tenha confirmado a sua autenticidade.

Mesmo assim, a lista de 33 — sim, 33 — ingredientes é bastante pormenorizada. São eles: óleo de soja; relish de pepino (pepino em picles em cubos, xarope de milho com frutose, açúcar, vinagre, xarope de milho, sal, cloreto de cálcio, goma de xantana, sorbato de potássio (conservante), extrato de especiarias, polissorbato 80), vinagre destilado, água, gemas de ovo, xarope de milho de alta frutose, pó de cebola, sementes de mostarda, sal, especiarias, alginato de propileno glicol, benzoato de sódio (conservante), farelo de mostarda, açúcar, pó de alho, proteína vegetal (milho hidrolisado, soja e trigo), corante caramelo, extrato de paprika, lecitina de soja, açafrão (corante), EDTA dissódico de cálcio.

É tal o sucesso deste molho que a cadeia, no ano passado, lançou uma edição limitada de 10 mil garrafas numeradas. Não vale a pensa ver se ainda existe, isto aconteceu apenas nos Estados Unidos.

Ganha valor económico

Em 1986, o “The Economist” lançou o Big Mac Index – um índice calculado sobre o preço do Big Mac em mais de 100 países, tendo como objetivo medir a valorização cambial em qualquer parte do mundo, ou seja, o grau de sobre/subvalorização de uma moeda em relação ao dólar americano, através de uma comparação do preço da sanduíche nos EUA com o preço do país no qual se pretende comparar a moeda.

O preferido dos portugueses

O Big Mac, em Portugal, é o produto mais vendido da marca. Em 2017, estima-se que um em cada quatro portugueses que visitaram os restaurantes McDonald’s consumiram um Menu Big Mac.

E, seguramente, o preferido deste norte-americano

Donald A. Gorske, com 64 anos, já comeu pelo menos 30 mil Big Macs até hoje. Além de ter a sua história contada no documentário “Super Size Me”, tem o seu nome no Livro de Recordes do Guinness e garante que o hambúrguer representa 90% do seu consumo alimentar diário.